26.9.13
Espera
Disseste que vinhas, disseste que vinhas e eu esperei. Esperei até deixar de sentir o meu corpo, até sentir apenas esta tua espera, desesperada espera, angustiada espera, que me dói como que se morresses a cada segundo que te continuo a esperar.
Na porta não soam as tuas mãos lá a bater, na campaínha não toca a tua chegada. E eu espero, continuo à tua espera até não ser nada, até me transformar em pó.
Não sou nada, nem ninguém me falará, até que tu chegues e termines com esta tortura de te esperar.
Cada segundo que toca, é um segundo mais apertado para o meu peito, é menos um segundo de respiração profunda, que sem ela, a respiração, não sou nada.
Ou seja, não sou nada sem te poder respirar.
E esta espera mata-me, e eu ficarei à tua espera até que o tempo acabe, e se canse de me esperar que me canse desta tua não vinda.
Morrerei quando esse tempo acabar, e não houver mais horas, não houver mais nada que me sustente, e que me diga que afinal não vais voltar.
Six Word Story
Desire, desire, desire. Bodies, bed, explosion.
25.9.13
Memórias
"Cuida bem de ti e da tua vida, não olhes para trás, e nunca te arrependas de nada."
A cara já estava inundada há muito tempo, mesmo antes de ter aberto novamente aquela carta, ela já chorava deseperada, era a terceira vez que lia aquelas palavras, e de cada vez que os seus olhos a percorriam era como se ela estivesse ao lado dela a falar-lhe.
Como é que me pôde escapar, as irmãs esconderam-me mas eu sabia de tudo, como é que me pôde escapar...
Não se conseguia conter, as imagens do que tinha acontecido vinham à sua mente vezes sem conta, e ela soluçava...
trrrr.....trrrrrr.... a campainha da porta tocou. Eda limpou o rosto o melhor que conseguiu, olhou no espelho e torceu o nariz ao ver os olhos inchados do outro lado, colocou uns óculos de sol para disfarçar, desceu as escadas.
Xavier.
Olá querida. Eda! Fofa, não me digas que te esqueceste de mim, pelo aspeto das tuas roupas parece que não vamos fazer nada mesmo, não é sua preguiçosa.
Eda esboçou um sorriso meio forçado.
Entra Xavier, hoje não estou com disposição, preciso de te contar umas coisas.
Olha lá, só agora é que reparei, se não vamos sair para que é que são esses óculos de sol.
Ela tirou os oculos e no mesmo instante ouviu-se um gritinho de horror.
Valha-me deus mulher, o que é que aconteceu para estares com esses olhos inchados dessa maneira. Quem foi o estúpido. Diz-me que eu parto-lhe as trombas.
Não é nada disso. Até preferia que fosse... tenho muitas coisas para te contar Xavier...
Ai, estás a deixar-me nervoso. O que é que se passa.
Vamos subir, preciso de desabafar. Já ficas a saber.
Claro querida, conta-me tudo. Já sabes que estou aqui do teu lado para o que der e vier.
Subiram as escadas, foram para o sofá da sala. O sol batia pela janela e reflectia-se por toda a divisão, deixando um tom dourado no ar, ficava tudo com um ar ainda mais confortável.
Senta-te, vou só buscar uma coisa.
Quando voltou trazia um papel na mão, era a carta. Sentou-se a tremer, tremia porque ia falar pela primeira vez sobre tudo o que tinha acontecido.
Ai, vá lá filha, abre essa matraca, estás a deixar-me morto de curiosidade para saber o que é que se passa.
Os olhos de Eda, voltaram a marejar.
Oh Eda, respira fundo querida, temos muito tempo, desculpa, começas quando estiveres preparada.
Ela respirou fundo enquanto pensava, Tenho de falar, tenho de deitar isto tudo para fora.
Xavier.
Sim.
Eu lembrei-me. De tudo.
Sentir
Os teus olhos.
