8.10.13

A Morte




E aquele corpo ali estendido, fazia-lhe confusão, não conseguia entender, ele estava ali e não estava.

Ela aproximou-se, sentiu-se zonza, não compreendia, Será isto a morte, pensava ela, Será que é isto que sentimos quando nos aproximamos da morte.

Olhou-lhe a cara, esticou o dedo indicador e com algum receio, meia a tremer, tocou-lhe na bochecha. Sentiu um arrepio longo por toda a coluna, mais tonturas, mas aguentou-se.

Uma lágrima caiu-lhe do rosto, apenas uma. Apenas uma gota de água salgada, era tudo o que tinha para lhe dar. Não havia mais ninguém ali para receber, para quê dar mais lágrimas.

Uma era suficiente, uma lágrima apenas, concentrando toda uma vida de memórias, de tempo, e de outras lágrimas.

Afastou-se.

A lágrima tinha caído na beira do caixão, e ela ficou ali a contemplar aquela micro poça de emoção. Não chorou mais. Deixou-lhe uma rosa, pousou-a no peito, do lado esquerdo, para ficar junto ao coração.

O teu corpo vai, mas tu ficas comigo.

E foi-se embora, saiu dali, daquela negrura, daquela nuvem que a todos envolvia. O ar era fresco, mas o sol aquecia a pele. Caminhou até encontrar um banco e sentou-se. Ficou a contemplar a paisagem que se estendia perante aquele momento. Respirou fundo e fechou os olhos.

Sentiu na sua mão, uma outra mão.

Eu sabia que ficavas.

Eu disse-te que não partia.

Amo-te.

Amo-te.

7.10.13

Nós



Hoje acordei triste.

Ainda te sinto agarrada a mim, colada em mim com esses grandes olhos penetrantes. 

Sabes, deixaste a fasquia muito alta. Vai ser difícil esquecer isto. Foi tão intenso, tão profundo. Não veio desta vida não, tenho a certeza que não, não pode ser só desta. Não pode...

Hunf...

Lembro-me dos teus cabelos no meu corpo, a tua respiração, enquanto de olhos fechados sonhavamos o nosso futuro.

Tu vias-te a viver comigo, tipo casados.

E tu olhavas-me com esse ar meio eufórico, meio assustada, como quem não sabe muito bem se é um sonho isto que nós temos.

E agora ainda o temos. Sim, temos, porque tu foste-te embora, mas ficaste. Deixaste a ponta daquela corda que estica, bem amarrada no meu peito. E agora, ela está tão esticada, que há dias em que quase sufoco, de tão difícil que se torna um simples inspirar.

Apertas-me por dentro. Apertas-me o coração. Queria-te dizer tantas coisas que não posso, não posso, ia-te magoar ainda mais. Mas sei que tu sabes, porque apesar de não o ter dito com a boca, tu leste-o nos meus olhos, naquele momento em que nada mais existia a não ser nós dois.

E tu sabes, este vai ser só teu. Por muitas mulheres que passem pela minha vida, ou apenas mais uma, tu serás sempre tu, e eu serei sempre teu.

Aquela rapariga de olhos penetrantes que me prendeu na sua teia. Que me enfeitiçou, qual bruxa desvairada, perdida, e que eu resgatei. Aquela rapariga que de quando em vez se transformava, era felina, uma fêmea felina, que me devorava, e que eu adorava.

Serás sempre tu, aquela que me trespassou de tal maneira, que nunca mais se fechará esta chaga, e que eu não deixarei fechar.

E um dia, quando já formos velhinhos, um dia em que quase já não nos lembrarmos da existência do outro. Nesse dia, um de nós irá morrer, e o outro irá dizer-lhe um até já, porque a nossa história nunca será 'coisa do passado', nós nunca seremos uma 'aventura do passado', porque nós não somos tempo, não temos passado, nem presente, nem futuro, somos nós, apenas, como sempre fomos.

Nós seremos sempre nós, mesmo que as nossas vidas não se voltem a cruzar. 

