4.2.14

Lugar nenhum



Não vou a lugar nenhum
vou ficar aqui na minha solidão
até acordar deste sonho vagabundo

Não vou andar por aí
não sei por onde ir
vou ficar aqui na minha escuridão
até que algo me faça ver
se ainda existe luz

Não vou a lugar nenhum
vou ficar aqui no quente do meu coração
(solitário coração)
e ver o tempo a passear
lá longe
de mim

Não vou a lugar nenhum
vou ficar calma e quieta

até conseguir acordar

Six Word Story

From what are you running away.

31.1.14

Que assim seja




Nas tuas mãos me entrego oh Pai.
E que assim seja, agora e sempre
Que a Tua vontade se cumpra
A cada dia e a cada noite

Perdoai-lhes e perdoai-nos
pois não sabemos o que fazemos
Pois que este mundo em que vivemos
É mundo cão
e nele todos os dias nos perdemos

30.1.14

Só mais uma vez




O tempo parou
Naquele momento
Em que os teus olhos
Tocaram os meus

Sinto a tua pele mais uma vez
O teu cheiro entranha-se no meu corpo
Respiro-te, inspiro-te
Absorvo tudo o que deixas ficar

Fecho a porta e tu permaneces
O teu toque
O teu olhar.

Nos lençóis ainda te sinto
Fecho os olhos e ainda te oiço
Respiro fundo e o teu perfume
Trás-te de volta
Só mais uma vez.

E deixo-me ficar
Enroscada no teu regaço
Ate que a noite me leve
Para onde tu me quiseres
 Só mais uma vez.

29.1.14

Não, isto não é um poema



Não, isto não é um poema,
é apenas a minha ânsia de te sentir mais perto.
Talvez escrevendo-te te consiga trazer de volta.

A cama ainda estava desfeita,
o teu cheiro, ainda o sinto,
ficou agarrado aos cobertores.
No meu corpo ainda sinto o que ficou do teu toque,
do teu beijo,
da tua língua...

E escrevo-te,
escrevo-te para não enlouquecer de saudades.
Escrevo-te para chegar até ti pelas palavras.
Na esperança que elas te levem o vazio que ficou no meu peito,
e que o possas preencher com o meu coração,
sim  o meu coração que levaste contigo,
quando te foste.

Ocupo-me de afazeres,
que por bem ou mal ainda são alguns,
e ajudam-me a passar esta espera de ti.
Mas desespero,
óh como desespero com este tique taque interminável
enquanto não chegas outra vez...

Eu sei, eu sei,
uma exagerada eu sei
Mas é como tu dizes,
quero muito, sim quero-te muito, a ti;

sinto muito,
sim, sinto muito a tua falta,
saudades,
tantas que elas são.

E onde estarás tu agora...onde estas tu e para onde me levaste?

Luto



Se esticar mais
Vai-se partir
Esta corda de aço
Vai-se partir
Se puxares mais
Eu vou morrer
Esta corda de aço
Vou morrer

Ainda me dóis no peito
Sinto quando me pensas
Fazes-me esta tortura
Deixas-me em ponto de loucura.
E vais como quem não sabe,
o que provoca esta saudade
Não a quero, não a quero!

Se esticar mais
Vai doer
Esta corda de aço
Vai doer
Se puxares mais
Eu vou desaparecer
Esta corda de aço
Vou desistir

Rebenta sempre a dor
e arde ainda esta chama
que te queima
no meu peito,
que atormenta os dias
que não passam
que me arrastam

Ferido ardor
nas nossas almas
as promessas de voltar.
E arde ainda esta chama
que te queima
no meu peito,
que atormenta os meus dias
que não passam
que me arrastam

Se esticar mais
Vai-se partir
Esta corda de aço
Vai-se partir
Se puxares mais
Eu vou morrer
Esta corda de aço
Vou morrer

Não vou ficar
Nem mais um minuto.
Estou de luto,
Estou de luto.

Six Word Story

Stop thinking about me, it hurts.

26.1.14

Quebramos os dois


Era eu a convencer-te de que gostas de mim,
Tu a convenceres-te de que não é bem assim.
Era eu a mostrar-te o meu lado mais puro,
Tu a argumentares os teus inevitáveis.
Eras tu a dançares em pleno dia,
E eu encostado como quem não vê.
Eras tu a falar p'ra esconder a saudade,
E eu a esconder-me do que não se dizia.
Afinal...
Quebramos os dois afinal.
Quebramos os dois...
Desviando os olhos por sentir a verdade,
Juravas a certeza da mentira,
Mas sem queimar de mais,
Sem querer extingir o que já se sabia.
Eu fugia do toque como do cheiro,
Por saber que era o fim da roupa vestida,
Que inventara no meio do escuro onde estava,
Por ver o desespero na cor que trazias.
Afinal...
Quebramos os dois afinal,
Quebramos os dois afinal,
Quebramos os dois afinal,
Quebramos os dois...
Era eu a despir-te do que era pequeno,
Tu a puxares-me para um lado mais perto,
Onde se contam histórias que nos atam,
Ao silêncio dos lábios que nos mata.
Eras tu a ficar por não saberes partir,
E eu a rezar para que desaparecesses,
Era eu a rezar para que ficasses,
Tu a ficares enquanto saías.
Não nos tocamos enquanto saías,
Não nos tocamos enquanto saímos,
Não nos tocamos e vamos fugindo,
Porque quebramos como crianças.
Afinal...
Quebramos os dois afinal,
Quebramos os dois afinal,
Quebramos os dois...
É quase pecado que se deixa.
Quase pecado que se ignora.

