5.9.13

It's a long way



"It's a long way to the top if you wanna rock n' roll"

Adoro esta música. É demais.

Eu também, e o tipo sabe dar espectaculo.

Este publico é escandaloso. Do melhor que há. Fiquem bem, e até uma próxima.

Eda, queres ir para outro lugar, o concerto já terminou.

Sim, vamos.

Beba lá a água menina, você deve ter andado na água, tem a roupa toda tesa. Lembra-se do que aconteceu.

Muito mal...

"It's a long way.."

Lembro-me de uma música, estava a ver um concerto. O vocalista não parava de dizer que éramos um publico escandaloso... e..

E. Não se lembra de mais nada, bebeu muito estou a ver. Ai, esta juventude está perdida Senhor.

Bebi um pouco, mas não estava bêbeda.

Eda... não te metas na água, está muito escuro, é perigoso. Eda.

Lembro-me de entrar no mar, estava a saber-me bem. Depois disso é tudo muito vago..

A menina estava a tentar matar-se.

Não. Acho que não...

Então porque é que entrou no mar, não tem estado muito calmo nos últimos dias, e ontém à noite estava bastante picado...

Eda. Edaaaa. Não faças iss... CUIDADO.



4.9.13

Six Word Story

Big mama cries. Less one is.

Ás vezes...



Ás vezes o corpo adormece, e alma perde-se em divagações infinitas.

3.9.13

2.9.13

Olhos como cigarros




Olhos que queimam como cigarros
São esse olhos que me levam para outro lado
Queimam-me por dentro
Consomem-me e fazem-me querer mais
Mais de ti, que de ti nunca é demais

30.8.13

Do outro lado



Era estranho ser feliz, naquele momento ela não sabia muito bem como estar ou sentir. Foram tantos anos de sofrimento, que se habituara àquela dor insuportável, que se tornou quase que uma amiga inseparável.

Era estranho ver o ser que ali estava a nascer, naquele momento, naquele precioso momento, uma criança chegava, mundo aberto de braços, e o choro que evidenciava a sua chegada.

Bem vinda de volta minha querida. Finalmente, voltamos a encontrar-nos. Dizia-lhe a mãe de lágrimas no rosto, enquanto ela as olhava, feliz, imensamente feliz, e era estranho.

Não sabia se lhes tocava, ou se apenas as olhava, era tanta a luz, o som dos anjos em louvor à nova vida, que nem sabia muito bem como reagia áquele acontecimento.

Sabia que estava completa, a sua missão de entregar aquela criança tinha chegado a bom porto, e alí estava o resultado na sua frente.

Obrigada Senhor. Toda vida foi este o meu sonho, e agora posso partir em paz, leva-me agora e eu poderei cristalizar a felicidade deste momento.

Ela olhou-a uma última vez, sorriu, limpou as lágrima e disse, Sê feliz minha querida, terás quem cuide de ti, a minha missão continuará do outro lado.

Fechou os olhos e parou de ouvir o choro. Quando os abriu ela já estava à sua espera do outro lado, com uma multidão de luz em sintonía, também de braços abertos.

Bem vinda minha filha. Temos muito trabalho para fazer. Vamos.


Escandaloso




O sol bateu forte na sua pele, e ela sentiu-a a esticar-se, quase a estalar com o calor, ao mesmo tempo que acordava. O que se passa... onde é que... como é que... A sua cabeça, as dores de cabeça eram absurdas, não sabia como é que tinha ido ali parar, e tinha uma dor de cabeça terrível.

Escandaloso. É escandaloso. Aquela palavra não parava de se repetir. Escandaloso. E era dito numa voz masculina, quase que a gritar.

De repente sentiu os pés ficarem molhados, a água era fria, arrepiou-se. Tentou levantar-se, sentiu areia nas mãos, e foi nesse momento que começou a ouvir o som das ondas, Estranho, não entendo... mas como é que raio...

A menina sente-se bem, precisa de ajuda, quer que vá buscar um copo de água, deve ter adormecido ao sol...

Ela olhava o homem com ar assustado, não estava a entender o que se estava a passar.

Vá venha para a sombra.

No mesmo tempo em que se mexeu para se levantar todo o seu corpo gritou de dor, e da sua boca saiu um pequeno gemido, a dor era especialemente intensa numa perna, olhou e viu que tinha uma nódoa negra, e um golpe.

O pescador voltou com um copo de água na mão e deu-lho. A menina está magoada.

Escandaloso. Este é o publico mais escandaloso que já conheci. Quero ouvir toda gente a curtir.

