14.11.13

(Re)Começos




Tudo ja tinha sido previsto, ela já o tinha enfrentado. E não fora de agora não, já o tinha feito antes, continuava a fazê-lo, por ela, por todos, mas principalmente por ela, por si mesma, e pelo seu amor próprio.

Desejava um novo começo, apagar o que aconteceu seria a prioridade, E ele vai ter de se por nos eixos, rédea curta, rédea curta, que estes marinheiros gostam tanto de alto mar como de mocinhas ingénuas e frágeis. Sim, rédea curta, que o que é  meu é meu, e não será de mais ninguém.

Os olhos brilhavam, a brisa tocava-lhe o rosto, uma nova esperança renascia.

Sorte



Ama-me a verdade e não me deixes cair na morte, que dessa sorte todos teremos um dia.

18.10.13

Banalidades




A música tocava ao longe, e ele permanecia ancorado, olhando aquela rapariga sem entender o porquê nem como ela o prendia daquela forma tão particular.

Ela até nem é assim tão bonita, pensou. Mas aqueles olhos, há qualquer coisa nela, o que é que esta miuda tem.

Eda sorria, finalmente sorria abertamente, depois de tanto tempo fechada sobre si mesma. Estavam sentados na mesa do café, e conversavam animadamente sobre os planos que tinham para a noite do fim de semana que se aproximava.

Não era a primeira vez que a via naquele café, e desde o primeiro dia que se sentiu preso àquele bem estar. 

Tenho de arranjar maneira de meter conversa, tenho de descobrir quem é ela. Tenho a sensação que já a conheci em algum lugar.

Artur, então, estás bom pah. Dá cá um bacalhau.

Então, tudo bem, senta-te.

Já chegaste há muito, pah desculpa lá o atraso, é que vim de autocarro e apanhei muito trânsito.

Não, cheguei há uns dez minutos, mas já foi o suficiente para ficar preso àquela miuda ali, estás a ver, aquela morena sempre a rir-se, sentada com aqueles dois rapazes, já não é a primeira vez que a vejo aqui, e nunca está com namorado. A míuda tem cá uns olhos, já viste.

Eh, espera, eu conheço-a. Eda. Oh Eda. Então, ao tempo miúda, que é feito de ti que já não te vejo há tanto tempo. Olha, este é o Artur o meu amigo.

Prazer.

Igualmente.





11.10.13

Another Day



It was another day, another day as many had been. And she was reading for the third time of many, the same words that made her feel warm, and now make her feel so cold.

They were so happy, but only for a short period of time. The time that they never had, the time that they wished that never existed. The time of all the times, were they loved each other as if the world would end in the minute after.

Again she read all the words, one by one, each and every single word made echo inside her chest, and she bled again until nothing left but only words written on a piece of paper, like in the old times.

Now she's burning that letter, and with it burns all the pain that he left on her.

Nothing more matters now.

Tomorrow is another day.

Feelings



Some times feelings are just a point of view.

10.10.13

Roads



Temos longos caminhos a percorrer, o cheiro a terra molhada, e os pés descalços a sentir o chão.

E será que mais alguém vê, que esta guerra é nossa, e que temos de a atravessar sozinhos. Nela seremos nós, não haverá ninguém mais.

Atravessaremos mares, conquistaremos montanhas. Ninguém mais, apenas nós.

Sinto a tua dor, bem fundo no meu peito, porque a tua é igual à minha, e nela somos um.

E como nos sentimos agora, neste exacto momento. Sinto-te como és e como sou.

Comove-me como somos iguais, somos a mesma pessoa observando-se de ângulos diferentes.

Somos a mesma pessoa com duas perspectivas diferentes, olhando o mesmo ponto do universo.


Remédio



Que remédio haverá para curar esta doença.
Não me sairá este ácido que me corrói as entranhas.

E depois este barulho
ah!!! este barulho que não se aguenta
este silêncio que atormenta
Estas pegadas que não se apagam.
Estas velas que não se consomem.

E assim, esta cura que não tem doença
e esta doença que não tem cura,
 martirizam-me e destilam-me a alma.

E por cada gota dela que cai,
se vai juntando um pouco mais de mim
para te oferecer,
que me guardes enfrascado
e me deixes lá ficar até morrer.

8.10.13

A Morte




E aquele corpo ali estendido, fazia-lhe confusão, não conseguia entender, ele estava ali e não estava.

Ela aproximou-se, sentiu-se zonza, não compreendia, Será isto a morte, pensava ela, Será que é isto que sentimos quando nos aproximamos da morte.

Olhou-lhe a cara, esticou o dedo indicador e com algum receio, meia a tremer, tocou-lhe na bochecha. Sentiu um arrepio longo por toda a coluna, mais tonturas, mas aguentou-se.

Uma lágrima caiu-lhe do rosto, apenas uma. Apenas uma gota de água salgada, era tudo o que tinha para lhe dar. Não havia mais ninguém ali para receber, para quê dar mais lágrimas.

Uma era suficiente, uma lágrima apenas, concentrando toda uma vida de memórias, de tempo, e de outras lágrimas.

Afastou-se.

A lágrima tinha caído na beira do caixão, e ela ficou ali a contemplar aquela micro poça de emoção. Não chorou mais. Deixou-lhe uma rosa, pousou-a no peito, do lado esquerdo, para ficar junto ao coração.