Toranja

22.1.14

Felicidade



"Todos os dias vou adormever aqui, a ouvir-te respirar. Todos os dias vou acordar aqui, a ouvir-te respirar. E a felicidade existe. Ouvir-te respirar é a prova de que a felicidade existe."

'In Sexus Veritas' - Pedro Chagas Freitas

20.1.14

Podia




Podia ter-me esquecido das tuas mãos
No entanto elas, aqui
tão cheias de mim como dantes

Podiam-se ter libertado desta pele pegajosa
que as colacam no corpete asfixiante
No entanto elas, aqui
tão presas como dantes

Podiam ter deixado de me cheirar
este cheirio que fica
No entanto elas, aqui
tão profundamente embriegadas neste aroma


19.1.14

Tu lhes dirás


"Tu lhes dirás, meu amor, que nós não existimos.
Que nascemos da noite, das árvores, das nuvens.
Que viemos, amámos, pecámos e partimos 
Como a água das chuvas.
Tu lhes dirás, meu amor, que ambos nos sorrimos
Do que dizem e pensam 
E que a nossa aventura, 
É no vento que passa que a ouvimos, 
É no nosso silêncio que perdura. 
Tu lhes dirás, meu amor, que nós não falaremos 
E que enterrámos vivo o fogo que nos queima. 
Tu lhes dirás, meu amor, se for preciso,
Que nos espreguiçaremos na fogueira."

Ary dos Santos

10.1.14

Como sempre foi



Existia sempre tão boa medida, como remédio, e os seus olhos procuravam-na, mesmo sem saber de onde nem de quando a encontraria.

Eram assim os seus dias: a procurar por ela, que sempre viria, mas que nunca chegava. 

E por agora, soltava o grito mudo que nunca saía e o estrangulava a cada hora que passava.

Deixaste a fasquia muito alta, sabes. Como será agora que não te vou ter mais.

Será como sempre foi, um dia igual ao outro, e a todos os que já passaram, os que hão de vir, serão como os que já foram, sem mim.

O que não tem remédio, remediado está, pensava. Agora é continuar como sempre fui, e como sempre vou ser. Agora é continuar como sempre serei e continuarei. Não vou desistir de te procurar, nem que seja dentro das memórias, nem que seja dentro dos teus olhos que já não vejo. Vou continuar a procurar-te, e vou continuar a encontrar-te no ponto em que esta corda se esticou, neste ponto profundo do meu peito, que quase rasgado ainda te puxa.

Agarrou na corda e puxou-a com força, toda a que conhecia de si, dos seus braços fortes de marinheiro. O barco aproximou-se flutuando, entrou. Pegou nos remos e remou para longe, para onde ninguém o pudesse ver. Para onde pudesse sozinho e com ela, aprecisar aquele por do sol, o deles.

9.1.14

L'important C'est La Rose



"Toi qui marches dans le vent 
Seul dans la trop grande ville 
Avec le cafard tranquille du passant 
Toi qu'elle a laissé tomber 
Pour courir vers d'autres lunes 
Pour courir d'autres fortunes, 
L'important... 

L'Important C'Est La Rose 
L'Important C'Est La Rose 
L'Important C'Est La Rose 
Crois-moi 

Toi qui cherches quelque argent 
Pour te boucler la semaine 
Dans la ville tu promènes ton ballant 
Cascadeur, soleil couchant 
Tu passes devant les banques 
Si tu n'es que saltimbanque, 
L'important... 

Toi, petit, que tes parents 
Ont laissé seul sur la terre 
Petit oiseau sans lumière, sans printemps 
Dans ta veste de drap blanc 
Il fait froid comme en Bohême 
T'as le coeur comme en carême, 
Et pourtant... 

Toi pour qui, donnant-donnant, 
J'ai chanté ces quelques lignes 
Comme pour te faire un signe en passant 
Dis à ton tour maintenant 
Que la vie n'a d'importance 
Que par une fleur qui danse 
Sur le temps... "




8.1.14

Medo



"Quem dorme à noite comigo
É meu segredo,
Mas se insistirem, lhes digo,
O medo mora comigo,
Mas só o medo, mas só o medo.
E cedo porque me embala
Num vai-vem de solidão,
É com silêncio que fala,
Com voz de móvel que estala
E nos perturba a razão.
Gritar quem pode salvar-me
Do que está dentro de mim
Gostava até de matar-me,
Mas eu sei que ele há-de esperar-me
Ao pé da ponte do fim."

3.1.14

Legend of the Pheonix




From the ashes I raise again
With a new beginning from within

Looking to the wrong side I was
But now I know
Witch path to take

From the lights above I see
From the sun shining on me
Now I know they'll guide me home

And all the wounds will close
And all the blood will return to the heart
And the beat will take me further

27.12.13

Loucura Renovada



E a Loucura fez-se a si própria
Construiu-se e renasceu
Apoderou-se dela
Tomou-a por completo
Repleta de insanidade
No clarear da realidade
Tentou tomar novo corpo
Fez de mil formas a sua
Sugou a sensatez
E voltou a erguer-se
Sob a sua podre imponência

Six Word Story

Move that way, make me crazy.

