9.4.14

Update: 10 Anos já lá vão


Os livros que tinha para oferecer já estão todos atribuidos, fico muito contente por ver que afinal este blog ainda tem leitores.

Muchas gracias por me lerem!!!

Infelizmente os livros não dão para oferecer a todos, e como disse, foram atribuídos por ordem de contacto.

Contudo, quem ainda estiver interessado em adquirir um exemplar, pode entrar em contacto comigo através do email deste blog (zanasmail@gmail.com) e eu darei todos pormenores necessários para poderem receber um destes no conforto do vosso lar.





8.4.14

Six Word Story

Sunset. Beautiful love story happening there.

Gimme all



If I go your direction
where will we go
If I look for your affection
where will you take me
you know

Nothing to care more
nothing to do
nothing to feel at all

oh baby tell me
please (please) tell me
shake my lake
and gimme all you got

If I'm on your mind
I know it
So please... please...
shake my lake
and gimme all you got

you is kind
your is precious
you is important
So please.... please...
shake my lake
and gimme all you got


7.4.14

10 Anos já lá vão...



Dez anos já passaram desde primeiro post. Entre muitos sentimentos escritos, dissecados e arrancados da alma. Entre uma publicação de um livro, algumas paragens, e muitas, muitas horas de escrita, cá estamos, e que venham mais 10, e mais livros!

E em jeitos de comemoração, vou dar prendinhas! Pois é, tenho cinco livros para oferecer!!!

Quem quiser receber um livro meu, poderá fazê-lo enviando-me um email com a sua morada, e é tudo! Dias depois terá o exemplar em sua casa.

Podem enviar email com a informação para: zanasmail@gmail.com




4.4.14

Dias



Há dias em que nada me afasta deste silêncio.
Há dias em que a vida me afasta de mim mesmo, e me empurra para ti.
Tu que me olhas desse lado do espelho.
Tu que me ardes e me mordes com esse olhar.

Há dias que te quero deste lado.
Há dias em que nada te faz mais inteira que as minhas mãos.
E tu dizes que me gostas, assim toda dentro de mim.
E tu dizes que mergulhas nos meus olhos, e que abres aquela porta que ninguém sabe.

E esses dias são eternos, não se vão.
Pararam no tempo e ali ficaram.
Pararam e prenderam-nos lá dentro.

3.4.14

Six Word Story


See? You love her, admit it!

Reencontros



Ahhh, que alívio. Senti tanto a tua falta, saudades desses olhos ardentes.

E eu das tuas mãos, do teu abraço, de respirar fundo.

Como pudemos estar tanto tempo sem nos tocarmos. Como é que eu aguentei tanto tempo sem te cheirar.

Pensei que morria...

Sabes, neste tempo que passou, não houve um único dia em que acordasse e não me lembrasse de ti, e em que não sentisse este aperto no peito... Marcaste-me muito. Mudaste muita coisa em mim, mais do que imaginas...

Só Deus sabe como aguentei tamanha saudade. Como vamos fazer agora. Como fazemos para resolver esta situação. Como nos podemos encontrar, como podemos viver sem sermos julgados por não sermos iguais aos demais.

Não temos de resolver nada. Somos o que somos. Nós é que fazemos as regras.

Façamos as regras então.

Só se tem esta vida. Vamos vive-la como ela se nos apresenta.

Vamos viver então.

Sim, viver...

Abraços



Se me abraçasses agora morreria,
Não saberia mais por onde viver.
Era o fim da espera,
e o fim desta era.

Se te abraçasse agora, que seriamos mais
para além do que já fomos.
Não saberiamos ser normais,
nunca o quisemos.

Se nos abraçassemos agora,
o tempo parava.
Ficavamos suspensos no infinito
que criamos.

Mas preciso-te,
preciso de morrer nos teus braços
para renascer no suspiro seguinte.

Precisas-me,
precisas de me sentir em ti,
como para ti precisas de me ter
sempre, nesse abraço

Portanto, abraça-me até morrermos
um no outro,
para voltarmos ao que sempre fomos.