O teu corpo vai, mas tu ficas comigo.

E foi-se embora, saiu dali, daquela negrura, daquela nuvem que a todos envolvia. O ar era fresco, mas o sol aquecia a pele. Caminhou até encontrar um banco e sentou-se. Ficou a contemplar a paisagem que se estendia perante aquele momento. Respirou fundo e fechou os olhos.

Sentiu na sua mão, uma outra mão.

Eu sabia que ficavas.

Eu disse-te que não partia.

Amo-te.

Amo-te.

7.10.13

Nós



Hoje acordei triste.

Ainda te sinto agarrada a mim, colada em mim com esses grandes olhos penetrantes. 

Sabes, deixaste a fasquia muito alta. Vai ser difícil esquecer isto. Foi tão intenso, tão profundo. Não veio desta vida não, tenho a certeza que não, não pode ser só desta. Não pode...

Hunf...

Lembro-me dos teus cabelos no meu corpo, a tua respiração, enquanto de olhos fechados sonhavamos o nosso futuro.

Tu vias-te a viver comigo, tipo casados.

E tu olhavas-me com esse ar meio eufórico, meio assustada, como quem não sabe muito bem se é um sonho isto que nós temos.

E agora ainda o temos. Sim, temos, porque tu foste-te embora, mas ficaste. Deixaste a ponta daquela corda que estica, bem amarrada no meu peito. E agora, ela está tão esticada, que há dias em que quase sufoco, de tão difícil que se torna um simples inspirar.

Apertas-me por dentro. Apertas-me o coração. Queria-te dizer tantas coisas que não posso, não posso, ia-te magoar ainda mais. Mas sei que tu sabes, porque apesar de não o ter dito com a boca, tu leste-o nos meus olhos, naquele momento em que nada mais existia a não ser nós dois.

E tu sabes, este vai ser só teu. Por muitas mulheres que passem pela minha vida, ou apenas mais uma, tu serás sempre tu, e eu serei sempre teu.

Aquela rapariga de olhos penetrantes que me prendeu na sua teia. Que me enfeitiçou, qual bruxa desvairada, perdida, e que eu resgatei. Aquela rapariga que de quando em vez se transformava, era felina, uma fêmea felina, que me devorava, e que eu adorava.

Serás sempre tu, aquela que me trespassou de tal maneira, que nunca mais se fechará esta chaga, e que eu não deixarei fechar.

E um dia, quando já formos velhinhos, um dia em que quase já não nos lembrarmos da existência do outro. Nesse dia, um de nós irá morrer, e o outro irá dizer-lhe um até já, porque a nossa história nunca será 'coisa do passado', nós nunca seremos uma 'aventura do passado', porque nós não somos tempo, não temos passado, nem presente, nem futuro, somos nós, apenas, como sempre fomos.

Nós seremos sempre nós, mesmo que as nossas vidas não se voltem a cruzar. 

Tu estarás sempre em mim, e eu estarei sempre em ti.

Até que a eternidade nos separe.

Six Word Story

One little step. More road ahead.

4.10.13

Dias Antigos



Os dias vão-se passando, e ela não consegue esquecer. A vontade de voltar atrás e apagar tudo com borracha permanente, (sim, permanente como a tinta, mas ao contrário), é tanta que quase consegue viajar até lá para cumprir tão penosa missão.

A dor foi tão forte, a mentira tão grande, e aquela criatura que não tinha culpa, aquela pobre criatura que não imaginava se quer o tamanho da mentira que a cobria.

Foram dias luminosos para eles, mas que se transformaram em sombras depois. Como um fósforo, ardeu e ficou apenas carvão, e como o carvão, sujou tudo porque foi remexido.

Eda, estás bem. Estás aí com um olhar tão esquisito.

Estava a pensar numa história antiga.

Oh querida, ainda pensas nele.

Sim, apesar de tudo ainda penso nele. Não consigo Xavier, é mais forte que eu.

Eu sei meu amor, anda cá, eu dou-te um abraço e isso já passa, vá.

Ele abraçou-a com força. Mas não passou, foi ainda pior. A força daquele abraço, transportou-a para o abraço, aquele abraço em que tudo começou, aquele abraço que levou a mais abraços de respiração profunda, de alívio, de saudade.

Pobre coitada, e ela não sabia de nada, o que é que eu fui fazer Xavier, o que é que eu fui fazer.

Vá não te martirizes.

Abraçaram-se novamente, e Eda chorou até adormecer.

3.10.13

Escrevo-te



Há dias em que o tempo passa, e a noite vem mais cedo, antes do sol se por.
Há dias em que a claridade da luz fere a vista, e estamos melhor enrolados na nossa manta preta, no aconchego dos problemas, até que a noite volte.

Há dias em que escrever a tua história, é um reviver na tua pele, na nossa pele. E nesses dias, tudo parece irreal, a minha vida parece irreal, o meu mundo, os sorrisos. 

Nesses dias o tempo pára, e eu sou tu, sinto-te entranhada em mim, visto-te, e visto o resto de todas as pessoas que por ti passaram. Dás-me tanto e já cá não estás.

Obrigas-me a viver-te, a ver o que os teus olhos viram, a respirar o mesmo ar, a sentir as mesmas dores, a secar as mesmas lágrimas.

Não há maior honra que esta, a de te ter comigo sem cá estares, a de continuar a receber tanto de ti, mesmo sem saberes.