16.12.13

Six Word Story

Nothing will never let me go!

Não há quem

Não há quem me leia, mas continuo a escrever.
Sou poetisa das sombras, continuo aqui mesmo sem me ver.

Não há quem me leia, mas continuo a dizer,
Se algum dia as encontrarem,
Estarão aqui para se beber.

Não há quem me leia, mas continuo a cantar,
Talvez a melodia tenha mais força para voar.

Não há quem me leia, mas continuarei a deixar,
Que estas palavras me saiam
E me fujam sem nunca mais as abafar.

Não há quem me leia, mas continuarei,
Até que a mão me pare, e a respiração se cale.
Então nesse dia, talvez alguém me vá escolher.

10.12.13

A Teia





Fiquei colado na tua teia. Mexo-me e remexo-me, volto e reviravolto, e nada, não me liberto de ti. Montaste a teia e apanhaste-me distraído, e eu caí.

E agora, que faço.

Vou tecer uma teia também para te agarrar, e vou-te prender mais do que me prendeste a mim. Vou enrolar essa teia nesta que me prende e serás prisioneira comigo.



Six Word Story


Shocking day was, nothing else remained.

18.11.13

Solidões




Olhos brilhantes, cabelos ao vento, nada mais importava.
Se os sonhos fossem todos assim, se a vida fosse toda assim, mas não, a vida é dura, tão dura que ás vezes nos sentimos como se tivéssemos ido contra o muro, ou ás vezes sentimos que somos também nós um muro.

Fechou-se como uma ostra ao primeiro toque, apertou-se em si, e não se mexeu mais, a ver se nada acontecia, estava já tão confortável dentro daquela casquinha, que qualquer tentativa, mesmo que bondosa, de qualquer proximidade a faziam retrair-se. Preferia estar sozinha, ficar sozinha, umas horas acompanhada eram o suficiente.

Tinha-se habituado à solidão do coração, era mais confortável assim, sofria menos assim. Aconchegava-se naquele manto, e deixava-se ficar na esperança de não ser perturbada.

Naquele dia, naquele dia tudo mudou, naquele dia a concha não teve a mesma força, naquele dia a solidão pareceu-lhe menos confortável, e os seus olhos brilharam.

Talvez um dia, pensou ela, talvez um dia eu consiga...

14.11.13

(Re)Começos




Tudo ja tinha sido previsto, ela já o tinha enfrentado. E não fora de agora não, já o tinha feito antes, continuava a fazê-lo, por ela, por todos, mas principalmente por ela, por si mesma, e pelo seu amor próprio.

Desejava um novo começo, apagar o que aconteceu seria a prioridade, E ele vai ter de se por nos eixos, rédea curta, rédea curta, que estes marinheiros gostam tanto de alto mar como de mocinhas ingénuas e frágeis. Sim, rédea curta, que o que é  meu é meu, e não será de mais ninguém.

Os olhos brilhavam, a brisa tocava-lhe o rosto, uma nova esperança renascia.

Sorte



Ama-me a verdade e não me deixes cair na morte, que dessa sorte todos teremos um dia.

18.10.13

Banalidades




A música tocava ao longe, e ele permanecia ancorado, olhando aquela rapariga sem entender o porquê nem como ela o prendia daquela forma tão particular.

Ela até nem é assim tão bonita, pensou. Mas aqueles olhos, há qualquer coisa nela, o que é que esta miuda tem.

Eda sorria, finalmente sorria abertamente, depois de tanto tempo fechada sobre si mesma. Estavam sentados na mesa do café, e conversavam animadamente sobre os planos que tinham para a noite do fim de semana que se aproximava.

Não era a primeira vez que a via naquele café, e desde o primeiro dia que se sentiu preso àquele bem estar. 

Tenho de arranjar maneira de meter conversa, tenho de descobrir quem é ela. Tenho a sensação que já a conheci em algum lugar.

Artur, então, estás bom pah. Dá cá um bacalhau.

Então, tudo bem, senta-te.

Já chegaste há muito, pah desculpa lá o atraso, é que vim de autocarro e apanhei muito trânsito.

Não, cheguei há uns dez minutos, mas já foi o suficiente para ficar preso àquela miuda ali, estás a ver, aquela morena sempre a rir-se, sentada com aqueles dois rapazes, já não é a primeira vez que a vejo aqui, e nunca está com namorado. A míuda tem cá uns olhos, já viste.

Eh, espera, eu conheço-a. Eda. Oh Eda. Então, ao tempo miúda, que é feito de ti que já não te vejo há tanto tempo. Olha, este é o Artur o meu amigo.

Prazer.

Igualmente.





11.10.13

Another Day



It was another day, another day as many had been. And she was reading for the third time of many, the same words that made her feel warm, and now make her feel so cold.

They were so happy, but only for a short period of time. The time that they never had, the time that they wished that never existed. The time of all the times, were they loved each other as if the world would end in the minute after.

Again she read all the words, one by one, each and every single word made echo inside her chest, and she bled again until nothing left but only words written on a piece of paper, like in the old times.

Now she's burning that letter, and with it burns all the pain that he left on her.

Nothing more matters now.

Tomorrow is another day.

Feelings



Some times feelings are just a point of view.

10.10.13

Roads



Temos longos caminhos a percorrer, o cheiro a terra molhada, e os pés descalços a sentir o chão.