1.4.14

Unidade de Tempo



Saudade, é a unidade de tempo que nos une.
À parte isso, nada mais importa,
Apenas o momento em que nos reencontramos
Como sempre...

27.3.14

Somos



Porto de abrigo, sim, somos o porto de abrigo, não digas que não. Corres para mim quando te sentes só, e eu corro para ti quando o mundo me abandona.

Somos o porto de abrigo um do outro, quais marinheiros do tempo, que sempre retornam ao seu porto de origem.

Sim, somos origem, ponto de partida, estado zero.

Somos a origem de nós, a origem desta magia que acontece quando nos tocamos. A leveza de saber que estamos sempre lá, ali, do outro lado do tempo.

Tempo que não existe. Sim, não existe.

Porque parece que ainda ontem senti o cheiro do teu corpo, porque parece que ainda ontem me tornei apenas teu, porque parece que ainda há pouco te cheirei.

Somos assim, sempre fomos. Sim, sempre fomos.

Não é de agora que somos assim, não. Não é desta vida, porque nós não existimos no tempo, não somos apenas agora. Somos todas as vidas de todos os milénios que já passarem e que hão de vir.

Atravessamos oceanos de tempo, e mesmo assim somos nós, não há falha, não há dúvidas, não há certezas, apenas nós e aquilo que somos quando nos tocamos.

Somos nós, e isso basta.

25.3.14

É apenas o começo



É apenas o começo. Só depois dói,
e se lhe dá nome.
Às vezes chamam-lhe paixão. Que pode
acontecer da maneira mais simples:
umas gotas de chuva no cabelo.
Aproximas a mão, os dedos
desatam a arder inesperadamente,
recuas de medo. Aqueles cabelos,
as suas gotas de água são o começo,
apenas o começo. Antes
do fim terás de pegar no fogo
e fazeres do inverno
a mais ardente das estações.
Eugénio de Andrade

13.3.14

Mi ma bô



Um paixão ta nascê, ta começa
Um amor ta raiá, ta conquista

Ta nascê, ta começa
Ta raiá, ta conquista

Mi ma bô, bô ma mi
Nôs ta voá
Mi ma bô, bô ma mi
Nôs ta sonha

Bô é tudo qu'im crê, bô é nha luz
Nha coração ta batê forti pa bô

Sara Tavares

12.3.14

Não há


Já não existo,
e o lugar em que me vias,
deixou de estar.

A praia já lá não está,
e as tuas mãos vazias de mim,
já não têm mais por onde procurar-me.

Já não existo,
nesse tempo que era eterno, terminou.
O ponto de encontro,
o por do sol, terminou.

Agora é a terra que me acolhe.
Morna e terna me embala,
e me consome lentamente.

Agora é o peso da lembrança
que se vai desfazendo,
comida pelo tempo.

Já não há mais nada aqui.
O tempo acabou,
A lua foi-se
e as estrelas apagaram-se.

Já não há mais palavras,
Nada delas para ti já se pode dar.

Reinventar-se-ão para outras vidas
Outras histórias
Outros tempos eternos.

Porque aqui,
Aqui já não há.

7.3.14

Das pedras e da Luz



E a espera tornava-se tortuosa nos caminhos em que a loucura era normal.
Naqueles tempos, os loucos (aqueles que se diziam), nada fazim à conta do mal estar impregnado na alma.
Mas eis que ela apareceu, trazendo consigo um jarro de luz, daquela que não desaparece, que se estabelece nas células de quem a bebe.

Ilumiou-se quem tinha sede, quem não tinha, deixou-se ficar.

Empedreniram-se os invejosos, tentando nas suas batalhas abafar aquela luminusidade dolorosa.

Maldita, diziam. Maldita sejas tu mais a desgraça que trouxeste nesse teu jarro, que se parta, que ele se parta...

Ela continuava a dar de beber a quem lhe pedia, e contra isso eles (os eoutros), nada puderam fazer. Ainda tentaram (se bem que sem sucesso algum), partir aquele jarro, despejar o seu conteúdo, mas sempre que o faziam nada acontecia, o jarro inquebrável, e a água, aquela água espessa e luminosa, não parava de sair, e mantinha sempre o jarro cheio.