Tu estarás sempre em mim, e eu estarei sempre em ti.

Até que a eternidade nos separe.

Six Word Story

One little step. More road ahead.

4.10.13

Dias Antigos



Os dias vão-se passando, e ela não consegue esquecer. A vontade de voltar atrás e apagar tudo com borracha permanente, (sim, permanente como a tinta, mas ao contrário), é tanta que quase consegue viajar até lá para cumprir tão penosa missão.

A dor foi tão forte, a mentira tão grande, e aquela criatura que não tinha culpa, aquela pobre criatura que não imaginava se quer o tamanho da mentira que a cobria.

Foram dias luminosos para eles, mas que se transformaram em sombras depois. Como um fósforo, ardeu e ficou apenas carvão, e como o carvão, sujou tudo porque foi remexido.

Eda, estás bem. Estás aí com um olhar tão esquisito.

Estava a pensar numa história antiga.

Oh querida, ainda pensas nele.

Sim, apesar de tudo ainda penso nele. Não consigo Xavier, é mais forte que eu.

Eu sei meu amor, anda cá, eu dou-te um abraço e isso já passa, vá.

Ele abraçou-a com força. Mas não passou, foi ainda pior. A força daquele abraço, transportou-a para o abraço, aquele abraço em que tudo começou, aquele abraço que levou a mais abraços de respiração profunda, de alívio, de saudade.

Pobre coitada, e ela não sabia de nada, o que é que eu fui fazer Xavier, o que é que eu fui fazer.

Vá não te martirizes.

Abraçaram-se novamente, e Eda chorou até adormecer.

3.10.13

Escrevo-te



Há dias em que o tempo passa, e a noite vem mais cedo, antes do sol se por.
Há dias em que a claridade da luz fere a vista, e estamos melhor enrolados na nossa manta preta, no aconchego dos problemas, até que a noite volte.

Há dias em que escrever a tua história, é um reviver na tua pele, na nossa pele. E nesses dias, tudo parece irreal, a minha vida parece irreal, o meu mundo, os sorrisos. 

Nesses dias o tempo pára, e eu sou tu, sinto-te entranhada em mim, visto-te, e visto o resto de todas as pessoas que por ti passaram. Dás-me tanto e já cá não estás.

Obrigas-me a viver-te, a ver o que os teus olhos viram, a respirar o mesmo ar, a sentir as mesmas dores, a secar as mesmas lágrimas.

Não há maior honra que esta, a de te ter comigo sem cá estares, a de continuar a receber tanto de ti, mesmo sem saberes.

A minha fonte, a minha força.

...e porque é quando estou mais fraco, que sou mais forte.

2.10.13

No Way



There's no way
I'm going down
there's no way
I'll hit the ground
And the voices
tell me not to waist more time

there's no way i'm turning black
there's no way i'm coming back
to the land
of murderers and scars

You will see
My fire burning your
crime desires

There's no way
I'm going down
there's no way
I'll hit the ground

And you'll see me
raise again



1.10.13

Six Word Story

Cold body on the ground. Death.

O Beijo



Não me deixes no silêncio
o teu silêncio dói-me
Doem-me menos as tuas palavras
mesmo que seja para me dizeres coisas banais
mesmo para me dizeres que não me amas

dói menos
esta dor que já te falei

não me deixes no silêncio
beija-me antes
beija-me este beijo apaixonado
beija-me mil vezes
beija-me mil vezes infinito
que se não te posso ter
que pelo menos o teu beijo
se torne meu
e nunca mais se acabe

beija-me, beija-me meu amor
..e que eu te possa chamar de meu amor
mesmo não sendo meu
serás amor para mim

beija-me meu amor
beija-me e leva o meu coração
este que já aí mora
que já se aninhou no teu peito
na tua mão

beija-me até ser dia
e beija-me até que a noite volte
para que nela nos deixemos envolver
até que o tempo se acabe

beija-me
beija-me até não haver mais saliva
até perder o fôlego
beija-me enquanto doer
e depois beija-me de novo
beija-me outra vez
beija-me até morrer

e quando morrer
beija-me novamente
e sente os meus lábios frios
que já não sendo meus
serão apenas a memória do que fui
mesmo já não tendo lábios
levarei os teus nos meus
para qualquer outra vida
para onde vá
te encontrarei

30.9.13

Psycho Killer



Não te sobra nada, se não apenas tocares no seu corpo, ali deitado à tua espera. E no entanto não te mexes, ficas preso a essas asas que não voam, não te moves.