E será que mais alguém vê, que esta guerra é nossa, e que temos de a atravessar sozinhos. Nela seremos nós, não haverá ninguém mais.

Atravessaremos mares, conquistaremos montanhas. Ninguém mais, apenas nós.

Sinto a tua dor, bem fundo no meu peito, porque a tua é igual à minha, e nela somos um.

E como nos sentimos agora, neste exacto momento. Sinto-te como és e como sou.

Comove-me como somos iguais, somos a mesma pessoa observando-se de ângulos diferentes.

Somos a mesma pessoa com duas perspectivas diferentes, olhando o mesmo ponto do universo.


Remédio



Que remédio haverá para curar esta doença.
Não me sairá este ácido que me corrói as entranhas.

E depois este barulho
ah!!! este barulho que não se aguenta
este silêncio que atormenta
Estas pegadas que não se apagam.
Estas velas que não se consomem.

E assim, esta cura que não tem doença
e esta doença que não tem cura,
 martirizam-me e destilam-me a alma.

E por cada gota dela que cai,
se vai juntando um pouco mais de mim
para te oferecer,
que me guardes enfrascado
e me deixes lá ficar até morrer.

8.10.13

A Morte




E aquele corpo ali estendido, fazia-lhe confusão, não conseguia entender, ele estava ali e não estava.

Ela aproximou-se, sentiu-se zonza, não compreendia, Será isto a morte, pensava ela, Será que é isto que sentimos quando nos aproximamos da morte.

Olhou-lhe a cara, esticou o dedo indicador e com algum receio, meia a tremer, tocou-lhe na bochecha. Sentiu um arrepio longo por toda a coluna, mais tonturas, mas aguentou-se.

Uma lágrima caiu-lhe do rosto, apenas uma. Apenas uma gota de água salgada, era tudo o que tinha para lhe dar. Não havia mais ninguém ali para receber, para quê dar mais lágrimas.

Uma era suficiente, uma lágrima apenas, concentrando toda uma vida de memórias, de tempo, e de outras lágrimas.

Afastou-se.

A lágrima tinha caído na beira do caixão, e ela ficou ali a contemplar aquela micro poça de emoção. Não chorou mais. Deixou-lhe uma rosa, pousou-a no peito, do lado esquerdo, para ficar junto ao coração.

O teu corpo vai, mas tu ficas comigo.

E foi-se embora, saiu dali, daquela negrura, daquela nuvem que a todos envolvia. O ar era fresco, mas o sol aquecia a pele. Caminhou até encontrar um banco e sentou-se. Ficou a contemplar a paisagem que se estendia perante aquele momento. Respirou fundo e fechou os olhos.

Sentiu na sua mão, uma outra mão.

Eu sabia que ficavas.

Eu disse-te que não partia.

Amo-te.

Amo-te.

7.10.13

Nós



Hoje acordei triste.

Ainda te sinto agarrada a mim, colada em mim com esses grandes olhos penetrantes. 

Sabes, deixaste a fasquia muito alta. Vai ser difícil esquecer isto. Foi tão intenso, tão profundo. Não veio desta vida não, tenho a certeza que não, não pode ser só desta. Não pode...

Hunf...

Lembro-me dos teus cabelos no meu corpo, a tua respiração, enquanto de olhos fechados sonhavamos o nosso futuro.

Tu vias-te a viver comigo, tipo casados.

E tu olhavas-me com esse ar meio eufórico, meio assustada, como quem não sabe muito bem se é um sonho isto que nós temos.

E agora ainda o temos. Sim, temos, porque tu foste-te embora, mas ficaste. Deixaste a ponta daquela corda que estica, bem amarrada no meu peito. E agora, ela está tão esticada, que há dias em que quase sufoco, de tão difícil que se torna um simples inspirar.

Apertas-me por dentro. Apertas-me o coração. Queria-te dizer tantas coisas que não posso, não posso, ia-te magoar ainda mais. Mas sei que tu sabes, porque apesar de não o ter dito com a boca, tu leste-o nos meus olhos, naquele momento em que nada mais existia a não ser nós dois.

E tu sabes, este vai ser só teu. Por muitas mulheres que passem pela minha vida, ou apenas mais uma, tu serás sempre tu, e eu serei sempre teu.

Aquela rapariga de olhos penetrantes que me prendeu na sua teia. Que me enfeitiçou, qual bruxa desvairada, perdida, e que eu resgatei. Aquela rapariga que de quando em vez se transformava, era felina, uma fêmea felina, que me devorava, e que eu adorava.

Serás sempre tu, aquela que me trespassou de tal maneira, que nunca mais se fechará esta chaga, e que eu não deixarei fechar.

E um dia, quando já formos velhinhos, um dia em que quase já não nos lembrarmos da existência do outro. Nesse dia, um de nós irá morrer, e o outro irá dizer-lhe um até já, porque a nossa história nunca será 'coisa do passado', nós nunca seremos uma 'aventura do passado', porque nós não somos tempo, não temos passado, nem presente, nem futuro, somos nós, apenas, como sempre fomos.

Nós seremos sempre nós, mesmo que as nossas vidas não se voltem a cruzar. 

Tu estarás sempre em mim, e eu estarei sempre em ti.

Até que a eternidade nos separe.

Six Word Story

One little step. More road ahead.