A minha fonte, a minha força.

...e porque é quando estou mais fraco, que sou mais forte.

2.10.13

No Way



There's no way
I'm going down
there's no way
I'll hit the ground
And the voices
tell me not to waist more time

there's no way i'm turning black
there's no way i'm coming back
to the land
of murderers and scars

You will see
My fire burning your
crime desires

There's no way
I'm going down
there's no way
I'll hit the ground

And you'll see me
raise again



1.10.13

Six Word Story

Cold body on the ground. Death.

O Beijo



Não me deixes no silêncio
o teu silêncio dói-me
Doem-me menos as tuas palavras
mesmo que seja para me dizeres coisas banais
mesmo para me dizeres que não me amas

dói menos
esta dor que já te falei

não me deixes no silêncio
beija-me antes
beija-me este beijo apaixonado
beija-me mil vezes
beija-me mil vezes infinito
que se não te posso ter
que pelo menos o teu beijo
se torne meu
e nunca mais se acabe

beija-me, beija-me meu amor
..e que eu te possa chamar de meu amor
mesmo não sendo meu
serás amor para mim

beija-me meu amor
beija-me e leva o meu coração
este que já aí mora
que já se aninhou no teu peito
na tua mão

beija-me até ser dia
e beija-me até que a noite volte
para que nela nos deixemos envolver
até que o tempo se acabe

beija-me
beija-me até não haver mais saliva
até perder o fôlego
beija-me enquanto doer
e depois beija-me de novo
beija-me outra vez
beija-me até morrer

e quando morrer
beija-me novamente
e sente os meus lábios frios
que já não sendo meus
serão apenas a memória do que fui
mesmo já não tendo lábios
levarei os teus nos meus
para qualquer outra vida
para onde vá
te encontrarei

30.9.13

Psycho Killer



Não te sobra nada, se não apenas tocares no seu corpo, ali deitado à tua espera. E no entanto não te mexes, ficas preso a essas asas que não voam, não te moves.

Não te resta mais nada a não ser observares o sangue que ensopa os lençóis. E no entanto tentas vesti-los, para te sentires na tua pele.

Não te resta nada, absolutamente mais nada. Nem os pedaços de carne que tocas horrorizado, e no entanto, com um estranho sentimento de satisfação.

Então é isto a morte, pensas tu. Então é assim que se fica depois de abandonarmos o nosso corpo. Carne, apenas carne, ensopada em sangue, carne, embrulhando ossos, partidos.

E que bem que te soube parti-los, parecia que estavas no jardim de diversões, nunca antes sentiste este prazer, nunca, antes eras apenas tu.

Mas agora, não resta mais nada a não seres mais do que apenas tu, és aquele que agora observas, de mãos envoltas num tom castanho avermelhado.

E ficas-te, apenas. Fascinado com o ser em que te tornaste.

Sei


sei que tudo em mim já foste
sei de que tudo em mim ficaste

 Já não sei mais que nada
reduzido tudo a nada

 sei que paramos o tempo
e que ficamos eternos
sei que ainda te tenho
mergulhado nos meus olhos

 este laço que estica
ainda cá está, ficou nó cego
e cego será

 até ao dia em que se fecharem os olhos
nesse dia deixará
e voltará a ver como nunca
o laço desfazer-se-á

nada mais permanecerá

28.9.13

There's something in the way she moves



Há de haver alguma coisa aí, tem de haver. Como é que me podes prender assim. Não me conheces, não te conheço e no entanto já me tens.

Tens-me porque te penso, dou comigo a lembrar-me de ti, do teu sorriso, da forma como me olhas, das palavras que já me disseste. Das conversas, das memórias que partilhamos, sim, não foram muitas, mas suficientes para me prenderes nesta ansiedade de te querer ver mais e mais.

Dou comigo a pensar-te, na vontade que estejas também tu a pensar-me, do mesmo modo. Dou comigo a sonhar-te, na esperança que a minha presença se faça sentir nos teus sonhos.

Não é nada de mais sabes, fascinas-me. É isso, fascinas-me. E nesta fascinação vais-me conquistando, enquanto procuro perceber porque é que me fascinas.

Mas sabes, o melhor de tudo é não saber porquê, é esta ansiedade, é este friozinho na barriga, o melhor de tudo é que me fascinas.

É isso, fascinas-me.




Duas palavras



Ela tremia, as lágrimas caíam como a água sai da torneira e Xavier estava aflito, nunca tinha visto a sua amiga naquele estado.

Depois do acidente ela tinha ficado com amnésia, já se tinha passado tanto tempo desde aquele dia, que as esperanças que ele tinha que ela se lembrasse do que acontecera tinham quase desaparecido.

Ele chorava com ela enquanto a tentava confortar. Ela só tinha dito duas palavras, duas palavras que o deixaram de garganta apertada, e de lágrimas no rosto, não conseguia imaginar a força de um sofrimento daquela dimensão.

Duas palavras, duas palavras que fizeram crescer nele um sentimento que nunca tinha experimentado antes, nem sabia muito bem o que estava a sentir, e ainda só tinha ouvido duas palavras.

Pobre coitada, pensava ele enquanto enchia um copo de água quase meio cheio de açúcar, Depois de tudo o que passou na vida, só me faltava mais esta. Eda, bebe a água querida, vai-te fazer bem, vai-te ajudar a acalmar.