Não te resta mais nada a não ser observares o sangue que ensopa os lençóis. E no entanto tentas vesti-los, para te sentires na tua pele.

Não te resta nada, absolutamente mais nada. Nem os pedaços de carne que tocas horrorizado, e no entanto, com um estranho sentimento de satisfação.

Então é isto a morte, pensas tu. Então é assim que se fica depois de abandonarmos o nosso corpo. Carne, apenas carne, ensopada em sangue, carne, embrulhando ossos, partidos.

E que bem que te soube parti-los, parecia que estavas no jardim de diversões, nunca antes sentiste este prazer, nunca, antes eras apenas tu.

Mas agora, não resta mais nada a não seres mais do que apenas tu, és aquele que agora observas, de mãos envoltas num tom castanho avermelhado.

E ficas-te, apenas. Fascinado com o ser em que te tornaste.

Sei


sei que tudo em mim já foste
sei de que tudo em mim ficaste

 Já não sei mais que nada
reduzido tudo a nada

 sei que paramos o tempo
e que ficamos eternos
sei que ainda te tenho
mergulhado nos meus olhos

 este laço que estica
ainda cá está, ficou nó cego
e cego será

 até ao dia em que se fecharem os olhos
nesse dia deixará
e voltará a ver como nunca
o laço desfazer-se-á

nada mais permanecerá

28.9.13

There's something in the way she moves



Há de haver alguma coisa aí, tem de haver. Como é que me podes prender assim. Não me conheces, não te conheço e no entanto já me tens.

Tens-me porque te penso, dou comigo a lembrar-me de ti, do teu sorriso, da forma como me olhas, das palavras que já me disseste. Das conversas, das memórias que partilhamos, sim, não foram muitas, mas suficientes para me prenderes nesta ansiedade de te querer ver mais e mais.

Dou comigo a pensar-te, na vontade que estejas também tu a pensar-me, do mesmo modo. Dou comigo a sonhar-te, na esperança que a minha presença se faça sentir nos teus sonhos.

Não é nada de mais sabes, fascinas-me. É isso, fascinas-me. E nesta fascinação vais-me conquistando, enquanto procuro perceber porque é que me fascinas.

Mas sabes, o melhor de tudo é não saber porquê, é esta ansiedade, é este friozinho na barriga, o melhor de tudo é que me fascinas.

É isso, fascinas-me.




Duas palavras



Ela tremia, as lágrimas caíam como a água sai da torneira e Xavier estava aflito, nunca tinha visto a sua amiga naquele estado.

Depois do acidente ela tinha ficado com amnésia, já se tinha passado tanto tempo desde aquele dia, que as esperanças que ele tinha que ela se lembrasse do que acontecera tinham quase desaparecido.

Ele chorava com ela enquanto a tentava confortar. Ela só tinha dito duas palavras, duas palavras que o deixaram de garganta apertada, e de lágrimas no rosto, não conseguia imaginar a força de um sofrimento daquela dimensão.

Duas palavras, duas palavras que fizeram crescer nele um sentimento que nunca tinha experimentado antes, nem sabia muito bem o que estava a sentir, e ainda só tinha ouvido duas palavras.

Pobre coitada, pensava ele enquanto enchia um copo de água quase meio cheio de açúcar, Depois de tudo o que passou na vida, só me faltava mais esta. Eda, bebe a água querida, vai-te fazer bem, vai-te ajudar a acalmar.

Oh Xavier, como é que não me lembrei disto antes...