E naquele instante não vi mais nada, não ouvi mais nada, não respirei mais nada.
Quero vê-los outra vez, poder deixar que mergulhes com eles, neles. Deixar que me faças sentir mais completo. Não fazem de mim mais homem não, mas sabem bem onde mergulhar, em que jardim entrar, que espaço preencher.
Tu...
Sabes, nunca fui muito bom com as palavras, mas gosto tanto de te escrever, de te sentir na ponta dos dedos, e de escrever o teu corpo neles, de te estudar até ficar saturado de ti. Mas sabes, não fico. Não me saturas, nem que ficasses nas minhas mãos por toda a eternidade.
Ainda te sinto nelas, todas as tuas curvas, a suavidade da tua pele, o quente do teu corpo, os teus lábios molhados sobre os meus dedos...
Ainta te sinto nelas, e no resto de todo o meu corpo, como se de uma segunda pele te tratasses, como se de uma primeira pele para ser mais realista. Porque não me sais. Entranhaste-te em todos os meus poros.
Acordo todos os dias com o teu cheiro, sim, ainda sinto o teu cheiro. Ele fica sabes, o teu cheiro fica. Entranhou-se tanto como tu, toda tu.
Vou sentir-te sempre, como agora. Vou-te sentir nas minhas mãos até que elas te toquem novamente, e vou sentir-te outra vez, até deixarmos de ser gente.
23.9.13
Six Word Story
See inside you, Warm feeling resides.
Segundo de Eternidade
Não sabia que seria assim, que arrancarias de mim esta noite, esta negrura que me abraça desde sempre.
Ás vezes dizias que a vida dura um segundo de eternidade, que sentias isso nos meus braços.
Eu também te sentia assim. Mas agora atravesso o deserto. Sem que nenhum oásis de ti me apareça.
Os teus olhos não me saem, não me sai da cabeça aquele dia em que os vi pela primeira vez. Nem o dia em que os senti dentro de mim pela primeira vez.
Bruxa, és uma bruxa que me enfeitiçou. Lançaste-me um feitiço tão forte que não passará nunca mais. Serei para sempre teu. Sempre teu, naquele segundo de eternidade que dura a vida, que durou o nosso amor.
Um segundo de eternidade que mudou o meu mundo para sempre. Eu faço parte de ti agora, e tu de mim.
Foste embora, mas eu continuo a sentir-te mergulhada nos meus olhos. E continuo a sentir aquele aperto no peito, que agora, só passa quando à noite adormeço e te visito nos meus sonhos. Quando à noite me deito e viajo no tempo, para aquele segundo que nos fez tudo, que mudou tudo...
Aquele segundo em que fomos o fogo mais ardente de todos os fogos, em que nos consumimos e deixamos de ser dois.
Naquele segundo, em que fui o melhor de ti e tu de o melhor de mim.
Naquele segundo em que não existiu mais nada além de nós.
20.9.13
De manhã
Eda saiu à rua, e o cheiro de pão quente invadiu-lhe as narinas, respirou fundo e deixou que a saliva lhe inundasse a boca. Era uma manhã ensolarada, daquelas manhãs mornas de luz e de som. As peixeiras da ribeira já se ouviam lá ao fundo ao pé do rio. Desceu a rua até à padaria da Dona Jacinta.
Bom dia menina, o mesmo de sempre.
Sim Dona Jacinta, o mesmo, obrigada.
Andou desaparecida, já andavamos a comentar o que é que se teria passado, a menina avisa sempre quando vai de férias.
É verdade, desta vez foi um bocado à pressa, não tive quase tempo para fazer as malas.
Ah, pois. A Jucefina não se calou estes dias todos a dizer que já a tinham raptado. Esta Jucefina e as histórias é com ela, a menina já sabe que ela é uma língua comprida, aquela dali não diz uma frase sem acrescentar alguma coisa. Mas como eu não engravido pelos ouvidos não acreditei nela, e o certo é que a menina está aqui, normalzinha como sempre.