Eda, queres ir para outro lugar, o concerto já terminou. 

Sim vamos.

A menina está bem, parece que ficou assim meia esquisita.

29.8.13

O depois



É disto que tenho medo, sabes. É isto que me faz estremecer.

Isto o quê.

Isto, o depois. Essa tua luz, depois do depois. Os teus olhos nos meus. É agora que estremeço por dentro. É neste momento que sou inteiro, teu.

Não tenhas medo. Não é preciso.

Nem sei se gosto mais do antes ou do depois..

Depois...

Tenho medo. É agora que me apaixono.



28.8.13

Tudo muito



Tu és tudo muito.

Tudo muito. Como assim tudo muito.

Tens de ser sempre muito. Queres muito ter sucesso. Queres muito realizar esses sonhos. Dizes que gostas de mim, muito.

E gosto. Não consigo ser pela metade, ou é ou não é. Se é para ser, então que seja muito. Se é para viver, então que se viva muito. Se é para amar, então que se ame muito.

Tenho medo desse teu muito, pode consumir-se e sumir-se. E amanhã já não me queres como eu te quero.

Serei muito para ti, enquanto o meu coração for muito por ti. Sou fiel a ele. É ele que manda. Está nas tuas mãos, se cuidares dele, ele será sempre muito por ti.

Nas minhas mãos.

Sim, tens o meu coração nas mãos, por isso cuida dele.

Tu dizes coisas...

Que coisas.

Coisas, palavras que batem cá dentro com força... muita.

26.8.13

Pandora



Tens noção que estas a abrir uma caixa de Pandora.

Não faço planos.

Nãos fazes planos, como é que eu fico no meio disto tudo. Estou demasiado vulnerável.

Estou a aproveitar-me de ti não é. 

Não me arrastes para os teus problemas, não quero confusões, nem quero magoar ninguém, não é justo.

Pois é, mas podemos ser amigos na mesma, não podemos.

Não sei. As caixas de Pandora são perigosas, mesmo quando se mantêm fechadas...

Quero essa caixa, mesmo fechada, quero-a, quero correr o risco... Só temos esta vida, não há mais nenhuma para vivermos.

Talvez, mas podemos viver muitas vidas nesta mesma. Não temos escolha se não escolhermos abrir ou deixa-lá fechada.

Então quero abri-la. 



Six word story

Tempestade, alto mar, perdido. Coração apaixonado.

25.8.13

São loucas




Quero-te ver.

Não. Não é justo.

Mas eu sinto tanto a tua falta.

Não. Não podes voltar a ver-me. Já te foste. Quando partiste na caravela, as velhas da praia disseram que não voltavas, e eu dessa vez acreditei. Depois de tantas partidas, acreditei que não voltarias, já não as chamei de loucas. 

Então vamos.

Não vamos. Como podes voltar agora ao fim de tantos anos, eu continuei com a minha vida, e tu agora tens de continuar com a tua, volta para a tua família, não voltes para mim. Sim, eu sei que tens familia, em outro porto, em outro mar. As velhas sabiam, elas diziam-me para não te esperar.

Menina, os marinheiros têm sempre outras vidas, e outros mares, não se deixam ancorar. Mas eu não queria acreditar e dizia-lhes que eram loucas.

Mas agora sei, a louca era eu...

24.8.13

Vamos à Bruxa




Já se vê a obra prima a ganhar forma, o trabalho árduo se mantém firme. E tu, desesperado continuas, escravo, a trabalhar contínuamente para que essa prima obra, se conclua.

Para trás e para a frente, para a frente e para trás.

Oh filha, olha que é um trabalho duro, e ele fa-lo bem. O pobre coitado não pára.

Pois não, mas não seria má ideia pedir um trabalhinho á bruxa Constantina, ela ajudava a terminar isto de uma vez por todas.

Sim, pois é, vamos marcar uma consulta com ela, que de certeza que ela arrnja já já uma solução.

Vamos, eu vou ligar-lhe e marco. Vamos à bruxa.

Sim, vamos à bruxa Constantina.

21.8.13

Não as quero




Há dias que não aguento, e preciso de te ver.
Mesmo que apenas nos oceanos das minhas lembranças.

17.8.13

O medo




Sabes que o medo das sombras te pode matar. Sim, pode. O medo das sombras e o medo do medo. Não há nada que mate com mais força que o medo, do medo.

E tu deixas-te ir nessa negrura, espelhando nos teus olhos o desespero de quem não sabe muito bem por onde vai, que apenas segue por onde te apontam que tens de ir.