Como é possivel, choravam os desgraçados. Como será possivel  que não se parta um simples barro, e que não se esvazie tao pequeno tamanho.

Choraram até secar, e transformaram-se em pedras com o tempo, pedras que se ficaram nos caminhos dos que daquela água provaram...

Por todas as gerações seguintes, sempre se repete este ritual,  da-se de beber a quem tem sede, e ficam-se a chorar aqueles que não a querem, transformando-se nas batalhas dolorosas, na esperança de que aquela luz que tanto os encandeia, cesse um dia.

Ficaram assim pela eternidade, pois que a luz que cura, aquela luz que depois de se beber se instala nas células, não se apaga, não se extingue, passa de geração em geração, na tentativa de se poder multiplicar e purificar aqueles que dela têm sede, aqueles que a desejam.


27.2.14

Away it goes



Requesting some stupid issues
Alone just for some moments
There is something you don't know
(Let it go)

Away it goes
No matter what
(You know)

Saving some light inside
Alone just for some moments
There is something you can't see
(let it go)

Smothering some anger
Alone just for some moments
There is something you don't know
I won't accept it
...you can't see (the light)
(so let it go)

I'm not yours
I'm no ones
I'm me, myself

Away it goes
No matter what
(You know)

13.2.14

Nada de mim



Retiro todos os pontos e notas.
Não, não há nada de mim aqui.

Vou ali e já volto,
ao lugar onde me encontro sempre,
é sim, é lá
não é aqui.

Retiro, não,
não retiro.
não está nada de mim aqui
por isso não retiro.

volto a ecrever e reescrever,
não há nada de mim aqui,
apenas lá,
onde o lugar é só meu.

tu sabes onde sou eu.
é lá, no nosso lugar,
onde só tu me sabes encontrar.

11.2.14

Essa miúda




Essa miúda é uma fogueira
Que te acende as noites em qualquer lugar
E tu desejas arder com ela
Enquanto bebes o perfume
Que ela deita nos seus trapos de cor
Para te embriagar
Essa miúda é um exagero
Diz que sem ti não sabe voar
Mas tu adoras voar com ela
Enquanto inventas espaços novos
Ela vai arquitetando uma teia
P´ra te aconchegar
Essa miúda faz-te acreditar
Que o sol é um presente
Que a aurora trás
Principalmente p´ra ti
Essa miúda é uma feiticeira
Prende-te a mente e põe-se a falar
E tu bem tentas compreende-la
Mas o que sai da sua boca
Não parece condizer com o que ela
Te diz com o olhar
Essa miúda faz-te acreditar
Que o sol é um presente
Que a aurora trás
Principalmente p´ra ti

Jorge Palma

10.2.14

Primavera



Sábado à noite não sou tão só
Somente só
A sós contigo assim
E sei dos teus erros
Os meus e os teus
Os teus e os meus amores que não conheci
Parasse a vida
Um passo atrás
Quis-me capaz
Dos erros renascer em ti
E se inventado, o teu sorriso for
Fui inventor
Criei um paraíso assim
Algo me diz que há mais amor aqui
Lá fora só menti
Eu já fui de cool por aí
Somente só, só minto só
Hei-de te amar, ou então hei-de chorar por ti
Mesmo assim, quero ver te sorrir...
E se perder vou tentar esquecer-me de vez, conto até três
Se quiser ser feliz....
Se há tulipas
No teu jardim
Serei o chão e a água que da chuva cai
Para te fazer crescer em flor, tão viva a cor
Meu amor eu sou tudo aqui...
Sábado à noite não sou tão só
Somente só
A sós contigo assim
Não sou tão só, somente só
Hei-de te amar, ou então hei de chorar por ti
Mesmo assim, quero ver-te sorrir...
E se perder vou tentar esquecer-me de vez, conto até três
Se quiser ser feliz
Hei-de te amar, ou então hei de chorar por ti
Mesmo assim, quero ver-te sorrir...
E se perder vou tentar esquecer-me de vez, conto até três
Se quiser ser feliz
Hei-de te amar, ou então hei de chorar por ti
Mesmo assim, quero ver-te sorrir...
E se perder, vou tentar esquecer-me de vez, conto até três
Se quiser ser feliz....