Oh Xavier, como é que não me lembrei disto antes...

Vá lá, tem calma, é normal que não te lembrasses, tiveste um acidente, bateste com a cabeça, é normal que tenhas perdido a memória de alguns acontecimentos, principalmente acontecimentos antes do acidente...

Fui violada. Fui violada Xavier...

Aquelas palavras ecoaram por toda a casa como se fossem gás Sarin.

27.9.13

Eu arrisco, e tu?



Surpreendentemente encontro um caminho diferente de todos os outros, procuro entender o porquê deste me surgir assim, mas é difícil, prefiro então não entender mas procurar segui-lo da melhor forma, já que se mostra uma melhor alternativa a este onde caminho cansada de tudo e de todos.

Seguro nas mãos todos os meus medos, são escorregadios, teimam em escapar-se ao controlo dos meus dedos a todo momento, seguro-os com firmesa, e apesar da força com que se tentam libertar eu controlo-os.

Tenho na palma das mãos as esperanças de que este se torne numa melhor caminhada, 'Tu tens a força em ti!', sim, eu sei, tenho essa força tão valiosa, essa que me empurra para frente, tenho um pedacinho de luz, luz que me ilumina cada passo, que me mostra cada esquina da vida.

Posso não ir por ali, porque não manter-me neste caminho, que apesar de me deixar cansada é completamente previsível, aparentemente normal, igual a muitos outros. Sim, precisamente por ser previsível, precisamente por ser igual a todos os outros, é uma história da qual já quase que adivinho o seu desfecho, e não é isso que quero sentir.

Eu quero viver intensamente, não na calma de águas paradas, o mar é belo pelas suas ondas e tempestades, e eu preciso de senti-las, por isso escolho este caminho. Este do qual não adivinho nem metade do desfecho, do qual não sei se chego ao fim, mas este que me fará sentir na pele todos os segundos, todos os sentimentos, este que me fará sentir o valor da vida, e que realmente vale a pena viver por amor, este que me obrigará a ser lutadora, a procurar a sabedoria das horas, das batalhas, este que me fará uma guerreira, guerreira da paz, guerreira do amor, este que me fará auxiliadora dos mais fracos, que me mostrará o verdadeiro sentido da vida.

Qual caminho poderia eu seguir se não este. Ficar acomodada ao que tenho e não enriquecer o espírito por medo, por cobardia, não. Isso não. A evolução faz parte de nós, e eu quero evoluir, quero arriscar, mesmo com medo de poder cair, eu sei que tenho uma mão estendida para me voltar a levantar... Eu sei que tenho sempre uma companhia para me sustentar nas horas de maior dor, nas horas de maior dificuldade...

E tu, vais-te deixar ficar acomodado ou vais lutar pelo teu sonho, por aquilo que te faz sentir vivo.

Eu arrisco, e tu?

26.9.13

Tens o meu coração nas tuas mãos

Espera



Disseste que vinhas, disseste que vinhas e eu esperei. Esperei até deixar de sentir o meu corpo, até sentir apenas esta tua espera, desesperada espera, angustiada espera, que me dói como que se morresses a cada segundo que te continuo a esperar.

Na porta não soam as tuas mãos lá a bater, na campaínha não toca a tua chegada. E eu espero, continuo à tua espera até não ser nada, até me transformar em pó.

Não sou nada, nem ninguém me falará, até que tu chegues e termines com esta tortura de te esperar.

Cada segundo que toca, é um segundo mais apertado para o meu peito, é menos um segundo de respiração profunda, que sem ela, a respiração, não sou nada.

Ou seja, não sou nada sem te poder respirar.

E esta espera mata-me, e eu ficarei à tua espera até que o tempo acabe, e se canse de me esperar que me canse desta tua não vinda.

Morrerei quando esse tempo acabar, e não houver mais horas, não houver mais nada que me sustente, e que me diga que afinal não vais voltar.

Six Word Story


Desire, desire, desire. Bodies, bed, explosion.

25.9.13

Memórias



"Cuida bem de ti e da tua vida, não olhes para trás, e nunca te arrependas de nada."

A cara já estava inundada há muito tempo, mesmo antes de ter aberto novamente aquela carta, ela já chorava deseperada, era a terceira vez que lia aquelas palavras, e de cada vez que os seus olhos a percorriam era como se ela estivesse ao lado dela a falar-lhe.

Como é que me pôde escapar, as irmãs esconderam-me mas eu sabia de tudo, como é que me pôde escapar...

Não se conseguia conter, as imagens do que tinha acontecido vinham à sua mente vezes sem conta, e ela soluçava...

trrrr.....trrrrrr.... a campainha da porta tocou. Eda limpou o rosto o melhor que conseguiu, olhou no espelho e torceu o nariz ao ver os olhos inchados do outro lado, colocou uns óculos de sol para disfarçar, desceu as escadas. 

Xavier.

Olá querida. Eda! Fofa, não me digas que te esqueceste de mim, pelo aspeto das tuas roupas parece que não vamos fazer nada mesmo, não é sua preguiçosa.

Eda esboçou um sorriso meio forçado.

Entra Xavier, hoje não estou com disposição, preciso de te contar umas coisas.

Olha lá, só agora é que reparei, se não vamos sair para que é que são esses óculos de sol.

Ela tirou os oculos e no mesmo instante ouviu-se um gritinho de horror.