4.10.13

Dias Antigos



Os dias vão-se passando, e ela não consegue esquecer. A vontade de voltar atrás e apagar tudo com borracha permanente, (sim, permanente como a tinta, mas ao contrário), é tanta que quase consegue viajar até lá para cumprir tão penosa missão.

A dor foi tão forte, a mentira tão grande, e aquela criatura que não tinha culpa, aquela pobre criatura que não imaginava se quer o tamanho da mentira que a cobria.

Foram dias luminosos para eles, mas que se transformaram em sombras depois. Como um fósforo, ardeu e ficou apenas carvão, e como o carvão, sujou tudo porque foi remexido.

Eda, estás bem. Estás aí com um olhar tão esquisito.

Estava a pensar numa história antiga.

Oh querida, ainda pensas nele.

Sim, apesar de tudo ainda penso nele. Não consigo Xavier, é mais forte que eu.

Eu sei meu amor, anda cá, eu dou-te um abraço e isso já passa, vá.

Ele abraçou-a com força. Mas não passou, foi ainda pior. A força daquele abraço, transportou-a para o abraço, aquele abraço em que tudo começou, aquele abraço que levou a mais abraços de respiração profunda, de alívio, de saudade.

Pobre coitada, e ela não sabia de nada, o que é que eu fui fazer Xavier, o que é que eu fui fazer.

Vá não te martirizes.

Abraçaram-se novamente, e Eda chorou até adormecer.

3.10.13

Escrevo-te



Há dias em que o tempo passa, e a noite vem mais cedo, antes do sol se por.
Há dias em que a claridade da luz fere a vista, e estamos melhor enrolados na nossa manta preta, no aconchego dos problemas, até que a noite volte.

Há dias em que escrever a tua história, é um reviver na tua pele, na nossa pele. E nesses dias, tudo parece irreal, a minha vida parece irreal, o meu mundo, os sorrisos. 

Nesses dias o tempo pára, e eu sou tu, sinto-te entranhada em mim, visto-te, e visto o resto de todas as pessoas que por ti passaram. Dás-me tanto e já cá não estás.

Obrigas-me a viver-te, a ver o que os teus olhos viram, a respirar o mesmo ar, a sentir as mesmas dores, a secar as mesmas lágrimas.

Não há maior honra que esta, a de te ter comigo sem cá estares, a de continuar a receber tanto de ti, mesmo sem saberes.

A minha fonte, a minha força.

...e porque é quando estou mais fraco, que sou mais forte.

2.10.13

No Way



There's no way
I'm going down
there's no way
I'll hit the ground
And the voices
tell me not to waist more time

there's no way i'm turning black
there's no way i'm coming back
to the land
of murderers and scars

You will see
My fire burning your
crime desires

There's no way
I'm going down
there's no way
I'll hit the ground

And you'll see me
raise again



1.10.13

Six Word Story

Cold body on the ground. Death.

O Beijo



Não me deixes no silêncio
o teu silêncio dói-me
Doem-me menos as tuas palavras
mesmo que seja para me dizeres coisas banais
mesmo para me dizeres que não me amas

dói menos
esta dor que já te falei

não me deixes no silêncio
beija-me antes
beija-me este beijo apaixonado
beija-me mil vezes
beija-me mil vezes infinito
que se não te posso ter
que pelo menos o teu beijo
se torne meu
e nunca mais se acabe

beija-me, beija-me meu amor
..e que eu te possa chamar de meu amor
mesmo não sendo meu
serás amor para mim

beija-me meu amor
beija-me e leva o meu coração
este que já aí mora
que já se aninhou no teu peito
na tua mão

beija-me até ser dia
e beija-me até que a noite volte
para que nela nos deixemos envolver
até que o tempo se acabe

beija-me
beija-me até não haver mais saliva
até perder o fôlego
beija-me enquanto doer
e depois beija-me de novo
beija-me outra vez
beija-me até morrer

e quando morrer
beija-me novamente
e sente os meus lábios frios
que já não sendo meus
serão apenas a memória do que fui
mesmo já não tendo lábios
levarei os teus nos meus
para qualquer outra vida
para onde vá
te encontrarei

30.9.13

Psycho Killer



Não te sobra nada, se não apenas tocares no seu corpo, ali deitado à tua espera. E no entanto não te mexes, ficas preso a essas asas que não voam, não te moves.

Não te resta mais nada a não ser observares o sangue que ensopa os lençóis. E no entanto tentas vesti-los, para te sentires na tua pele.

Não te resta nada, absolutamente mais nada. Nem os pedaços de carne que tocas horrorizado, e no entanto, com um estranho sentimento de satisfação.

Então é isto a morte, pensas tu. Então é assim que se fica depois de abandonarmos o nosso corpo. Carne, apenas carne, ensopada em sangue, carne, embrulhando ossos, partidos.

E que bem que te soube parti-los, parecia que estavas no jardim de diversões, nunca antes sentiste este prazer, nunca, antes eras apenas tu.

Mas agora, não resta mais nada a não seres mais do que apenas tu, és aquele que agora observas, de mãos envoltas num tom castanho avermelhado.

E ficas-te, apenas. Fascinado com o ser em que te tornaste.

