10.12.13

18.11.13

Solidões




Olhos brilhantes, cabelos ao vento, nada mais importava.
Se os sonhos fossem todos assim, se a vida fosse toda assim, mas não, a vida é dura, tão dura que ás vezes nos sentimos como se tivéssemos ido contra o muro, ou ás vezes sentimos que somos também nós um muro.

Fechou-se como uma ostra ao primeiro toque, apertou-se em si, e não se mexeu mais, a ver se nada acontecia, estava já tão confortável dentro daquela casquinha, que qualquer tentativa, mesmo que bondosa, de qualquer proximidade a faziam retrair-se. Preferia estar sozinha, ficar sozinha, umas horas acompanhada eram o suficiente.

Tinha-se habituado à solidão do coração, era mais confortável assim, sofria menos assim. Aconchegava-se naquele manto, e deixava-se ficar na esperança de não ser perturbada.

Naquele dia, naquele dia tudo mudou, naquele dia a concha não teve a mesma força, naquele dia a solidão pareceu-lhe menos confortável, e os seus olhos brilharam.

Talvez um dia, pensou ela, talvez um dia eu consiga...

14.11.13

(Re)Começos




Tudo ja tinha sido previsto, ela já o tinha enfrentado. E não fora de agora não, já o tinha feito antes, continuava a fazê-lo, por ela, por todos, mas principalmente por ela, por si mesma, e pelo seu amor próprio.

Desejava um novo começo, apagar o que aconteceu seria a prioridade, E ele vai ter de se por nos eixos, rédea curta, rédea curta, que estes marinheiros gostam tanto de alto mar como de mocinhas ingénuas e frágeis. Sim, rédea curta, que o que é  meu é meu, e não será de mais ninguém.

Os olhos brilhavam, a brisa tocava-lhe o rosto, uma nova esperança renascia.

Sorte



Ama-me a verdade e não me deixes cair na morte, que dessa sorte todos teremos um dia.

18.10.13

Banalidades




A música tocava ao longe, e ele permanecia ancorado, olhando aquela rapariga sem entender o porquê nem como ela o prendia daquela forma tão particular.

Ela até nem é assim tão bonita, pensou. Mas aqueles olhos, há qualquer coisa nela, o que é que esta miuda tem.

Eda sorria, finalmente sorria abertamente, depois de tanto tempo fechada sobre si mesma. Estavam sentados na mesa do café, e conversavam animadamente sobre os planos que tinham para a noite do fim de semana que se aproximava.

Não era a primeira vez que a via naquele café, e desde o primeiro dia que se sentiu preso àquele bem estar. 

Tenho de arranjar maneira de meter conversa, tenho de descobrir quem é ela. Tenho a sensação que já a conheci em algum lugar.

Artur, então, estás bom pah. Dá cá um bacalhau.

Então, tudo bem, senta-te.

Já chegaste há muito, pah desculpa lá o atraso, é que vim de autocarro e apanhei muito trânsito.

Não, cheguei há uns dez minutos, mas já foi o suficiente para ficar preso àquela miuda ali, estás a ver, aquela morena sempre a rir-se, sentada com aqueles dois rapazes, já não é a primeira vez que a vejo aqui, e nunca está com namorado. A míuda tem cá uns olhos, já viste.

Eh, espera, eu conheço-a. Eda. Oh Eda. Então, ao tempo miúda, que é feito de ti que já não te vejo há tanto tempo. Olha, este é o Artur o meu amigo.

Prazer.

Igualmente.





11.10.13

Another Day



It was another day, another day as many had been. And she was reading for the third time of many, the same words that made her feel warm, and now make her feel so cold.

They were so happy, but only for a short period of time. The time that they never had, the time that they wished that never existed. The time of all the times, were they loved each other as if the world would end in the minute after.

Again she read all the words, one by one, each and every single word made echo inside her chest, and she bled again until nothing left but only words written on a piece of paper, like in the old times.

Now she's burning that letter, and with it burns all the pain that he left on her.

Nothing more matters now.

Tomorrow is another day.

Feelings



Some times feelings are just a point of view.

10.10.13

Roads



Temos longos caminhos a percorrer, o cheiro a terra molhada, e os pés descalços a sentir o chão.

E será que mais alguém vê, que esta guerra é nossa, e que temos de a atravessar sozinhos. Nela seremos nós, não haverá ninguém mais.

Atravessaremos mares, conquistaremos montanhas. Ninguém mais, apenas nós.

Sinto a tua dor, bem fundo no meu peito, porque a tua é igual à minha, e nela somos um.

E como nos sentimos agora, neste exacto momento. Sinto-te como és e como sou.

Comove-me como somos iguais, somos a mesma pessoa observando-se de ângulos diferentes.

Somos a mesma pessoa com duas perspectivas diferentes, olhando o mesmo ponto do universo.


Remédio



Que remédio haverá para curar esta doença.
Não me sairá este ácido que me corrói as entranhas.