Valha-me deus mulher, o que é que aconteceu para estares com esses olhos inchados dessa maneira. Quem foi o estúpido. Diz-me que eu parto-lhe as trombas.

Não é nada disso. Até preferia que fosse... tenho muitas coisas para te contar Xavier...

Ai, estás a deixar-me nervoso. O que é que se passa.

Vamos subir, preciso de desabafar. Já ficas a saber.

Claro querida, conta-me tudo. Já sabes que estou aqui do teu lado para o que der e vier.

Subiram as escadas, foram para o sofá da sala. O sol batia pela janela e reflectia-se por toda a divisão, deixando um tom dourado no ar, ficava tudo com um ar ainda mais confortável.

Senta-te, vou só buscar uma coisa.

Quando voltou trazia um papel na mão, era a carta. Sentou-se a tremer, tremia porque ia falar pela primeira vez sobre tudo o que tinha acontecido.

Ai, vá lá filha, abre essa matraca, estás a deixar-me morto de curiosidade para saber o que é que se passa.

Os olhos de Eda, voltaram a marejar.

Oh Eda, respira fundo querida, temos muito tempo, desculpa, começas quando estiveres preparada.

Ela respirou fundo enquanto pensava, Tenho de falar, tenho de deitar isto tudo para fora.

Xavier.

Sim.

Eu lembrei-me. De tudo.

Sentir



Os teus olhos.

E naquele instante não vi mais nada, não ouvi mais nada, não respirei mais nada.

Quero vê-los outra vez, poder deixar que mergulhes com eles, neles. Deixar que me faças sentir mais completo. Não fazem de mim mais homem não, mas sabem bem onde mergulhar, em que jardim entrar, que espaço preencher. 

Tu...

Sabes, nunca fui muito bom com as palavras, mas gosto tanto de te escrever, de te sentir na ponta dos dedos, e de escrever o teu corpo neles, de te estudar até ficar saturado de ti. Mas sabes, não fico. Não me saturas, nem que ficasses nas minhas mãos por toda a eternidade.

Ainda te sinto nelas, todas as tuas curvas, a suavidade da tua pele, o quente do teu corpo, os teus lábios molhados sobre os meus dedos... 

Ainta te sinto nelas, e no resto de todo o meu corpo, como se de uma segunda pele te tratasses, como se de uma primeira pele para ser mais realista. Porque não me sais. Entranhaste-te em todos os meus poros.

Acordo todos os dias com o teu cheiro, sim, ainda sinto o teu cheiro. Ele fica sabes, o teu cheiro fica. Entranhou-se tanto como tu, toda tu.

Vou sentir-te sempre, como agora. Vou-te sentir nas minhas mãos até que elas te toquem novamente, e vou sentir-te outra vez, até deixarmos de ser gente.

23.9.13

Six Word Story

See inside you, Warm feeling resides.

Segundo de Eternidade



Não sabia que seria assim, que arrancarias de mim esta noite, esta negrura que me abraça desde sempre.

Ás vezes dizias que a vida dura um segundo de eternidade, que sentias isso nos meus braços.

Eu também te sentia assim. Mas agora atravesso o deserto. Sem que nenhum oásis de ti me apareça.

Os teus olhos não me saem, não me sai da cabeça aquele dia em que os vi pela primeira vez. Nem o dia em que os senti dentro de mim pela primeira vez.

Bruxa, és uma bruxa que me enfeitiçou. Lançaste-me um feitiço tão forte que não passará nunca mais. Serei para sempre teu. Sempre teu, naquele segundo de eternidade que dura a vida, que durou o nosso amor.

Um segundo de eternidade que mudou o meu mundo para sempre. Eu faço parte de ti agora, e tu de mim.

Foste embora, mas eu continuo a sentir-te mergulhada nos meus olhos. E continuo a sentir aquele aperto no peito, que agora, só passa quando à noite adormeço e te visito nos meus sonhos. Quando à noite me deito e viajo no tempo, para aquele segundo que nos fez tudo, que mudou tudo...

Aquele segundo em que fomos o fogo mais ardente de todos os fogos, em que nos consumimos e deixamos de ser dois.

Naquele segundo, em que fui o melhor de ti e tu de o melhor de mim.

Naquele segundo em que não existiu mais nada além de nós.

20.9.13

De manhã



Eda saiu à rua, e o cheiro de pão quente invadiu-lhe as narinas, respirou fundo e deixou que a saliva lhe inundasse a boca. Era uma manhã ensolarada, daquelas manhãs mornas de luz e de som. As peixeiras da ribeira já se ouviam lá ao fundo ao pé do rio. Desceu a rua até à padaria da Dona Jacinta.

Bom dia menina, o mesmo de sempre.

Sim Dona Jacinta, o mesmo, obrigada.

Andou desaparecida, já andavamos a comentar o que é que se teria passado, a menina avisa sempre quando vai de férias.

É verdade, desta vez foi um bocado à pressa, não tive quase tempo para fazer as malas.

Ah, pois. A Jucefina não se calou estes dias todos a dizer que já a tinham raptado. Esta Jucefina e as histórias é com ela, a menina já sabe que ela é uma língua comprida, aquela dali não diz uma frase sem acrescentar alguma coisa. Mas como eu não engravido pelos ouvidos não acreditei nela, e o certo é que a menina está aqui, normalzinha como sempre.