Sei


sei que tudo em mim já foste
sei de que tudo em mim ficaste

 Já não sei mais que nada
reduzido tudo a nada

 sei que paramos o tempo
e que ficamos eternos
sei que ainda te tenho
mergulhado nos meus olhos

 este laço que estica
ainda cá está, ficou nó cego
e cego será

 até ao dia em que se fecharem os olhos
nesse dia deixará
e voltará a ver como nunca
o laço desfazer-se-á

nada mais permanecerá

28.9.13

There's something in the way she moves



Há de haver alguma coisa aí, tem de haver. Como é que me podes prender assim. Não me conheces, não te conheço e no entanto já me tens.

Tens-me porque te penso, dou comigo a lembrar-me de ti, do teu sorriso, da forma como me olhas, das palavras que já me disseste. Das conversas, das memórias que partilhamos, sim, não foram muitas, mas suficientes para me prenderes nesta ansiedade de te querer ver mais e mais.

Dou comigo a pensar-te, na vontade que estejas também tu a pensar-me, do mesmo modo. Dou comigo a sonhar-te, na esperança que a minha presença se faça sentir nos teus sonhos.

Não é nada de mais sabes, fascinas-me. É isso, fascinas-me. E nesta fascinação vais-me conquistando, enquanto procuro perceber porque é que me fascinas.

Mas sabes, o melhor de tudo é não saber porquê, é esta ansiedade, é este friozinho na barriga, o melhor de tudo é que me fascinas.

É isso, fascinas-me.




Duas palavras



Ela tremia, as lágrimas caíam como a água sai da torneira e Xavier estava aflito, nunca tinha visto a sua amiga naquele estado.

Depois do acidente ela tinha ficado com amnésia, já se tinha passado tanto tempo desde aquele dia, que as esperanças que ele tinha que ela se lembrasse do que acontecera tinham quase desaparecido.

Ele chorava com ela enquanto a tentava confortar. Ela só tinha dito duas palavras, duas palavras que o deixaram de garganta apertada, e de lágrimas no rosto, não conseguia imaginar a força de um sofrimento daquela dimensão.

Duas palavras, duas palavras que fizeram crescer nele um sentimento que nunca tinha experimentado antes, nem sabia muito bem o que estava a sentir, e ainda só tinha ouvido duas palavras.

Pobre coitada, pensava ele enquanto enchia um copo de água quase meio cheio de açúcar, Depois de tudo o que passou na vida, só me faltava mais esta. Eda, bebe a água querida, vai-te fazer bem, vai-te ajudar a acalmar.

Oh Xavier, como é que não me lembrei disto antes...

Vá lá, tem calma, é normal que não te lembrasses, tiveste um acidente, bateste com a cabeça, é normal que tenhas perdido a memória de alguns acontecimentos, principalmente acontecimentos antes do acidente...

Fui violada. Fui violada Xavier...

Aquelas palavras ecoaram por toda a casa como se fossem gás Sarin.

27.9.13

Eu arrisco, e tu?



Surpreendentemente encontro um caminho diferente de todos os outros, procuro entender o porquê deste me surgir assim, mas é difícil, prefiro então não entender mas procurar segui-lo da melhor forma, já que se mostra uma melhor alternativa a este onde caminho cansada de tudo e de todos.

Seguro nas mãos todos os meus medos, são escorregadios, teimam em escapar-se ao controlo dos meus dedos a todo momento, seguro-os com firmesa, e apesar da força com que se tentam libertar eu controlo-os.

Tenho na palma das mãos as esperanças de que este se torne numa melhor caminhada, 'Tu tens a força em ti!', sim, eu sei, tenho essa força tão valiosa, essa que me empurra para frente, tenho um pedacinho de luz, luz que me ilumina cada passo, que me mostra cada esquina da vida.

Posso não ir por ali, porque não manter-me neste caminho, que apesar de me deixar cansada é completamente previsível, aparentemente normal, igual a muitos outros. Sim, precisamente por ser previsível, precisamente por ser igual a todos os outros, é uma história da qual já quase que adivinho o seu desfecho, e não é isso que quero sentir.

Eu quero viver intensamente, não na calma de águas paradas, o mar é belo pelas suas ondas e tempestades, e eu preciso de senti-las, por isso escolho este caminho. Este do qual não adivinho nem metade do desfecho, do qual não sei se chego ao fim, mas este que me fará sentir na pele todos os segundos, todos os sentimentos, este que me fará sentir o valor da vida, e que realmente vale a pena viver por amor, este que me obrigará a ser lutadora, a procurar a sabedoria das horas, das batalhas, este que me fará uma guerreira, guerreira da paz, guerreira do amor, este que me fará auxiliadora dos mais fracos, que me mostrará o verdadeiro sentido da vida.

Qual caminho poderia eu seguir se não este. Ficar acomodada ao que tenho e não enriquecer o espírito por medo, por cobardia, não. Isso não. A evolução faz parte de nós, e eu quero evoluir, quero arriscar, mesmo com medo de poder cair, eu sei que tenho uma mão estendida para me voltar a levantar... Eu sei que tenho sempre uma companhia para me sustentar nas horas de maior dor, nas horas de maior dificuldade...

E tu, vais-te deixar ficar acomodado ou vais lutar pelo teu sonho, por aquilo que te faz sentir vivo.

Eu arrisco, e tu?

26.9.13

Tens o meu coração nas tuas mãos

Espera



Disseste que vinhas, disseste que vinhas e eu esperei. Esperei até deixar de sentir o meu corpo, até sentir apenas esta tua espera, desesperada espera, angustiada espera, que me dói como que se morresses a cada segundo que te continuo a esperar.

