Não, isto não é um poema,
é apenas a minha ânsia de te sentir mais perto.
Talvez escrevendo-te te consiga trazer de volta.
A cama ainda estava desfeita,
o teu cheiro, ainda o sinto,
ficou agarrado aos cobertores.
No meu corpo ainda sinto o que ficou do teu toque,
do teu beijo,
da tua língua...
E escrevo-te,
escrevo-te para não enlouquecer de saudades.
Escrevo-te para chegar até ti pelas palavras.
Na esperança que elas te levem o vazio que ficou no meu peito,
e que o possas preencher com o meu coração,
sim o meu coração que levaste contigo,
quando te foste.
Ocupo-me de afazeres,
que por bem ou mal ainda são alguns,
e ajudam-me a passar esta espera de ti.
Mas desespero,
óh como desespero com este tique taque interminável
enquanto não chegas outra vez...
Eu sei, eu sei,
uma exagerada eu sei
Mas é como tu dizes,
quero muito, sim quero-te muito, a ti;
sinto muito,
sim, sinto muito a tua falta,
saudades,
tantas que elas são.
E onde estarás tu agora...onde estas tu e para onde me levaste?
Se esticar mais
Vai-se partir
Esta corda de aço
Vai-se partir
Se puxares mais
Eu vou morrer
Esta corda de aço
Vou morrer
Ainda me dóis no peito
Sinto quando me pensas
Fazes-me esta tortura
Deixas-me em ponto de loucura.
E vais como quem não sabe,
o que provoca esta saudade
Não a quero, não a quero!
Se esticar mais
Vai doer
Esta corda de aço
Vai doer
Se puxares mais
Eu vou desaparecer
Esta corda de aço
Vou desistir
Rebenta sempre a dor
e arde ainda esta chama
que te queima
no meu peito,
que atormenta os dias
que não passam
que me arrastam
Ferido ardor
nas nossas almas
as promessas de voltar.
E arde ainda esta chama
que te queima
no meu peito,
que atormenta os meus dias
que não passam
que me arrastam
Se esticar mais
Vai-se partir
Esta corda de aço
Vai-se partir
Se puxares mais
Eu vou morrer
Esta corda de aço
Vou morrer
Não vou ficar
Nem mais um minuto.
Estou de luto,
Estou de luto.
Era eu a convencer-te de que gostas de mim, Tu a convenceres-te de que não é bem assim. Era eu a mostrar-te o meu lado mais puro, Tu a argumentares os teus inevitáveis.
Eras tu a dançares em pleno dia, E eu encostado como quem não vê. Eras tu a falar p'ra esconder a saudade, E eu a esconder-me do que não se dizia.
Afinal... Quebramos os dois afinal. Quebramos os dois...
Desviando os olhos por sentir a verdade, Juravas a certeza da mentira, Mas sem queimar de mais, Sem querer extingir o que já se sabia.
Eu fugia do toque como do cheiro, Por saber que era o fim da roupa vestida, Que inventara no meio do escuro onde estava, Por ver o desespero na cor que trazias.
Afinal... Quebramos os dois afinal, Quebramos os dois afinal, Quebramos os dois afinal, Quebramos os dois...
Era eu a despir-te do que era pequeno, Tu a puxares-me para um lado mais perto, Onde se contam histórias que nos atam, Ao silêncio dos lábios que nos mata.
Eras tu a ficar por não saberes partir, E eu a rezar para que desaparecesses, Era eu a rezar para que ficasses, Tu a ficares enquanto saías.
Não nos tocamos enquanto saías, Não nos tocamos enquanto saímos, Não nos tocamos e vamos fugindo, Porque quebramos como crianças.
Afinal...
Quebramos os dois afinal, Quebramos os dois afinal, Quebramos os dois...
É quase pecado que se deixa. Quase pecado que se ignora.
"Todos os dias vou adormever aqui, a ouvir-te respirar. Todos os dias vou acordar aqui, a ouvir-te respirar. E a felicidade existe. Ouvir-te respirar é a prova de que a felicidade existe."
Existia sempre tão boa medida, como remédio, e os seus olhos procuravam-na, mesmo sem saber de onde nem de quando a encontraria.
Eram assim os seus dias: a procurar por ela, que sempre viria, mas que nunca chegava.
E por agora, soltava o grito mudo que nunca saía e o estrangulava a cada hora que passava.
Deixaste a fasquia muito alta, sabes. Como será agora que não te vou ter mais.
Será como sempre foi, um dia igual ao outro, e a todos os que já passaram, os que hão de vir, serão como os que já foram, sem mim.
O que não tem remédio, remediado está, pensava. Agora é continuar como sempre fui, e como sempre vou ser. Agora é continuar como sempre serei e continuarei. Não vou desistir de te procurar, nem que seja dentro das memórias, nem que seja dentro dos teus olhos que já não vejo. Vou continuar a procurar-te, e vou continuar a encontrar-te no ponto em que esta corda se esticou, neste ponto profundo do meu peito, que quase rasgado ainda te puxa.
Agarrou na corda e puxou-a com força, toda a que conhecia de si, dos seus braços fortes de marinheiro. O barco aproximou-se flutuando, entrou. Pegou nos remos e remou para longe, para onde ninguém o pudesse ver. Para onde pudesse sozinho e com ela, aprecisar aquele por do sol, o deles.
"Toi qui marches dans le vent Seul dans la trop grande ville Avec le cafard tranquille du passant Toi qu'elle a laissé tomber Pour courir vers d'autres lunes Pour courir d'autres fortunes, L'important...
L'Important C'Est La Rose L'Important C'Est La Rose L'Important C'Est La Rose Crois-moi
Toi qui cherches quelque argent Pour te boucler la semaine Dans la ville tu promènes ton ballant Cascadeur, soleil couchant Tu passes devant les banques Si tu n'es que saltimbanque, L'important...
Toi, petit, que tes parents Ont laissé seul sur la terre Petit oiseau sans lumière, sans printemps Dans ta veste de drap blanc Il fait froid comme en Bohême T'as le coeur comme en carême, Et pourtant...
Toi pour qui, donnant-donnant, J'ai chanté ces quelques lignes Comme pour te faire un signe en passant Dis à ton tour maintenant Que la vie n'a d'importance Que par une fleur qui danse Sur le temps... "
E a Loucura fez-se a si própria
Construiu-se e renasceu
Apoderou-se dela
Tomou-a por completo
Repleta de insanidade
No clarear da realidade
Tentou tomar novo corpo
Fez de mil formas a sua
Sugou a sensatez
E voltou a erguer-se
Sob a sua podre imponência
Fiquei colado na tua teia. Mexo-me e remexo-me, volto e reviravolto, e nada, não me liberto de ti. Montaste a teia e apanhaste-me distraído, e eu caí.
E agora, que faço.
Vou tecer uma teia também para te agarrar, e vou-te prender mais do que me prendeste a mim. Vou enrolar essa teia nesta que me prende e serás prisioneira comigo.