E fazes, fazes para que te sintas vivo, para que sintas que é nesta vida que estás, para que não sejas o morto andante que és, para que não te sintas sujo e pesado como tens sido.

E a inveja, oh menino, então a inveja é das piores coisinhas. Uma pessoa sai à rua e já não sabe se volta para casa com um carregamento de inveja, ou de mau olhado, sim que esse às vezes também carrega forte, mas queima-se um bocadinho de olho gordo e a coisa fica limpinha.

Pois, pois é, ninguém te entende não é, e pensas que és doido varrido, tu próprio já não te acreditas, já nem sabes se isto tudo não será um sonho, apenas isso.

Está mais para pesadelo que para sonho, pensas tu tantas e tantas vezes antes de fechares os olhos para dormir. Dormir, coisa que já não sabes muito bem se realmente é possível de acontecer outra vez na tua vida.

E pedes, desesperadamente pedes, Que os meus olhos se fechem e não se abram mais, que esta loucura termine agora, neste instante.

Mas não termina, e voltas a mais um dia, fantoche nas mãos das bruxas, desvairadas bruxas que te usam como aparelho de operação em campo, e continuas, sempre assim, marioneta nas mãos delas, as bruxas.

15.8.13

Vidas



Ja vivi tantas vidas, de quantas e todas contidas numa só. E é nesta, é sempre nesta que te encontro, que te vou encontrar de novo. É nesta que o amor não morre, que nunca morre.

Ja vivemos tantas vidas, e no entanto todas elas contidas só em nós. Isto. É isto que temos, é o que somos, é o que nos faz, e chega-nos, somos bons assim, fazemos bem assim.

Passam-se todas, todas elas, as vidas, se passam. E nós acabamos sempre ancorados no mesmo porto. Partimos e vamos mundo fora, mas no regresso, somos sempre o abrigo um do outro, 'no matter what', e a eternidade é nossa.

14.8.13

Não me sais




Não me sais. Por mais que tente, por mais que me esforce, não há modo de te tirar.

Na minha cabeça imagens, momentos, que não quero lembrar, mas que não quero esquecer.

Não me sais, não me sais, não me sais... E estes dias passam espessos, pesados na falta que me fazes, neste peito apertado que ficou.

E agora, que faço eu agora, como mastigo esta saudade, como faço para respirar limpo, como faço, como saio de dentro dos teus olhos.

E agora, como consigo voltar a mim, normalizar esta batida, está nas tuas mãos, sim, foste-te e levaste o meu coração nas tuas mãos...



Repetições




Sabes que a natureza do luar me traz a calma desenfreada das madrugadas ardentes. Aquelas em que sempre te encontro, do outro lado da janela.

Gosto de te olhar assim debruçada no parapeito, como quem vê quem passa. Só que não passa, nada passa a esta hora, e em qualquer hora de todas as madrugadas que conheceste.

Mas gosto de te ver assim, já te disse não já, pois já, gosto de me repetir, de te repetir mais precisamente, com esse ar de quem não quer saber de nada, de quem se está nas tintas.

E aprecio-te. Deste lado que ninguém me vê, sou invizivel para ti, e gosto de o ser assim, porque gosto de ti assim.

Eu sei, eu sei, já me estou a repetir outra vez, mas gosto, cada vez que repito é como cada vez que me venho, até ao encontro dessa mulher descontraída, que todas as noites aparece naquela janela, sob a madrugada, sob o luar.





8.8.13

Apenas isso



Contigo foi sempre apenas isso, sexo. Puro e duro, carnal, animal.
Quando nos apetece, sempre que estamos para aí virados, eu vou-te buscar, àquele lugar de sempre, onde me esperas perfumada e de sorriso no rosto, com esse batom vermelho ardente, com aquela mini saia que me deixa louco só de me lembrar.
Abres a porta do carro com a naturalidade que sempre te acompanha e dizes, Vamos.
E vamos, eu ansioso por te ter, tu naturalmente calma, com aquele sorriso malandro, entre o fumo de um cigarro que acendes enquanto me olhas de lado com um ar provocante.
No quarto tu olhas-me em silencio, enquanto te desejo mais e mais a cada segundo que passa.
É então que dizes, Fode-me.
E apenas isso nos basta. Naquele instante nada mais existe, somos apenas dois animais, embriagados de prazer, até não haver mais gota de suor, até não haver mais fôlego que respirar.
Duas bestas, numa sintonia bruta desenfreada, até não haver mais, nada mais.
Silêncio.

E apenas isso nos basta.