22.4.14

Cartas de Amor #3





É uma espécie de vontade, esta que se me vem sempre que me atinges o pensamento.

Não te sei, nem te quero, e no entanto não te posso esquecer, porque me fazes falta. É mesmo, fazes-me toda a falta que é possível dentro deste peito vazio.

Se arranjo maneira de te saber, não quero. Escrevo. Prometo mil palavras e sentimentos. Não esqueço. Desejo.

E agora quanto tempo mais até. Quantos dias e quantas horas terei eu mais de sofrer até me prometeres que serás eterno.

Pensamento (re)erguido por entre nevoeiros temporais. Sairás jamais.

Ah. Quão obstinada é esta lembrança, qual esperança que se (in)surge sempre que te vejo. Desejo.

Desejo.


21.4.14

Soneto da Felicidade



De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


Vinicius de Morais

17.4.14

O blog da Zana é Ecológico



"De acordo com um estudo realizado pelo ambientalista e físico da Harvard University, Dr. Alexander Wissner-Gross, um internauta produz, em média, cerca de0,02 gramas de CO2 por exibição de página. Considerando que um blog geralmente recebe em torno de 15 000 visitas por mês, isso resulta em 3,6 kg de CO2 emitidos por ano. Este total é gerado principalmente pelo grande consumo de energia, devido à refrigeração necessária para o funcionamento de computadores e servidores."

Não é que tenha tantas visitas, no entanto, acho que é sempre bom poder contribuir de alguma forma. E não custa nada (ver mais aqui).

A Guiato planta uma árvore para cada site que se inscreva nesta iniciativa, para alíviar os impactos das mudanças climatéricas e o impacto das emissões de CO2.

Soubesses







Beijaste-me em mente.
Vieste. Viste-me.
Despiste. Despiste-me.
Desnudaste toda a minha carne,
nela enterraste tuas palavras.

Do teu olhar nada mais soube,
nem se no teu coração coube
algum do meu, ou das minhas chagas.

Pragas, estes pensamentos. Pragas.
Desejo que se queimem por dentro.

o peito implode.
Demasiada ansiedade,
não há sobriedade.

Ah se tu soubesses.
Se tu viesses e visses.
Sentisses
como sinto eu teus beijos. Desejo.
Voltarias apressado.
Desenfreado.

Tudo Isto é Fado



Perguntaste-me outro dia
Se eu sabia o que era o fado
Disse-te que não sabia
Tu ficaste admirado
Sem saber o que dizia
Eu menti naquela hora
Disse-te que não sabia
Mas vou-te dizer agora

Almas vencidas
Noites perdidas
Sombras bizarras
Na Mouraria
Canta um rufia
Choram guitarras
Amor ciúme
Cinzas e lume
Dor e pecado
Tudo isto existe
Tudo isto é triste
Tudo isto é fado

Se queres ser o meu senhor
E teres-me sempre a teu lado
Nao me fales só de amor
Fala-me também do fado
E o fado é o meu castigo
Só nasceu pr'a me perder
O fado é tudo o que digo
Mais o que eu não sei dizer.

Amália Rodrigues

16.4.14

Longas Metragens



Longas são as metragens que faço de ti.
Dentro do meu pensamento apenas a luz para ti.
Dentro da minha bobine apenas a imagem tua. Salgada. Nua.
Prolongam-se de imediato as horas, e balançam-se as pontes até partir.

Saltos de gazela fazem dela a mais bela. Cantas tu. E que delícia.
Maravilha descoberta. Inquieta. Me. Inquieta-me.

Six Word Story

Quanto tempo passou. Agora não tenho.

Retrato do Herói



Herói é quem num muro branco inscreve 
O fogo da palavra que o liberta: 
Sangue do homem novo que diz povo 
e morre devagar    de morte certa. 

Homem é quem anónimo por leve 
lhe ser o nome próprio traz aberta 
a alma à fome    fechado o corpo ao breve 
instante em que a denúncia fica alerta. 

Herói é quem morrendo perfilado 
Não é santo    nem mártir    nem soldado 
Mas apenas    por último    indefeso. 