The Gift

The way it was before

7.2.14

A Paz





Não há mais lugar algum, em que te encontre.
Dentro de mim reside apenas a lembrança
A paz, ficou por lá.
Retornará quem sabe
Aos espíritos destemidos que por ela se foram

6.2.14

Fundo




Não respiro.
Desde aquele dia que não respiro, aquele respirar fundo, aquele alívio. Os meus pulmões ficaram presos, não se abrem. E esta corda, tão esticada, que faz doer tanto.

Já não consigo ir à tona, continuo a descer até ao fundo deste mar que navegamos, o oxigenio é tão escasso. Que pedaço de dor deixaste comigo, a pior talvez, a pior dor que tínhamos, deixaste-a comigo, e ela pesa, e arrasta-me para o fundo, continua a afundar-me neste naufrágio inevitável.

Ah, que alívio. E respiravas fundo como se tivesses nadado até mim sem botija. Este aperto que só passa quando sinto o teu peito no meu, dizias. Era quase como se houvesse uma necessidade descontrolada de nos fundirmos.

Só alivia quando mergulho em ti, quando abres as portas da tua alma e me deixas entrar, para esse lugar, que só eu conheço, que nunca ninguém viu, nem vai ver, porque eu tenho as chaves, apenas eu consigo abrir essas portas. E estas chaves vão comigo, enquanto continuo em direcção ao fundo, cada vez mais, mais fundo.

Vou até ao fundo mais profundo, para deixar lá estas chaves, e vou voltar à tona para respirar, agarrar a bóia que me espera, e chegar ao porto seguro que me aguarda.

Não voltarei àquele lugar, nem eu, nem ninguém, pois essas portas só eu as abro, só eu sei como, só eu sei onde elas estão.

4.2.14

Lugar nenhum



Não vou a lugar nenhum
vou ficar aqui na minha solidão
até acordar deste sonho vagabundo

Não vou andar por aí
não sei por onde ir
vou ficar aqui na minha escuridão
até que algo me faça ver
se ainda existe luz

Não vou a lugar nenhum
vou ficar aqui no quente do meu coração
(solitário coração)
e ver o tempo a passear
lá longe
de mim

Não vou a lugar nenhum
vou ficar calma e quieta

até conseguir acordar

Six Word Story

From what are you running away.

31.1.14

Que assim seja




Nas tuas mãos me entrego oh Pai.
E que assim seja, agora e sempre
Que a Tua vontade se cumpra
A cada dia e a cada noite

Perdoai-lhes e perdoai-nos
pois não sabemos o que fazemos
Pois que este mundo em que vivemos
É mundo cão
e nele todos os dias nos perdemos

30.1.14

Só mais uma vez




O tempo parou
Naquele momento
Em que os teus olhos
Tocaram os meus

Sinto a tua pele mais uma vez
O teu cheiro entranha-se no meu corpo
Respiro-te, inspiro-te
Absorvo tudo o que deixas ficar

Fecho a porta e tu permaneces
O teu toque
O teu olhar.

Nos lençóis ainda te sinto
Fecho os olhos e ainda te oiço
Respiro fundo e o teu perfume
Trás-te de volta
Só mais uma vez.

E deixo-me ficar
Enroscada no teu regaço
Ate que a noite me leve
Para onde tu me quiseres
 Só mais uma vez.

29.1.14

Não, isto não é um poema



Não, isto não é um poema,
é apenas a minha ânsia de te sentir mais perto.
Talvez escrevendo-te te consiga trazer de volta.

A cama ainda estava desfeita,
o teu cheiro, ainda o sinto,
ficou agarrado aos cobertores.
No meu corpo ainda sinto o que ficou do teu toque,
do teu beijo,
da tua língua...