Vá lá, tem calma, é normal que não te lembrasses, tiveste um acidente, bateste com a cabeça, é normal que tenhas perdido a memória de alguns acontecimentos, principalmente acontecimentos antes do acidente...

Fui violada. Fui violada Xavier...

Aquelas palavras ecoaram por toda a casa como se fossem gás Sarin.

27.9.13

Eu arrisco, e tu?



Surpreendentemente encontro um caminho diferente de todos os outros, procuro entender o porquê deste me surgir assim, mas é difícil, prefiro então não entender mas procurar segui-lo da melhor forma, já que se mostra uma melhor alternativa a este onde caminho cansada de tudo e de todos.

Seguro nas mãos todos os meus medos, são escorregadios, teimam em escapar-se ao controlo dos meus dedos a todo momento, seguro-os com firmesa, e apesar da força com que se tentam libertar eu controlo-os.

Tenho na palma das mãos as esperanças de que este se torne numa melhor caminhada, 'Tu tens a força em ti!', sim, eu sei, tenho essa força tão valiosa, essa que me empurra para frente, tenho um pedacinho de luz, luz que me ilumina cada passo, que me mostra cada esquina da vida.

Posso não ir por ali, porque não manter-me neste caminho, que apesar de me deixar cansada é completamente previsível, aparentemente normal, igual a muitos outros. Sim, precisamente por ser previsível, precisamente por ser igual a todos os outros, é uma história da qual já quase que adivinho o seu desfecho, e não é isso que quero sentir.

Eu quero viver intensamente, não na calma de águas paradas, o mar é belo pelas suas ondas e tempestades, e eu preciso de senti-las, por isso escolho este caminho. Este do qual não adivinho nem metade do desfecho, do qual não sei se chego ao fim, mas este que me fará sentir na pele todos os segundos, todos os sentimentos, este que me fará sentir o valor da vida, e que realmente vale a pena viver por amor, este que me obrigará a ser lutadora, a procurar a sabedoria das horas, das batalhas, este que me fará uma guerreira, guerreira da paz, guerreira do amor, este que me fará auxiliadora dos mais fracos, que me mostrará o verdadeiro sentido da vida.

Qual caminho poderia eu seguir se não este. Ficar acomodada ao que tenho e não enriquecer o espírito por medo, por cobardia, não. Isso não. A evolução faz parte de nós, e eu quero evoluir, quero arriscar, mesmo com medo de poder cair, eu sei que tenho uma mão estendida para me voltar a levantar... Eu sei que tenho sempre uma companhia para me sustentar nas horas de maior dor, nas horas de maior dificuldade...

E tu, vais-te deixar ficar acomodado ou vais lutar pelo teu sonho, por aquilo que te faz sentir vivo.

Eu arrisco, e tu?

26.9.13

Tens o meu coração nas tuas mãos

Espera



Disseste que vinhas, disseste que vinhas e eu esperei. Esperei até deixar de sentir o meu corpo, até sentir apenas esta tua espera, desesperada espera, angustiada espera, que me dói como que se morresses a cada segundo que te continuo a esperar.

Na porta não soam as tuas mãos lá a bater, na campaínha não toca a tua chegada. E eu espero, continuo à tua espera até não ser nada, até me transformar em pó.

Não sou nada, nem ninguém me falará, até que tu chegues e termines com esta tortura de te esperar.

Cada segundo que toca, é um segundo mais apertado para o meu peito, é menos um segundo de respiração profunda, que sem ela, a respiração, não sou nada.

Ou seja, não sou nada sem te poder respirar.

E esta espera mata-me, e eu ficarei à tua espera até que o tempo acabe, e se canse de me esperar que me canse desta tua não vinda.

Morrerei quando esse tempo acabar, e não houver mais horas, não houver mais nada que me sustente, e que me diga que afinal não vais voltar.

Six Word Story


Desire, desire, desire. Bodies, bed, explosion.

25.9.13

Memórias



"Cuida bem de ti e da tua vida, não olhes para trás, e nunca te arrependas de nada."