Eda sorriu levemente, pagou o pão, e saiu. Na verdade, não tinha ido de férias, a sua estadia no hospital tinha durado mais do que esperava, mas não queria contar pormenores, que a coscuvelhice era o mote do dia, e ela não estava para aí virada, nem tanto nem tão pouco.
Eda, porque é que fizeste aquilo.
Não sei, não me lembro bem do que aconteceu.
Não te lembras, tu tentaste afogar-te rapariga. No meio da noite, com um mar bravo, e tu enfiaste-te por lá dentro. Ainda bateste contra as rochas. A tua sorte foi teres sido cuspida para a praia. Foste encontrada por um pescador, que te ajudou.
Sim, tenho uma vaga ideia.
Marejaram-lhe os olhos e ainda quase não tinha chegado a casa. Meteu as chaves na porta e entrou, já não via nada a não ser um mar na sua frente, e sentia a cara regada de lágrimas. Pousou o pão na mesa da sala, e foi buscar a carta.
A carta.
18.9.13
Amor Pecado
“Fomos o amor proibido e nem assim deixámos de ser o amor sagrado,
só o nosso amor limpa o pecado,
só um amor assim é sagrado,
amei-te como se não houvesse pecado.” - Pedro Chagas Freitas
16.9.13
Mentiras

Em meu nome ficam cegas as tuas mãos.
Meu corpo reconhece-se nos recantos do teu olhar, e a frieza dos encontros às escondidas esfuma-se...
Mentiras... Tantas...
Que de tantas e tantas vezes me olhaste sem me veres, que de tantas e tantas vezes teus olhos se foram para os dela, sem a procurares...
Mentiras.. Tantas..
Por vezes as mentiras são o único pecado possível para atingir a salvação.
Isso pensavas tu...
9.9.13
5.9.13
It's a long way
"It's a long way to the top if you wanna rock n' roll"
Adoro esta música. É demais.
Eu também, e o tipo sabe dar espectaculo.
Este publico é escandaloso. Do melhor que há. Fiquem bem, e até uma próxima.
Eda, queres ir para outro lugar, o concerto já terminou.
Sim, vamos.
Beba lá a água menina, você deve ter andado na água, tem a roupa toda tesa. Lembra-se do que aconteceu.
Muito mal...
"It's a long way.."
Lembro-me de uma música, estava a ver um concerto. O vocalista não parava de dizer que éramos um publico escandaloso... e..
E. Não se lembra de mais nada, bebeu muito estou a ver. Ai, esta juventude está perdida Senhor.
Bebi um pouco, mas não estava bêbeda.
Eda... não te metas na água, está muito escuro, é perigoso. Eda.
Lembro-me de entrar no mar, estava a saber-me bem. Depois disso é tudo muito vago..
A menina estava a tentar matar-se.
Não. Acho que não...
Então porque é que entrou no mar, não tem estado muito calmo nos últimos dias, e ontém à noite estava bastante picado...
Eda. Edaaaa. Não faças iss... CUIDADO.
4.9.13
3.9.13
Six Word Story
Eyes, touch, breathing. Mortal moment, gone.
2.9.13
Olhos como cigarros
Olhos que queimam como cigarros
São esse olhos que me levam para outro lado
Queimam-me por dentro
Consomem-me e fazem-me querer mais
Mais de ti, que de ti nunca é demais
30.8.13
Do outro lado
Era estranho ser feliz, naquele momento ela não sabia muito bem como estar ou sentir. Foram tantos anos de sofrimento, que se habituara àquela dor insuportável, que se tornou quase que uma amiga inseparável.
Era estranho ver o ser que ali estava a nascer, naquele momento, naquele precioso momento, uma criança chegava, mundo aberto de braços, e o choro que evidenciava a sua chegada.
