Impludo
Expludo
Procuro
Rebusco
Já perdida
Vazia
De tudo
Onde está
Onde encontrei
Onde procurei
Quando farei
Tudo de novo
Quando
Impludo
Expludo
Procuro
Rebusco
Já perdida
Vazia
De tudo
Onde está
Onde encontrei
Onde procurei
Quando farei
Tudo de novo
Quando
Se a poesia reflecte
a alma do poeta,
que reflexo será o meu
Será esse reflexo
o verdadeiro,
ou apenas a consequência
das palavras escorridas, perdidas.
Será o reflexo que procuro,
ou aquele que expurgo,
aquele que se torna no meu exorcismo.
Será o reflexo
do pensamento ou do sonho,
será ele verdadeiro
ou apenas uma miragem…
photo by Sara Sa
Há tantas coisas em terra
Há tantas coisas no mar
E as minhas onde ficam
em que lugar
Para que lado vou remar
Quando
Para que busca vou olhar
Como
Para que sentido me dirijo
entretanto
Para que passos guardo energia
Não sigo para além
e busco lugar nenhum
aquele em que me encontro
naquele em que te vejo
Sigo sempre sem saber
e agora
Sigo sempre sem entender
E por ora
quais e quantos mais
terei de ver
Quantas almas mais
perdidas
Quantas tristezas mais
terei eu que mastigar
Engolir
Digerir
Quantos caminhos mais
terei eu
Quantas buscas, quais
perdidas em si
por elas mesmas
Caminho redondo
enfrenta-me
Caminho fechado
Vou para lugar nenhum
para lá te encontrar
uma vez mais…
É inevitável que caia no nosso colo,
é inevitável que a recebamos
nas profundezas do nosso ser
e a encarnemos…
É inevitável…
E a fome, essa
fica noutra dimensão
é outra
O buraco negro
O peso
O obscuro incontornável
que envolve
a luta desenfreada para entender
… a dor…
E a esperança
que esta desapareça um dia
é inevitável
não desaparece
apenas vai e vem
num pulsar arritmado
sem ponto
nem condução
é a dor
que transforma
que cria
é a dor
a nossa cruz
..o nosso caminho..
A dor…
…essa.. dor..
… essa… que não desaparece…
… nunca…
Sometimes i feel nothing at all
Não há sono que se apraie
Não há sono que se apresente
Apenas esta cama
ensopada de silêncio
Que me afoga em pensamentos
e me deixa envolvida
nesta noite interminável
Volta
Reviravolta
Não há modo de desaparecer
Vai-te embora insónia maldita
não quero a tua companhia
Mas ela não vai…
Chata!!
Arre!
Que arrepia de tanta teimosia
que quereria mais
se não que uma noite bem dormida
Ai a minha vida!
A minha noite...
E o meu dia que se aproxima
e que de noite trará tudo
Até o sono
que me foge quando o sol se esconde
e que se deixa ficar até que a insónia se canse
Trrriiimmm..
Toca o despertador
e parece que ainda agora me deitei
A cama…
Continua ensopada
Os lençóis..
Continuam pensativos
murmurantes
Mas o sol já voltou
e mais um dia caminha
com este jogo de esconde esconde
que todos os dia
me obriga a brincar
Esta insónia insípida
que se multiplica
em mil pedaços
e em mil torturas
Que em mil noites
e mais umas quantas
me vem atormentar
Esta insónia...
Sem dono...
Sem noite…
Nem dia…
photo by Anaas
Now I know
Now I feel like it is…
Now I know how it is
I see it
I feel it
I smell it…
photo by Paulo César
I wonder why
I think so
I believe is a dream
a bad one
I believe it’s close to be finished
Or is this just the beginning
I wonder
How much
How many
For how long
Don’t know
how nor why
Just feel it
inside
Burning
Breeding
Screaming
So loud
So strong
My hands are on fire
It burns
it is so intense
My heart beats so fast
that I can’t even
understand
What I feel is so deep
and black
So heavy
I will make it disappear
I’ll promise you
You will see it vanishing
in fog
And the light will come
True light
White and peaceful
And sadness and envy
will no longer exist
I know it
photo by Pedro Pinto
Vamos
Vamos lutar
Por aquilo que interessa
Vamos
Fazer uma revolução
Que para este país há pressa
Vamos mudar
Não fiquemos
Parados
Limitados
A lamuriar
Façamos algo
Mas então porque
Choram
Se não levantam
As mãos e lutam
Lutem
Mudem
Vamos
Vamos mudar
O que esta mal
E gritemos LIBERDADE!
Novamente com o coração
quais anjos sereis vós,
Se a luz dos teus olhos falasse!
Ela olhou e ele ficou
ela disse e ele chorou
Ficaram os dois
enrolados...
amarrados naquele
momento solene
Viram-se
Sentiram-se
Uma e outra vez
Repetiram
Tocaram-se e
amaram-se eternamente
E naqueles minutos intermináveis
de presente inalcansável
E contudo tão deles mesmos
que tal sentimento nunca
mais conheceu fim
...eternamente pedra,
pedra parada,
pedra perdida,
aturdida pela vida!
Parada eternamente,
segura,
pendurada no
tempo,
parada no tempo que corre,
e escorre da vontade
de continuar a ser,
de continuar,
sem nunca morrer...
As horas passam
o tempo é mudo
O momento estanca no silêncio,
ensurdecedor silêncio
E pára-se
E fica-se
E morre-se
E nascesse-se
Com certeza voltará
aquela hora interminável
de saudade estonteante
Concerteza chegará
aquela hora fulminante
de sentimento inacabado
Para que os amantes
se amem e se sintam
por dentro e por fora
Sempre sem pensar
no segundo seguinte
na tristeza do acabar
Sempre prontos
os dois
para se verem
e olharem
a alma do outro
dentro desta bolha
clara e frágil
Dentro deste corpo
sujo, imundo de insanidade...
Para lá do teu ser
vejo a tua alma andante...
caminhante...
Num tempo que não existe,
num momento só de eternidade
Realidade inventada,
num olhar de serenidade...
Realeza pura
de tranquilidade
E a esperança avança
sempre no mesmo olhar
com a certeza ardente
de nunca terminar
O que nos dá e o que nos deixa
O que temos e o que podemos fazer
Encantados nesta vontade ardente
de ter tudo e mais que tudo
Perder para voltar a ganhar
Conquistar, abraçar o mundo
e tê-lo só para nós
Querer mais e mais
sem conseguir saciar
esta fome de poder
Voltar a olhar
Voltar a querer
Ter tudo uma vez
e voltar a poder
controlar tudo ter com isso
prazer
Este que nos move
nesta insaciável vontade de infinito
E se a saudade pudesse falar...
quantos sentimentos amarrados
a si mesma traria...
quantas lágrimas cristalizadas,
quantos sorrisos saudosistas traria,
quantas lembranças,
de lembranças perdidas e encontradas
pelo poder de as querer de volta!