A cara já estava inundada há muito tempo, mesmo antes de ter aberto novamente aquela carta, ela já chorava deseperada, era a terceira vez que lia aquelas palavras, e de cada vez que os seus olhos a percorriam era como se ela estivesse ao lado dela a falar-lhe.

Como é que me pôde escapar, as irmãs esconderam-me mas eu sabia de tudo, como é que me pôde escapar...

Não se conseguia conter, as imagens do que tinha acontecido vinham à sua mente vezes sem conta, e ela soluçava...

trrrr.....trrrrrr.... a campainha da porta tocou. Eda limpou o rosto o melhor que conseguiu, olhou no espelho e torceu o nariz ao ver os olhos inchados do outro lado, colocou uns óculos de sol para disfarçar, desceu as escadas. 

Xavier.

Olá querida. Eda! Fofa, não me digas que te esqueceste de mim, pelo aspeto das tuas roupas parece que não vamos fazer nada mesmo, não é sua preguiçosa.

Eda esboçou um sorriso meio forçado.

Entra Xavier, hoje não estou com disposição, preciso de te contar umas coisas.

Olha lá, só agora é que reparei, se não vamos sair para que é que são esses óculos de sol.

Ela tirou os oculos e no mesmo instante ouviu-se um gritinho de horror.

Valha-me deus mulher, o que é que aconteceu para estares com esses olhos inchados dessa maneira. Quem foi o estúpido. Diz-me que eu parto-lhe as trombas.

Não é nada disso. Até preferia que fosse... tenho muitas coisas para te contar Xavier...

Ai, estás a deixar-me nervoso. O que é que se passa.

Vamos subir, preciso de desabafar. Já ficas a saber.

Claro querida, conta-me tudo. Já sabes que estou aqui do teu lado para o que der e vier.

Subiram as escadas, foram para o sofá da sala. O sol batia pela janela e reflectia-se por toda a divisão, deixando um tom dourado no ar, ficava tudo com um ar ainda mais confortável.

Senta-te, vou só buscar uma coisa.

Quando voltou trazia um papel na mão, era a carta. Sentou-se a tremer, tremia porque ia falar pela primeira vez sobre tudo o que tinha acontecido.

Ai, vá lá filha, abre essa matraca, estás a deixar-me morto de curiosidade para saber o que é que se passa.

Os olhos de Eda, voltaram a marejar.

Oh Eda, respira fundo querida, temos muito tempo, desculpa, começas quando estiveres preparada.

Ela respirou fundo enquanto pensava, Tenho de falar, tenho de deitar isto tudo para fora.

Xavier.

Sim.

Eu lembrei-me. De tudo.

Sentir



Os teus olhos.

E naquele instante não vi mais nada, não ouvi mais nada, não respirei mais nada.

Quero vê-los outra vez, poder deixar que mergulhes com eles, neles. Deixar que me faças sentir mais completo. Não fazem de mim mais homem não, mas sabem bem onde mergulhar, em que jardim entrar, que espaço preencher. 

Tu...

Sabes, nunca fui muito bom com as palavras, mas gosto tanto de te escrever, de te sentir na ponta dos dedos, e de escrever o teu corpo neles, de te estudar até ficar saturado de ti. Mas sabes, não fico. Não me saturas, nem que ficasses nas minhas mãos por toda a eternidade.

Ainda te sinto nelas, todas as tuas curvas, a suavidade da tua pele, o quente do teu corpo, os teus lábios molhados sobre os meus dedos... 

Ainta te sinto nelas, e no resto de todo o meu corpo, como se de uma segunda pele te tratasses, como se de uma primeira pele para ser mais realista. Porque não me sais. Entranhaste-te em todos os meus poros.

Acordo todos os dias com o teu cheiro, sim, ainda sinto o teu cheiro. Ele fica sabes, o teu cheiro fica. Entranhou-se tanto como tu, toda tu.

Vou sentir-te sempre, como agora. Vou-te sentir nas minhas mãos até que elas te toquem novamente, e vou sentir-te outra vez, até deixarmos de ser gente.