E depois este barulho
ah!!! este barulho que não se aguenta
este silêncio que atormenta
Estas pegadas que não se apagam.
Estas velas que não se consomem.

E assim, esta cura que não tem doença
e esta doença que não tem cura,
 martirizam-me e destilam-me a alma.

E por cada gota dela que cai,
se vai juntando um pouco mais de mim
para te oferecer,
que me guardes enfrascado
e me deixes lá ficar até morrer.

8.10.13

A Morte




E aquele corpo ali estendido, fazia-lhe confusão, não conseguia entender, ele estava ali e não estava.

Ela aproximou-se, sentiu-se zonza, não compreendia, Será isto a morte, pensava ela, Será que é isto que sentimos quando nos aproximamos da morte.

Olhou-lhe a cara, esticou o dedo indicador e com algum receio, meia a tremer, tocou-lhe na bochecha. Sentiu um arrepio longo por toda a coluna, mais tonturas, mas aguentou-se.

Uma lágrima caiu-lhe do rosto, apenas uma. Apenas uma gota de água salgada, era tudo o que tinha para lhe dar. Não havia mais ninguém ali para receber, para quê dar mais lágrimas.

Uma era suficiente, uma lágrima apenas, concentrando toda uma vida de memórias, de tempo, e de outras lágrimas.

Afastou-se.

A lágrima tinha caído na beira do caixão, e ela ficou ali a contemplar aquela micro poça de emoção. Não chorou mais. Deixou-lhe uma rosa, pousou-a no peito, do lado esquerdo, para ficar junto ao coração.

O teu corpo vai, mas tu ficas comigo.

E foi-se embora, saiu dali, daquela negrura, daquela nuvem que a todos envolvia. O ar era fresco, mas o sol aquecia a pele. Caminhou até encontrar um banco e sentou-se. Ficou a contemplar a paisagem que se estendia perante aquele momento. Respirou fundo e fechou os olhos.

Sentiu na sua mão, uma outra mão.

Eu sabia que ficavas.

Eu disse-te que não partia.

Amo-te.

Amo-te.

7.10.13

Nós



Hoje acordei triste.

Ainda te sinto agarrada a mim, colada em mim com esses grandes olhos penetrantes. 

Sabes, deixaste a fasquia muito alta. Vai ser difícil esquecer isto. Foi tão intenso, tão profundo. Não veio desta vida não, tenho a certeza que não, não pode ser só desta. Não pode...

Hunf...

Lembro-me dos teus cabelos no meu corpo, a tua respiração, enquanto de olhos fechados sonhavamos o nosso futuro.

Tu vias-te a viver comigo, tipo casados.

E tu olhavas-me com esse ar meio eufórico, meio assustada, como quem não sabe muito bem se é um sonho isto que nós temos.

E agora ainda o temos. Sim, temos, porque tu foste-te embora, mas ficaste. Deixaste a ponta daquela corda que estica, bem amarrada no meu peito. E agora, ela está tão esticada, que há dias em que quase sufoco, de tão difícil que se torna um simples inspirar.

Apertas-me por dentro. Apertas-me o coração. Queria-te dizer tantas coisas que não posso, não posso, ia-te magoar ainda mais. Mas sei que tu sabes, porque apesar de não o ter dito com a boca, tu leste-o nos meus olhos, naquele momento em que nada mais existia a não ser nós dois.

E tu sabes, este vai ser só teu. Por muitas mulheres que passem pela minha vida, ou apenas mais uma, tu serás sempre tu, e eu serei sempre teu.

Aquela rapariga de olhos penetrantes que me prendeu na sua teia. Que me enfeitiçou, qual bruxa desvairada, perdida, e que eu resgatei. Aquela rapariga que de quando em vez se transformava, era felina, uma fêmea felina, que me devorava, e que eu adorava.

Serás sempre tu, aquela que me trespassou de tal maneira, que nunca mais se fechará esta chaga, e que eu não deixarei fechar.

E um dia, quando já formos velhinhos, um dia em que quase já não nos lembrarmos da existência do outro. Nesse dia, um de nós irá morrer, e o outro irá dizer-lhe um até já, porque a nossa história nunca será 'coisa do passado', nós nunca seremos uma 'aventura do passado', porque nós não somos tempo, não temos passado, nem presente, nem futuro, somos nós, apenas, como sempre fomos.

Nós seremos sempre nós, mesmo que as nossas vidas não se voltem a cruzar. 

Tu estarás sempre em mim, e eu estarei sempre em ti.

Até que a eternidade nos separe.

Six Word Story

One little step. More road ahead.

4.10.13

Dias Antigos



Os dias vão-se passando, e ela não consegue esquecer. A vontade de voltar atrás e apagar tudo com borracha permanente, (sim, permanente como a tinta, mas ao contrário), é tanta que quase consegue viajar até lá para cumprir tão penosa missão.