Na porta não soam as tuas mãos lá a bater, na campaínha não toca a tua chegada. E eu espero, continuo à tua espera até não ser nada, até me transformar em pó.

Não sou nada, nem ninguém me falará, até que tu chegues e termines com esta tortura de te esperar.

Cada segundo que toca, é um segundo mais apertado para o meu peito, é menos um segundo de respiração profunda, que sem ela, a respiração, não sou nada.

Ou seja, não sou nada sem te poder respirar.

E esta espera mata-me, e eu ficarei à tua espera até que o tempo acabe, e se canse de me esperar que me canse desta tua não vinda.

Morrerei quando esse tempo acabar, e não houver mais horas, não houver mais nada que me sustente, e que me diga que afinal não vais voltar.

Six Word Story


Desire, desire, desire. Bodies, bed, explosion.

25.9.13

Memórias



"Cuida bem de ti e da tua vida, não olhes para trás, e nunca te arrependas de nada."

A cara já estava inundada há muito tempo, mesmo antes de ter aberto novamente aquela carta, ela já chorava deseperada, era a terceira vez que lia aquelas palavras, e de cada vez que os seus olhos a percorriam era como se ela estivesse ao lado dela a falar-lhe.

Como é que me pôde escapar, as irmãs esconderam-me mas eu sabia de tudo, como é que me pôde escapar...

Não se conseguia conter, as imagens do que tinha acontecido vinham à sua mente vezes sem conta, e ela soluçava...

trrrr.....trrrrrr.... a campainha da porta tocou. Eda limpou o rosto o melhor que conseguiu, olhou no espelho e torceu o nariz ao ver os olhos inchados do outro lado, colocou uns óculos de sol para disfarçar, desceu as escadas. 

Xavier.

Olá querida. Eda! Fofa, não me digas que te esqueceste de mim, pelo aspeto das tuas roupas parece que não vamos fazer nada mesmo, não é sua preguiçosa.

Eda esboçou um sorriso meio forçado.

Entra Xavier, hoje não estou com disposição, preciso de te contar umas coisas.

Olha lá, só agora é que reparei, se não vamos sair para que é que são esses óculos de sol.

Ela tirou os oculos e no mesmo instante ouviu-se um gritinho de horror.

Valha-me deus mulher, o que é que aconteceu para estares com esses olhos inchados dessa maneira. Quem foi o estúpido. Diz-me que eu parto-lhe as trombas.

Não é nada disso. Até preferia que fosse... tenho muitas coisas para te contar Xavier...

Ai, estás a deixar-me nervoso. O que é que se passa.

Vamos subir, preciso de desabafar. Já ficas a saber.

Claro querida, conta-me tudo. Já sabes que estou aqui do teu lado para o que der e vier.

Subiram as escadas, foram para o sofá da sala. O sol batia pela janela e reflectia-se por toda a divisão, deixando um tom dourado no ar, ficava tudo com um ar ainda mais confortável.

Senta-te, vou só buscar uma coisa.

Quando voltou trazia um papel na mão, era a carta. Sentou-se a tremer, tremia porque ia falar pela primeira vez sobre tudo o que tinha acontecido.

Ai, vá lá filha, abre essa matraca, estás a deixar-me morto de curiosidade para saber o que é que se passa.

Os olhos de Eda, voltaram a marejar.

Oh Eda, respira fundo querida, temos muito tempo, desculpa, começas quando estiveres preparada.

Ela respirou fundo enquanto pensava, Tenho de falar, tenho de deitar isto tudo para fora.

Xavier.

Sim.

Eu lembrei-me. De tudo.

Sentir



Os teus olhos.

E naquele instante não vi mais nada, não ouvi mais nada, não respirei mais nada.

Quero vê-los outra vez, poder deixar que mergulhes com eles, neles. Deixar que me faças sentir mais completo. Não fazem de mim mais homem não, mas sabem bem onde mergulhar, em que jardim entrar, que espaço preencher. 

Tu...

Sabes, nunca fui muito bom com as palavras, mas gosto tanto de te escrever, de te sentir na ponta dos dedos, e de escrever o teu corpo neles, de te estudar até ficar saturado de ti. Mas sabes, não fico. Não me saturas, nem que ficasses nas minhas mãos por toda a eternidade.

Ainda te sinto nelas, todas as tuas curvas, a suavidade da tua pele, o quente do teu corpo, os teus lábios molhados sobre os meus dedos... 

Ainta te sinto nelas, e no resto de todo o meu corpo, como se de uma segunda pele te tratasses, como se de uma primeira pele para ser mais realista. Porque não me sais. Entranhaste-te em todos os meus poros.

Acordo todos os dias com o teu cheiro, sim, ainda sinto o teu cheiro. Ele fica sabes, o teu cheiro fica. Entranhou-se tanto como tu, toda tu.

Vou sentir-te sempre, como agora. Vou-te sentir nas minhas mãos até que elas te toquem novamente, e vou sentir-te outra vez, até deixarmos de ser gente.

23.9.13

Six Word Story

See inside you, Warm feeling resides.

Segundo de Eternidade



Não sabia que seria assim, que arrancarias de mim esta noite, esta negrura que me abraça desde sempre.

Ás vezes dizias que a vida dura um segundo de eternidade, que sentias isso nos meus braços.