Homem é quem tombando apavorado 
dá o sangue ao futuro e fica ileso 
pois lutando apagado morre aceso. 

Ary dos Santos, in 'Fotosgrafias'

15.4.14

Cartas de Amor #2



Não paro de te pensar.
Não consigo conceber que de alguma forma te encontras demasiado longe das minhas mãos. Saudades de te ter nelas.
No peito encontro nada a não ser tu, sempre tu, nessa tua aura incandescente, com esses olhos penetrantes, perfuram-me sempre e todas as vezes.
Não consigo esquecer, é-me impossível. Será este o meu castigo por tamanho pecado. Este que cometi ao tentar conquistar-te, tendo eu já no meu coração outra mulher.
Mas é possivel sabes, é possível amar duas pessoas, e mesmo assim não ser pecado. Eu sei, eu sei, para muita gente é pecado talvez, mas para mim não, não faço planos para gostar. Gosto e pronto. É assim. É como é. E eu gostei-te. Tanto. E gosto-te ainda.
Vivo um dia de cada vez, na esperança de te poder ter novamente nas minhas mãos. Já te disse que estão vazias de ti. Pois que estão num vácuo de ti, já nem as sinto de tão dolorosa ausência que lhes provocas.
Sofro constantemente e todos os dias me lembro, ao acordar, que já não te tenho, que não te posso agarrar e preencher este vazio.
Mas sinto-te, continuo a sentir-te como se fosse hoje, agora. Fecho os olhos e respiro fundo, inalo o teu perfume que fica, e ele continua sabes.
Continua o teu perfume em mim e no meu corpo, todo ele me cobre como uma segunda pele, aquela que eu queria que tu me fosses.
Faço-te sólida nos meus pensamentos, e deito-me enroscado em ti e nesses teus olhos que não esqueço.
Talvez um dia, quem sabe, te (re)encontre e não te lembres de mim, para que te possa (re)conquistar.

Pedras&Palavras



As palavras e as pedras são muito semelhantes no que toca à sua mais pura essência.
As palavras e as pedras, depois de atiradas, já não se podem (recuperar).
As palavras saiem e atingem o alvo com a força de uma pedra, e a pedra assim que embate, pode magoar a sério (porque a brincar também se magoa muito boa gente), e muito.
Mas creio que as palavras magoam ainda mais. Sim. magoam muito mais que as pedras, pois que ao embaterem, provocam maior ferida, enterram-se mais na carne do coração.
Sim. As palavras magoam mais que as pedras. Muito mais que as pedras. Muito.

14.4.14

Cartas de Amor #1



O meu coração está pendurado por um fio.
Aquele fio que amarraste quando me olhaste e sorriste.
Foi com ele que o meu coração se foi, e ficou por aí a balançar... nesse fio.
Frágil fio, que a qualquer momento pode rebentar.
Não te vi mais, quase não trocamos palavras, apenas olhares.
Tantos.
Tu olhavas-me, e eu olhava-te, sem saber muito bem o que me provocavas.
Tu mexias-te, eu estremecia na esperança que me lançasses alguma palavra.
Tu falavas, e eu calava-me para tentar entender como me podias estar a  perfurar com tanta força.
Não te vi mais, não me esqueci mais.
Os teus olhos, eu não os devolvo, trouxe-os comigo.
O teu sorriso, guardei-o no meu pensamento.
Os teus cabelos e o teu perfume doce, filtrei-os e guardei-os no meu pepito.
Sempre que me dói o coração sei de onde vem a dor,
é de ainda não te poder ter encontrado de novo,
de não poder ter-te puxado e agarrado para não te largar mais.
É isso.
Tenho o coração pendurado por um fio,
com a esperança de que quando ele rebentar,
as tuas mãos possam ampará-lo.