Bem vinda de volta minha querida. Finalmente, voltamos a encontrar-nos. Dizia-lhe a mãe de lágrimas no rosto, enquanto ela as olhava, feliz, imensamente feliz, e era estranho.
Não sabia se lhes tocava, ou se apenas as olhava, era tanta a luz, o som dos anjos em louvor à nova vida, que nem sabia muito bem como reagia áquele acontecimento.
Sabia que estava completa, a sua missão de entregar aquela criança tinha chegado a bom porto, e alí estava o resultado na sua frente.
Obrigada Senhor. Toda vida foi este o meu sonho, e agora posso partir em paz, leva-me agora e eu poderei cristalizar a felicidade deste momento.
Ela olhou-a uma última vez, sorriu, limpou as lágrima e disse, Sê feliz minha querida, terás quem cuide de ti, a minha missão continuará do outro lado.
Fechou os olhos e parou de ouvir o choro. Quando os abriu ela já estava à sua espera do outro lado, com uma multidão de luz em sintonía, também de braços abertos.
Bem vinda minha filha. Temos muito trabalho para fazer. Vamos.
Escandaloso
O sol bateu forte na sua pele, e ela sentiu-a a esticar-se, quase a estalar com o calor, ao mesmo tempo que acordava. O que se passa... onde é que... como é que... A sua cabeça, as dores de cabeça eram absurdas, não sabia como é que tinha ido ali parar, e tinha uma dor de cabeça terrível.
Escandaloso. É escandaloso. Aquela palavra não parava de se repetir. Escandaloso. E era dito numa voz masculina, quase que a gritar.
De repente sentiu os pés ficarem molhados, a água era fria, arrepiou-se. Tentou levantar-se, sentiu areia nas mãos, e foi nesse momento que começou a ouvir o som das ondas, Estranho, não entendo... mas como é que raio...
A menina sente-se bem, precisa de ajuda, quer que vá buscar um copo de água, deve ter adormecido ao sol...
Ela olhava o homem com ar assustado, não estava a entender o que se estava a passar.
Vá venha para a sombra.
No mesmo tempo em que se mexeu para se levantar todo o seu corpo gritou de dor, e da sua boca saiu um pequeno gemido, a dor era especialemente intensa numa perna, olhou e viu que tinha uma nódoa negra, e um golpe.
O pescador voltou com um copo de água na mão e deu-lho. A menina está magoada.
Escandaloso. Este é o publico mais escandaloso que já conheci. Quero ouvir toda gente a curtir.
Eda, queres ir para outro lugar, o concerto já terminou.
Sim vamos.
A menina está bem, parece que ficou assim meia esquisita.
29.8.13
O depois
Isto o quê.
Isto, o depois. Essa tua luz, depois do depois. Os teus olhos nos meus. É agora que estremeço por dentro. É neste momento que sou inteiro, teu.
Não tenhas medo. Não é preciso.
Nem sei se gosto mais do antes ou do depois..
Depois...
Tenho medo. É agora que me apaixono.
28.8.13
Tudo muito
Tudo muito. Como assim tudo muito.
Tens de ser sempre muito. Queres muito ter sucesso. Queres muito realizar esses sonhos. Dizes que gostas de mim, muito.
E gosto. Não consigo ser pela metade, ou é ou não é. Se é para ser, então que seja muito. Se é para viver, então que se viva muito. Se é para amar, então que se ame muito.
Tenho medo desse teu muito, pode consumir-se e sumir-se. E amanhã já não me queres como eu te quero.
Serei muito para ti, enquanto o meu coração for muito por ti. Sou fiel a ele. É ele que manda. Está nas tuas mãos, se cuidares dele, ele será sempre muito por ti.
Nas minhas mãos.
Sim, tens o meu coração nas mãos, por isso cuida dele.
Tu dizes coisas...
Que coisas.
Coisas, palavras que batem cá dentro com força... muita.
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