A dor foi tão forte, a mentira tão grande, e aquela criatura que não tinha culpa, aquela pobre criatura que não imaginava se quer o tamanho da mentira que a cobria.

Foram dias luminosos para eles, mas que se transformaram em sombras depois. Como um fósforo, ardeu e ficou apenas carvão, e como o carvão, sujou tudo porque foi remexido.

Eda, estás bem. Estás aí com um olhar tão esquisito.

Estava a pensar numa história antiga.

Oh querida, ainda pensas nele.

Sim, apesar de tudo ainda penso nele. Não consigo Xavier, é mais forte que eu.

Eu sei meu amor, anda cá, eu dou-te um abraço e isso já passa, vá.

Ele abraçou-a com força. Mas não passou, foi ainda pior. A força daquele abraço, transportou-a para o abraço, aquele abraço em que tudo começou, aquele abraço que levou a mais abraços de respiração profunda, de alívio, de saudade.

Pobre coitada, e ela não sabia de nada, o que é que eu fui fazer Xavier, o que é que eu fui fazer.

Vá não te martirizes.

Abraçaram-se novamente, e Eda chorou até adormecer.

3.10.13

Escrevo-te



Há dias em que o tempo passa, e a noite vem mais cedo, antes do sol se por.
Há dias em que a claridade da luz fere a vista, e estamos melhor enrolados na nossa manta preta, no aconchego dos problemas, até que a noite volte.

Há dias em que escrever a tua história, é um reviver na tua pele, na nossa pele. E nesses dias, tudo parece irreal, a minha vida parece irreal, o meu mundo, os sorrisos. 

Nesses dias o tempo pára, e eu sou tu, sinto-te entranhada em mim, visto-te, e visto o resto de todas as pessoas que por ti passaram. Dás-me tanto e já cá não estás.

Obrigas-me a viver-te, a ver o que os teus olhos viram, a respirar o mesmo ar, a sentir as mesmas dores, a secar as mesmas lágrimas.

Não há maior honra que esta, a de te ter comigo sem cá estares, a de continuar a receber tanto de ti, mesmo sem saberes.

A minha fonte, a minha força.

...e porque é quando estou mais fraco, que sou mais forte.

2.10.13

No Way



There's no way
I'm going down
there's no way
I'll hit the ground
And the voices
tell me not to waist more time

there's no way i'm turning black
there's no way i'm coming back
to the land
of murderers and scars

You will see
My fire burning your
crime desires

There's no way
I'm going down
there's no way
I'll hit the ground

And you'll see me
raise again



1.10.13

Six Word Story

Cold body on the ground. Death.

O Beijo



Não me deixes no silêncio
o teu silêncio dói-me
Doem-me menos as tuas palavras
mesmo que seja para me dizeres coisas banais
mesmo para me dizeres que não me amas

dói menos
esta dor que já te falei

não me deixes no silêncio
beija-me antes
beija-me este beijo apaixonado
beija-me mil vezes
beija-me mil vezes infinito
que se não te posso ter
que pelo menos o teu beijo
se torne meu
e nunca mais se acabe

beija-me, beija-me meu amor
..e que eu te possa chamar de meu amor
mesmo não sendo meu
serás amor para mim

beija-me meu amor
beija-me e leva o meu coração
este que já aí mora
que já se aninhou no teu peito
na tua mão

beija-me até ser dia
e beija-me até que a noite volte
para que nela nos deixemos envolver
até que o tempo se acabe

beija-me
beija-me até não haver mais saliva
até perder o fôlego
beija-me enquanto doer
e depois beija-me de novo
beija-me outra vez
beija-me até morrer

e quando morrer
beija-me novamente
e sente os meus lábios frios
que já não sendo meus
serão apenas a memória do que fui
mesmo já não tendo lábios
levarei os teus nos meus
para qualquer outra vida
para onde vá
te encontrarei

30.9.13

Psycho Killer



Não te sobra nada, se não apenas tocares no seu corpo, ali deitado à tua espera. E no entanto não te mexes, ficas preso a essas asas que não voam, não te moves.

Não te resta mais nada a não ser observares o sangue que ensopa os lençóis. E no entanto tentas vesti-los, para te sentires na tua pele.

Não te resta nada, absolutamente mais nada. Nem os pedaços de carne que tocas horrorizado, e no entanto, com um estranho sentimento de satisfação.

Então é isto a morte, pensas tu. Então é assim que se fica depois de abandonarmos o nosso corpo. Carne, apenas carne, ensopada em sangue, carne, embrulhando ossos, partidos.

E que bem que te soube parti-los, parecia que estavas no jardim de diversões, nunca antes sentiste este prazer, nunca, antes eras apenas tu.

Mas agora, não resta mais nada a não seres mais do que apenas tu, és aquele que agora observas, de mãos envoltas num tom castanho avermelhado.

E ficas-te, apenas. Fascinado com o ser em que te tornaste.