E escrevo-te,
escrevo-te para não enlouquecer de saudades.
Escrevo-te para chegar até ti pelas palavras.
Na esperança que elas te levem o vazio que ficou no meu peito,
e que o possas preencher com o meu coração,
sim  o meu coração que levaste contigo,
quando te foste.

Ocupo-me de afazeres,
que por bem ou mal ainda são alguns,
e ajudam-me a passar esta espera de ti.
Mas desespero,
óh como desespero com este tique taque interminável
enquanto não chegas outra vez...

Eu sei, eu sei,
uma exagerada eu sei
Mas é como tu dizes,
quero muito, sim quero-te muito, a ti;

sinto muito,
sim, sinto muito a tua falta,
saudades,
tantas que elas são.

E onde estarás tu agora...onde estas tu e para onde me levaste?

Luto



Se esticar mais
Vai-se partir
Esta corda de aço
Vai-se partir
Se puxares mais
Eu vou morrer
Esta corda de aço
Vou morrer

Ainda me dóis no peito
Sinto quando me pensas
Fazes-me esta tortura
Deixas-me em ponto de loucura.
E vais como quem não sabe,
o que provoca esta saudade
Não a quero, não a quero!

Se esticar mais
Vai doer
Esta corda de aço
Vai doer
Se puxares mais
Eu vou desaparecer
Esta corda de aço
Vou desistir

Rebenta sempre a dor
e arde ainda esta chama
que te queima
no meu peito,
que atormenta os dias
que não passam
que me arrastam

Ferido ardor
nas nossas almas
as promessas de voltar.
E arde ainda esta chama
que te queima
no meu peito,
que atormenta os meus dias
que não passam
que me arrastam

Se esticar mais
Vai-se partir
Esta corda de aço
Vai-se partir
Se puxares mais
Eu vou morrer
Esta corda de aço
Vou morrer

Não vou ficar
Nem mais um minuto.
Estou de luto,
Estou de luto.

Six Word Story

Stop thinking about me, it hurts.

26.1.14

Quebramos os dois


Era eu a convencer-te de que gostas de mim,
Tu a convenceres-te de que não é bem assim.
Era eu a mostrar-te o meu lado mais puro,
Tu a argumentares os teus inevitáveis.
Eras tu a dançares em pleno dia,
E eu encostado como quem não vê.
Eras tu a falar p'ra esconder a saudade,
E eu a esconder-me do que não se dizia.
Afinal...
Quebramos os dois afinal.
Quebramos os dois...
Desviando os olhos por sentir a verdade,
Juravas a certeza da mentira,
Mas sem queimar de mais,
Sem querer extingir o que já se sabia.
Eu fugia do toque como do cheiro,
Por saber que era o fim da roupa vestida,
Que inventara no meio do escuro onde estava,
Por ver o desespero na cor que trazias.
Afinal...
Quebramos os dois afinal,
Quebramos os dois afinal,
Quebramos os dois afinal,
Quebramos os dois...
Era eu a despir-te do que era pequeno,
Tu a puxares-me para um lado mais perto,
Onde se contam histórias que nos atam,
Ao silêncio dos lábios que nos mata.
Eras tu a ficar por não saberes partir,
E eu a rezar para que desaparecesses,
Era eu a rezar para que ficasses,
Tu a ficares enquanto saías.
Não nos tocamos enquanto saías,
Não nos tocamos enquanto saímos,
Não nos tocamos e vamos fugindo,
Porque quebramos como crianças.
Afinal...
Quebramos os dois afinal,
Quebramos os dois afinal,
Quebramos os dois...
É quase pecado que se deixa.
Quase pecado que se ignora.

Toranja

22.1.14

Felicidade



"Todos os dias vou adormever aqui, a ouvir-te respirar. Todos os dias vou acordar aqui, a ouvir-te respirar. E a felicidade existe. Ouvir-te respirar é a prova de que a felicidade existe."