Eda sorriu levemente, pagou o pão, e saiu. Na verdade, não tinha ido de férias, a sua estadia no hospital tinha durado mais do que esperava, mas não queria contar pormenores, que a coscuvelhice era o mote do dia, e ela não estava para aí virada, nem tanto nem tão pouco.

Eda, porque é que fizeste aquilo.

Não sei, não me lembro bem do que aconteceu.

Não te lembras, tu tentaste afogar-te rapariga. No meio da noite, com um mar bravo, e tu enfiaste-te por lá dentro. Ainda bateste contra as rochas. A tua sorte foi teres sido cuspida para a praia. Foste encontrada por um pescador, que te ajudou.

Sim, tenho uma vaga ideia.

Marejaram-lhe os olhos e ainda quase não tinha chegado a casa. Meteu as chaves na porta e entrou, já não via nada a não ser um mar na sua frente, e sentia a cara regada de lágrimas. Pousou o pão na mesa da sala, e foi buscar a carta.

A carta.

18.9.13

Amor Pecado




“Fomos o amor proibido e nem assim deixámos de ser o amor sagrado,

só o nosso amor limpa o pecado,
só um amor assim é sagrado,
amei-te como se não houvesse pecado.” - Pedro Chagas Freitas

16.9.13

Mentiras



Em meu nome ficam cegas as tuas mãos.

Meu corpo reconhece-se nos recantos do teu olhar, e a frieza dos encontros às escondidas esfuma-se...

Mentiras... Tantas...

Que de tantas e tantas vezes me olhaste sem me veres, que de tantas e tantas vezes teus olhos se foram para os dela, sem a procurares...

Mentiras.. Tantas..

Por vezes as mentiras são o único pecado possível para atingir a salvação.

Isso pensavas tu...

5.9.13

It's a long way



"It's a long way to the top if you wanna rock n' roll"

Adoro esta música. É demais.

Eu também, e o tipo sabe dar espectaculo.

Este publico é escandaloso. Do melhor que há. Fiquem bem, e até uma próxima.

Eda, queres ir para outro lugar, o concerto já terminou.

Sim, vamos.

Beba lá a água menina, você deve ter andado na água, tem a roupa toda tesa. Lembra-se do que aconteceu.

Muito mal...

"It's a long way.."

Lembro-me de uma música, estava a ver um concerto. O vocalista não parava de dizer que éramos um publico escandaloso... e..

E. Não se lembra de mais nada, bebeu muito estou a ver. Ai, esta juventude está perdida Senhor.

Bebi um pouco, mas não estava bêbeda.

Eda... não te metas na água, está muito escuro, é perigoso. Eda.

Lembro-me de entrar no mar, estava a saber-me bem. Depois disso é tudo muito vago..

A menina estava a tentar matar-se.

Não. Acho que não...

Então porque é que entrou no mar, não tem estado muito calmo nos últimos dias, e ontém à noite estava bastante picado...

Eda. Edaaaa. Não faças iss... CUIDADO.



4.9.13

Six Word Story

Big mama cries. Less one is.

Ás vezes...



Ás vezes o corpo adormece, e alma perde-se em divagações infinitas.

3.9.13

2.9.13

Olhos como cigarros




Olhos que queimam como cigarros
São esse olhos que me levam para outro lado
Queimam-me por dentro
Consomem-me e fazem-me querer mais
Mais de ti, que de ti nunca é demais

30.8.13

Do outro lado



Era estranho ser feliz, naquele momento ela não sabia muito bem como estar ou sentir. Foram tantos anos de sofrimento, que se habituara àquela dor insuportável, que se tornou quase que uma amiga inseparável.

Era estranho ver o ser que ali estava a nascer, naquele momento, naquele precioso momento, uma criança chegava, mundo aberto de braços, e o choro que evidenciava a sua chegada.

Bem vinda de volta minha querida. Finalmente, voltamos a encontrar-nos. Dizia-lhe a mãe de lágrimas no rosto, enquanto ela as olhava, feliz, imensamente feliz, e era estranho.

Não sabia se lhes tocava, ou se apenas as olhava, era tanta a luz, o som dos anjos em louvor à nova vida, que nem sabia muito bem como reagia áquele acontecimento.

Sabia que estava completa, a sua missão de entregar aquela criança tinha chegado a bom porto, e alí estava o resultado na sua frente.

Obrigada Senhor. Toda vida foi este o meu sonho, e agora posso partir em paz, leva-me agora e eu poderei cristalizar a felicidade deste momento.

Ela olhou-a uma última vez, sorriu, limpou as lágrima e disse, Sê feliz minha querida, terás quem cuide de ti, a minha missão continuará do outro lado.

Fechou os olhos e parou de ouvir o choro. Quando os abriu ela já estava à sua espera do outro lado, com uma multidão de luz em sintonía, também de braços abertos.

Bem vinda minha filha. Temos muito trabalho para fazer. Vamos.


Escandaloso




O sol bateu forte na sua pele, e ela sentiu-a a esticar-se, quase a estalar com o calor, ao mesmo tempo que acordava. O que se passa... onde é que... como é que... A sua cabeça, as dores de cabeça eram absurdas, não sabia como é que tinha ido ali parar, e tinha uma dor de cabeça terrível.

Escandaloso. É escandaloso. Aquela palavra não parava de se repetir. Escandaloso. E era dito numa voz masculina, quase que a gritar.