Eu também te sentia assim. Mas agora atravesso o deserto. Sem que nenhum oásis de ti me apareça.

Os teus olhos não me saem, não me sai da cabeça aquele dia em que os vi pela primeira vez. Nem o dia em que os senti dentro de mim pela primeira vez.

Bruxa, és uma bruxa que me enfeitiçou. Lançaste-me um feitiço tão forte que não passará nunca mais. Serei para sempre teu. Sempre teu, naquele segundo de eternidade que dura a vida, que durou o nosso amor.

Um segundo de eternidade que mudou o meu mundo para sempre. Eu faço parte de ti agora, e tu de mim.

Foste embora, mas eu continuo a sentir-te mergulhada nos meus olhos. E continuo a sentir aquele aperto no peito, que agora, só passa quando à noite adormeço e te visito nos meus sonhos. Quando à noite me deito e viajo no tempo, para aquele segundo que nos fez tudo, que mudou tudo...

Aquele segundo em que fomos o fogo mais ardente de todos os fogos, em que nos consumimos e deixamos de ser dois.

Naquele segundo, em que fui o melhor de ti e tu de o melhor de mim.

Naquele segundo em que não existiu mais nada além de nós.

20.9.13

De manhã



Eda saiu à rua, e o cheiro de pão quente invadiu-lhe as narinas, respirou fundo e deixou que a saliva lhe inundasse a boca. Era uma manhã ensolarada, daquelas manhãs mornas de luz e de som. As peixeiras da ribeira já se ouviam lá ao fundo ao pé do rio. Desceu a rua até à padaria da Dona Jacinta.

Bom dia menina, o mesmo de sempre.

Sim Dona Jacinta, o mesmo, obrigada.

Andou desaparecida, já andavamos a comentar o que é que se teria passado, a menina avisa sempre quando vai de férias.

É verdade, desta vez foi um bocado à pressa, não tive quase tempo para fazer as malas.

Ah, pois. A Jucefina não se calou estes dias todos a dizer que já a tinham raptado. Esta Jucefina e as histórias é com ela, a menina já sabe que ela é uma língua comprida, aquela dali não diz uma frase sem acrescentar alguma coisa. Mas como eu não engravido pelos ouvidos não acreditei nela, e o certo é que a menina está aqui, normalzinha como sempre.

Eda sorriu levemente, pagou o pão, e saiu. Na verdade, não tinha ido de férias, a sua estadia no hospital tinha durado mais do que esperava, mas não queria contar pormenores, que a coscuvelhice era o mote do dia, e ela não estava para aí virada, nem tanto nem tão pouco.

Eda, porque é que fizeste aquilo.

Não sei, não me lembro bem do que aconteceu.

Não te lembras, tu tentaste afogar-te rapariga. No meio da noite, com um mar bravo, e tu enfiaste-te por lá dentro. Ainda bateste contra as rochas. A tua sorte foi teres sido cuspida para a praia. Foste encontrada por um pescador, que te ajudou.

Sim, tenho uma vaga ideia.

Marejaram-lhe os olhos e ainda quase não tinha chegado a casa. Meteu as chaves na porta e entrou, já não via nada a não ser um mar na sua frente, e sentia a cara regada de lágrimas. Pousou o pão na mesa da sala, e foi buscar a carta.

A carta.

18.9.13

Amor Pecado




“Fomos o amor proibido e nem assim deixámos de ser o amor sagrado,

só o nosso amor limpa o pecado,
só um amor assim é sagrado,
amei-te como se não houvesse pecado.” - Pedro Chagas Freitas

16.9.13

Mentiras



Em meu nome ficam cegas as tuas mãos.

Meu corpo reconhece-se nos recantos do teu olhar, e a frieza dos encontros às escondidas esfuma-se...

Mentiras... Tantas...

Que de tantas e tantas vezes me olhaste sem me veres, que de tantas e tantas vezes teus olhos se foram para os dela, sem a procurares...

Mentiras.. Tantas..

Por vezes as mentiras são o único pecado possível para atingir a salvação.

Isso pensavas tu...

5.9.13

It's a long way



"It's a long way to the top if you wanna rock n' roll"

Adoro esta música. É demais.

Eu também, e o tipo sabe dar espectaculo.

Este publico é escandaloso. Do melhor que há. Fiquem bem, e até uma próxima.

Eda, queres ir para outro lugar, o concerto já terminou.

Sim, vamos.

Beba lá a água menina, você deve ter andado na água, tem a roupa toda tesa. Lembra-se do que aconteceu.

Muito mal...

"It's a long way.."

Lembro-me de uma música, estava a ver um concerto. O vocalista não parava de dizer que éramos um publico escandaloso... e..

E. Não se lembra de mais nada, bebeu muito estou a ver. Ai, esta juventude está perdida Senhor.

Bebi um pouco, mas não estava bêbeda.

Eda... não te metas na água, está muito escuro, é perigoso. Eda.

Lembro-me de entrar no mar, estava a saber-me bem. Depois disso é tudo muito vago..

A menina estava a tentar matar-se.

Não. Acho que não...

Então porque é que entrou no mar, não tem estado muito calmo nos últimos dias, e ontém à noite estava bastante picado...

Eda. Edaaaa. Não faças iss... CUIDADO.



4.9.13

Six Word Story

Big mama cries. Less one is.

Ás vezes...



Ás vezes o corpo adormece, e alma perde-se em divagações infinitas.