'In Sexus Veritas' - Pedro Chagas Freitas

20.1.14

Podia




Podia ter-me esquecido das tuas mãos
No entanto elas, aqui
tão cheias de mim como dantes

Podiam-se ter libertado desta pele pegajosa
que as colacam no corpete asfixiante
No entanto elas, aqui
tão presas como dantes

Podiam ter deixado de me cheirar
este cheirio que fica
No entanto elas, aqui
tão profundamente embriegadas neste aroma


19.1.14

Tu lhes dirás


"Tu lhes dirás, meu amor, que nós não existimos.
Que nascemos da noite, das árvores, das nuvens.
Que viemos, amámos, pecámos e partimos 
Como a água das chuvas.
Tu lhes dirás, meu amor, que ambos nos sorrimos
Do que dizem e pensam 
E que a nossa aventura, 
É no vento que passa que a ouvimos, 
É no nosso silêncio que perdura. 
Tu lhes dirás, meu amor, que nós não falaremos 
E que enterrámos vivo o fogo que nos queima. 
Tu lhes dirás, meu amor, se for preciso,
Que nos espreguiçaremos na fogueira."

Ary dos Santos

10.1.14

Como sempre foi



Existia sempre tão boa medida, como remédio, e os seus olhos procuravam-na, mesmo sem saber de onde nem de quando a encontraria.

Eram assim os seus dias: a procurar por ela, que sempre viria, mas que nunca chegava. 

E por agora, soltava o grito mudo que nunca saía e o estrangulava a cada hora que passava.

Deixaste a fasquia muito alta, sabes. Como será agora que não te vou ter mais.

Será como sempre foi, um dia igual ao outro, e a todos os que já passaram, os que hão de vir, serão como os que já foram, sem mim.

O que não tem remédio, remediado está, pensava. Agora é continuar como sempre fui, e como sempre vou ser. Agora é continuar como sempre serei e continuarei. Não vou desistir de te procurar, nem que seja dentro das memórias, nem que seja dentro dos teus olhos que já não vejo. Vou continuar a procurar-te, e vou continuar a encontrar-te no ponto em que esta corda se esticou, neste ponto profundo do meu peito, que quase rasgado ainda te puxa.

Agarrou na corda e puxou-a com força, toda a que conhecia de si, dos seus braços fortes de marinheiro. O barco aproximou-se flutuando, entrou. Pegou nos remos e remou para longe, para onde ninguém o pudesse ver. Para onde pudesse sozinho e com ela, aprecisar aquele por do sol, o deles.

9.1.14

L'important C'est La Rose



"Toi qui marches dans le vent 
Seul dans la trop grande ville 
Avec le cafard tranquille du passant 
Toi qu'elle a laissé tomber 
Pour courir vers d'autres lunes 
Pour courir d'autres fortunes, 
L'important... 

L'Important C'Est La Rose 
L'Important C'Est La Rose 
L'Important C'Est La Rose 
Crois-moi 

Toi qui cherches quelque argent 
Pour te boucler la semaine 
Dans la ville tu promènes ton ballant 
Cascadeur, soleil couchant 
Tu passes devant les banques 
Si tu n'es que saltimbanque, 
L'important... 

Toi, petit, que tes parents 
Ont laissé seul sur la terre 
Petit oiseau sans lumière, sans printemps 
Dans ta veste de drap blanc 
Il fait froid comme en Bohême 
T'as le coeur comme en carême, 
Et pourtant... 

Toi pour qui, donnant-donnant, 
J'ai chanté ces quelques lignes 
Comme pour te faire un signe en passant 
Dis à ton tour maintenant 
Que la vie n'a d'importance 
Que par une fleur qui danse 
Sur le temps... "




8.1.14

Medo



"Quem dorme à noite comigo
É meu segredo,
Mas se insistirem, lhes digo,
O medo mora comigo,
Mas só o medo, mas só o medo.
E cedo porque me embala
Num vai-vem de solidão,
É com silêncio que fala,
Com voz de móvel que estala
E nos perturba a razão.
Gritar quem pode salvar-me
Do que está dentro de mim
Gostava até de matar-me,
Mas eu sei que ele há-de esperar-me
Ao pé da ponte do fim."