De repente sentiu os pés ficarem molhados, a água era fria, arrepiou-se. Tentou levantar-se, sentiu areia nas mãos, e foi nesse momento que começou a ouvir o som das ondas, Estranho, não entendo... mas como é que raio...

A menina sente-se bem, precisa de ajuda, quer que vá buscar um copo de água, deve ter adormecido ao sol...

Ela olhava o homem com ar assustado, não estava a entender o que se estava a passar.

Vá venha para a sombra.

No mesmo tempo em que se mexeu para se levantar todo o seu corpo gritou de dor, e da sua boca saiu um pequeno gemido, a dor era especialemente intensa numa perna, olhou e viu que tinha uma nódoa negra, e um golpe.

O pescador voltou com um copo de água na mão e deu-lho. A menina está magoada.

Escandaloso. Este é o publico mais escandaloso que já conheci. Quero ouvir toda gente a curtir.

Eda, queres ir para outro lugar, o concerto já terminou. 

Sim vamos.

A menina está bem, parece que ficou assim meia esquisita.

29.8.13

O depois



É disto que tenho medo, sabes. É isto que me faz estremecer.

Isto o quê.

Isto, o depois. Essa tua luz, depois do depois. Os teus olhos nos meus. É agora que estremeço por dentro. É neste momento que sou inteiro, teu.

Não tenhas medo. Não é preciso.

Nem sei se gosto mais do antes ou do depois..

Depois...

Tenho medo. É agora que me apaixono.



28.8.13

Tudo muito



Tu és tudo muito.

Tudo muito. Como assim tudo muito.

Tens de ser sempre muito. Queres muito ter sucesso. Queres muito realizar esses sonhos. Dizes que gostas de mim, muito.

E gosto. Não consigo ser pela metade, ou é ou não é. Se é para ser, então que seja muito. Se é para viver, então que se viva muito. Se é para amar, então que se ame muito.

Tenho medo desse teu muito, pode consumir-se e sumir-se. E amanhã já não me queres como eu te quero.

Serei muito para ti, enquanto o meu coração for muito por ti. Sou fiel a ele. É ele que manda. Está nas tuas mãos, se cuidares dele, ele será sempre muito por ti.

Nas minhas mãos.

Sim, tens o meu coração nas mãos, por isso cuida dele.

Tu dizes coisas...

Que coisas.

Coisas, palavras que batem cá dentro com força... muita.

26.8.13

Pandora



Tens noção que estas a abrir uma caixa de Pandora.

Não faço planos.

Nãos fazes planos, como é que eu fico no meio disto tudo. Estou demasiado vulnerável.

Estou a aproveitar-me de ti não é. 

Não me arrastes para os teus problemas, não quero confusões, nem quero magoar ninguém, não é justo.

Pois é, mas podemos ser amigos na mesma, não podemos.

Não sei. As caixas de Pandora são perigosas, mesmo quando se mantêm fechadas...

Quero essa caixa, mesmo fechada, quero-a, quero correr o risco... Só temos esta vida, não há mais nenhuma para vivermos.

Talvez, mas podemos viver muitas vidas nesta mesma. Não temos escolha se não escolhermos abrir ou deixa-lá fechada.

Então quero abri-la. 



Six word story

Tempestade, alto mar, perdido. Coração apaixonado.

25.8.13

São loucas




Quero-te ver.

Não. Não é justo.

Mas eu sinto tanto a tua falta.

Não. Não podes voltar a ver-me. Já te foste. Quando partiste na caravela, as velhas da praia disseram que não voltavas, e eu dessa vez acreditei. Depois de tantas partidas, acreditei que não voltarias, já não as chamei de loucas. 

Então vamos.

Não vamos. Como podes voltar agora ao fim de tantos anos, eu continuei com a minha vida, e tu agora tens de continuar com a tua, volta para a tua família, não voltes para mim. Sim, eu sei que tens familia, em outro porto, em outro mar. As velhas sabiam, elas diziam-me para não te esperar.

Menina, os marinheiros têm sempre outras vidas, e outros mares, não se deixam ancorar. Mas eu não queria acreditar e dizia-lhes que eram loucas.

Mas agora sei, a louca era eu...

24.8.13

Vamos à Bruxa




Já se vê a obra prima a ganhar forma, o trabalho árduo se mantém firme. E tu, desesperado continuas, escravo, a trabalhar contínuamente para que essa prima obra, se conclua.

Para trás e para a frente, para a frente e para trás.

Oh filha, olha que é um trabalho duro, e ele fa-lo bem. O pobre coitado não pára.

Pois não, mas não seria má ideia pedir um trabalhinho á bruxa Constantina, ela ajudava a terminar isto de uma vez por todas.

Sim, pois é, vamos marcar uma consulta com ela, que de certeza que ela arrnja já já uma solução.

Vamos, eu vou ligar-lhe e marco. Vamos à bruxa.

Sim, vamos à bruxa Constantina.

21.8.13

Não as quero




Há dias que não aguento, e preciso de te ver.
Mesmo que apenas nos oceanos das minhas lembranças.

17.8.13

O medo




Sabes que o medo das sombras te pode matar. Sim, pode. O medo das sombras e o medo do medo. Não há nada que mate com mais força que o medo, do medo.