Pessoa



Pessoa caminhante
Andante deste mundo
Sem fundo...
Converge de passos perdidos
Com os sentimentos aturdidos
Do rebuliço de emoções
Pessoa...
Pessoa de mil faces
Pessoa de mil almas
Pessoa sem destino
Calma revoltada
De mundo perdido

11.4.14

Contrabando




Esquece o contrabando de sentimentos
a loucura chegou para se instalar
não veio só fazer uma visita

Vai-te para casa, mas não tropeces nos pensamentos,
sentimentos.
ficam-te encravados nas artérias
entupimento de veias,
vias consecutivas das relações.

sabes que agora é assim
não te fiques por cá por mim

só agora te entendi,
só agora percebi
porque é que não respiro
e retiro o peso da tentação
perdição

não me olhes assim
sabes bem que é verdade
não me deixes ficar
vai-te e não me faças tropeçar
outra vez!

só agora te entendi
só agora percebi
porque é que tudo é tão insípido
quando de ti não há vestígio

10.4.14

Vazios II



Já não há luar que me afogue
E lá longe tu continuas
Minha estrela da noite
Minhas mãos serão sempre tuas

ah salteador de corações
em armações mais ou menos complexas
em sintéticas insinuações
de quase nada se chegam
e apertam a garganta
que te grita e não te sabe mais

ah que por muitos lugares
caminhos percorri e não te encontrei
na luz na noite me abandonei
sinuosa sedução de estrelas que me prendem agora
deixar-me-hei ficar por estas sendas
não mais te procuro
por aqui me detenho


Vazios



Se ás vezes te desejo
Outras há em que te odeio
Porque te quero tanto toda dentro de mim
Por me provocares tão ardente desejo
E porque te foste e me deixaste vazio
Tão vazio que não me encontro

Não me sinto mais.
Não haverá outra mulher que mo provoque.

Saberá melhor a minha alma
Ou as entranhas de um porco
Que delas dizem ler-se o futuro
Ora que o meu já foi mais que lido
Foi cumprido
E não há mais a dizer

9.4.14

Update: 10 Anos já lá vão


Os livros que tinha para oferecer já estão todos atribuidos, fico muito contente por ver que afinal este blog ainda tem leitores.

Muchas gracias por me lerem!!!

Infelizmente os livros não dão para oferecer a todos, e como disse, foram atribuídos por ordem de contacto.

Contudo, quem ainda estiver interessado em adquirir um exemplar, pode entrar em contacto comigo através do email deste blog (zanasmail@gmail.com) e eu darei todos pormenores necessários para poderem receber um destes no conforto do vosso lar.





8.4.14

Six Word Story

Sunset. Beautiful love story happening there.

Gimme all



If I go your direction
where will we go
If I look for your affection
where will you take me
you know

Nothing to care more
nothing to do
nothing to feel at all

oh baby tell me
please (please) tell me
shake my lake
and gimme all you got

If I'm on your mind
I know it
So please... please...
shake my lake
and gimme all you got

you is kind
your is precious
you is important
So please.... please...
shake my lake
and gimme all you got


7.4.14

10 Anos já lá vão...



Dez anos já passaram desde primeiro post. Entre muitos sentimentos escritos, dissecados e arrancados da alma. Entre uma publicação de um livro, algumas paragens, e muitas, muitas horas de escrita, cá estamos, e que venham mais 10, e mais livros!

E em jeitos de comemoração, vou dar prendinhas! Pois é, tenho cinco livros para oferecer!!!

Quem quiser receber um livro meu, poderá fazê-lo enviando-me um email com a sua morada, e é tudo! Dias depois terá o exemplar em sua casa.

Podem enviar email com a informação para: zanasmail@gmail.com




4.4.14

Dias



Há dias em que nada me afasta deste silêncio.
Há dias em que a vida me afasta de mim mesmo, e me empurra para ti.
Tu que me olhas desse lado do espelho.
Tu que me ardes e me mordes com esse olhar.

Há dias que te quero deste lado.
Há dias em que nada te faz mais inteira que as minhas mãos.
E tu dizes que me gostas, assim toda dentro de mim.
E tu dizes que mergulhas nos meus olhos, e que abres aquela porta que ninguém sabe.

E esses dias são eternos, não se vão.
Pararam no tempo e ali ficaram.
Pararam e prenderam-nos lá dentro.