3.1.14

Legend of the Pheonix




From the ashes I raise again
With a new beginning from within

Looking to the wrong side I was
But now I know
Witch path to take

From the lights above I see
From the sun shining on me
Now I know they'll guide me home

And all the wounds will close
And all the blood will return to the heart
And the beat will take me further

27.12.13

Loucura Renovada



E a Loucura fez-se a si própria
Construiu-se e renasceu
Apoderou-se dela
Tomou-a por completo
Repleta de insanidade
No clarear da realidade
Tentou tomar novo corpo
Fez de mil formas a sua
Sugou a sensatez
E voltou a erguer-se
Sob a sua podre imponência

Six Word Story

Move that way, make me crazy.

16.12.13

Six Word Story

Nothing will never let me go!

Não há quem

Não há quem me leia, mas continuo a escrever.
Sou poetisa das sombras, continuo aqui mesmo sem me ver.

Não há quem me leia, mas continuo a dizer,
Se algum dia as encontrarem,
Estarão aqui para se beber.

Não há quem me leia, mas continuo a cantar,
Talvez a melodia tenha mais força para voar.

Não há quem me leia, mas continuarei a deixar,
Que estas palavras me saiam
E me fujam sem nunca mais as abafar.

Não há quem me leia, mas continuarei,
Até que a mão me pare, e a respiração se cale.
Então nesse dia, talvez alguém me vá escolher.

10.12.13

A Teia





Fiquei colado na tua teia. Mexo-me e remexo-me, volto e reviravolto, e nada, não me liberto de ti. Montaste a teia e apanhaste-me distraído, e eu caí.

E agora, que faço.

Vou tecer uma teia também para te agarrar, e vou-te prender mais do que me prendeste a mim. Vou enrolar essa teia nesta que me prende e serás prisioneira comigo.



Six Word Story


Shocking day was, nothing else remained.

18.11.13

Solidões




Olhos brilhantes, cabelos ao vento, nada mais importava.
Se os sonhos fossem todos assim, se a vida fosse toda assim, mas não, a vida é dura, tão dura que ás vezes nos sentimos como se tivéssemos ido contra o muro, ou ás vezes sentimos que somos também nós um muro.

Fechou-se como uma ostra ao primeiro toque, apertou-se em si, e não se mexeu mais, a ver se nada acontecia, estava já tão confortável dentro daquela casquinha, que qualquer tentativa, mesmo que bondosa, de qualquer proximidade a faziam retrair-se. Preferia estar sozinha, ficar sozinha, umas horas acompanhada eram o suficiente.

Tinha-se habituado à solidão do coração, era mais confortável assim, sofria menos assim. Aconchegava-se naquele manto, e deixava-se ficar na esperança de não ser perturbada.

Naquele dia, naquele dia tudo mudou, naquele dia a concha não teve a mesma força, naquele dia a solidão pareceu-lhe menos confortável, e os seus olhos brilharam.

Talvez um dia, pensou ela, talvez um dia eu consiga...

14.11.13

(Re)Começos




Tudo ja tinha sido previsto, ela já o tinha enfrentado. E não fora de agora não, já o tinha feito antes, continuava a fazê-lo, por ela, por todos, mas principalmente por ela, por si mesma, e pelo seu amor próprio.

Desejava um novo começo, apagar o que aconteceu seria a prioridade, E ele vai ter de se por nos eixos, rédea curta, rédea curta, que estes marinheiros gostam tanto de alto mar como de mocinhas ingénuas e frágeis. Sim, rédea curta, que o que é  meu é meu, e não será de mais ninguém.

Os olhos brilhavam, a brisa tocava-lhe o rosto, uma nova esperança renascia.

Sorte



Ama-me a verdade e não me deixes cair na morte, que dessa sorte todos teremos um dia.

18.10.13

Banalidades




A música tocava ao longe, e ele permanecia ancorado, olhando aquela rapariga sem entender o porquê nem como ela o prendia daquela forma tão particular.