E tu deixas-te ir nessa negrura, espelhando nos teus olhos o desespero de quem não sabe muito bem por onde vai, que apenas segue por onde te apontam que tens de ir.

E fazes, fazes para que te sintas vivo, para que sintas que é nesta vida que estás, para que não sejas o morto andante que és, para que não te sintas sujo e pesado como tens sido.

E a inveja, oh menino, então a inveja é das piores coisinhas. Uma pessoa sai à rua e já não sabe se volta para casa com um carregamento de inveja, ou de mau olhado, sim que esse às vezes também carrega forte, mas queima-se um bocadinho de olho gordo e a coisa fica limpinha.

Pois, pois é, ninguém te entende não é, e pensas que és doido varrido, tu próprio já não te acreditas, já nem sabes se isto tudo não será um sonho, apenas isso.

Está mais para pesadelo que para sonho, pensas tu tantas e tantas vezes antes de fechares os olhos para dormir. Dormir, coisa que já não sabes muito bem se realmente é possível de acontecer outra vez na tua vida.

E pedes, desesperadamente pedes, Que os meus olhos se fechem e não se abram mais, que esta loucura termine agora, neste instante.

Mas não termina, e voltas a mais um dia, fantoche nas mãos das bruxas, desvairadas bruxas que te usam como aparelho de operação em campo, e continuas, sempre assim, marioneta nas mãos delas, as bruxas.

15.8.13

Vidas



Ja vivi tantas vidas, de quantas e todas contidas numa só. E é nesta, é sempre nesta que te encontro, que te vou encontrar de novo. É nesta que o amor não morre, que nunca morre.

Ja vivemos tantas vidas, e no entanto todas elas contidas só em nós. Isto. É isto que temos, é o que somos, é o que nos faz, e chega-nos, somos bons assim, fazemos bem assim.

Passam-se todas, todas elas, as vidas, se passam. E nós acabamos sempre ancorados no mesmo porto. Partimos e vamos mundo fora, mas no regresso, somos sempre o abrigo um do outro, 'no matter what', e a eternidade é nossa.

14.8.13

Não me sais




Não me sais. Por mais que tente, por mais que me esforce, não há modo de te tirar.

Na minha cabeça imagens, momentos, que não quero lembrar, mas que não quero esquecer.

Não me sais, não me sais, não me sais... E estes dias passam espessos, pesados na falta que me fazes, neste peito apertado que ficou.

E agora, que faço eu agora, como mastigo esta saudade, como faço para respirar limpo, como faço, como saio de dentro dos teus olhos.

E agora, como consigo voltar a mim, normalizar esta batida, está nas tuas mãos, sim, foste-te e levaste o meu coração nas tuas mãos...



Repetições




Sabes que a natureza do luar me traz a calma desenfreada das madrugadas ardentes. Aquelas em que sempre te encontro, do outro lado da janela.

Gosto de te olhar assim debruçada no parapeito, como quem vê quem passa. Só que não passa, nada passa a esta hora, e em qualquer hora de todas as madrugadas que conheceste.

Mas gosto de te ver assim, já te disse não já, pois já, gosto de me repetir, de te repetir mais precisamente, com esse ar de quem não quer saber de nada, de quem se está nas tintas.

E aprecio-te. Deste lado que ninguém me vê, sou invizivel para ti, e gosto de o ser assim, porque gosto de ti assim.

Eu sei, eu sei, já me estou a repetir outra vez, mas gosto, cada vez que repito é como cada vez que me venho, até ao encontro dessa mulher descontraída, que todas as noites aparece naquela janela, sob a madrugada, sob o luar.





8.8.13

Apenas isso



Contigo foi sempre apenas isso, sexo. Puro e duro, carnal, animal.
Quando nos apetece, sempre que estamos para aí virados, eu vou-te buscar, àquele lugar de sempre, onde me esperas perfumada e de sorriso no rosto, com esse batom vermelho ardente, com aquela mini saia que me deixa louco só de me lembrar.
Abres a porta do carro com a naturalidade que sempre te acompanha e dizes, Vamos.
E vamos, eu ansioso por te ter, tu naturalmente calma, com aquele sorriso malandro, entre o fumo de um cigarro que acendes enquanto me olhas de lado com um ar provocante.
No quarto tu olhas-me em silencio, enquanto te desejo mais e mais a cada segundo que passa.
É então que dizes, Fode-me.
E apenas isso nos basta. Naquele instante nada mais existe, somos apenas dois animais, embriagados de prazer, até não haver mais gota de suor, até não haver mais fôlego que respirar.
Duas bestas, numa sintonia bruta desenfreada, até não haver mais, nada mais.
Silêncio.

E apenas isso nos basta.

Vazio






Depois de ti não veio ninguém. Ficou ninguém. Tornei-me ninguém. Ficou nada. 

Depois de ti ficou o vazio, tudo ficou vazio. As minhas mãos estão vazias de ti, desesperadas. Os meus olhos ficaram vazios da tua presença.

Depois de ti tudo é nada. Depois de nós já não existo eu.

Todos os dias te procuro quando fecho os meus olhos. Todas as manhãs as minhas mãos te procuram incansáveis.

Não há nada que me atormente senão esta ausência de ti, este nada de nós. Sou vazio. Fiquei vazio depois do depois.

Depois de ti não vivo, sou apenas um homem, um homem igual a todos os homens, sou apenas um. Só.