Ela até nem é assim tão bonita, pensou. Mas aqueles olhos, há qualquer coisa nela, o que é que esta miuda tem.

Eda sorria, finalmente sorria abertamente, depois de tanto tempo fechada sobre si mesma. Estavam sentados na mesa do café, e conversavam animadamente sobre os planos que tinham para a noite do fim de semana que se aproximava.

Não era a primeira vez que a via naquele café, e desde o primeiro dia que se sentiu preso àquele bem estar. 

Tenho de arranjar maneira de meter conversa, tenho de descobrir quem é ela. Tenho a sensação que já a conheci em algum lugar.

Artur, então, estás bom pah. Dá cá um bacalhau.

Então, tudo bem, senta-te.

Já chegaste há muito, pah desculpa lá o atraso, é que vim de autocarro e apanhei muito trânsito.

Não, cheguei há uns dez minutos, mas já foi o suficiente para ficar preso àquela miuda ali, estás a ver, aquela morena sempre a rir-se, sentada com aqueles dois rapazes, já não é a primeira vez que a vejo aqui, e nunca está com namorado. A míuda tem cá uns olhos, já viste.

Eh, espera, eu conheço-a. Eda. Oh Eda. Então, ao tempo miúda, que é feito de ti que já não te vejo há tanto tempo. Olha, este é o Artur o meu amigo.

Prazer.

Igualmente.





11.10.13

Another Day



It was another day, another day as many had been. And she was reading for the third time of many, the same words that made her feel warm, and now make her feel so cold.

They were so happy, but only for a short period of time. The time that they never had, the time that they wished that never existed. The time of all the times, were they loved each other as if the world would end in the minute after.

Again she read all the words, one by one, each and every single word made echo inside her chest, and she bled again until nothing left but only words written on a piece of paper, like in the old times.

Now she's burning that letter, and with it burns all the pain that he left on her.

Nothing more matters now.

Tomorrow is another day.

Feelings



Some times feelings are just a point of view.

10.10.13

Roads



Temos longos caminhos a percorrer, o cheiro a terra molhada, e os pés descalços a sentir o chão.

E será que mais alguém vê, que esta guerra é nossa, e que temos de a atravessar sozinhos. Nela seremos nós, não haverá ninguém mais.

Atravessaremos mares, conquistaremos montanhas. Ninguém mais, apenas nós.

Sinto a tua dor, bem fundo no meu peito, porque a tua é igual à minha, e nela somos um.

E como nos sentimos agora, neste exacto momento. Sinto-te como és e como sou.

Comove-me como somos iguais, somos a mesma pessoa observando-se de ângulos diferentes.

Somos a mesma pessoa com duas perspectivas diferentes, olhando o mesmo ponto do universo.


Remédio



Que remédio haverá para curar esta doença.
Não me sairá este ácido que me corrói as entranhas.

E depois este barulho
ah!!! este barulho que não se aguenta
este silêncio que atormenta
Estas pegadas que não se apagam.
Estas velas que não se consomem.

E assim, esta cura que não tem doença
e esta doença que não tem cura,
 martirizam-me e destilam-me a alma.

E por cada gota dela que cai,
se vai juntando um pouco mais de mim
para te oferecer,
que me guardes enfrascado
e me deixes lá ficar até morrer.

8.10.13

A Morte




E aquele corpo ali estendido, fazia-lhe confusão, não conseguia entender, ele estava ali e não estava.

Ela aproximou-se, sentiu-se zonza, não compreendia, Será isto a morte, pensava ela, Será que é isto que sentimos quando nos aproximamos da morte.

Olhou-lhe a cara, esticou o dedo indicador e com algum receio, meia a tremer, tocou-lhe na bochecha. Sentiu um arrepio longo por toda a coluna, mais tonturas, mas aguentou-se.

Uma lágrima caiu-lhe do rosto, apenas uma. Apenas uma gota de água salgada, era tudo o que tinha para lhe dar. Não havia mais ninguém ali para receber, para quê dar mais lágrimas.

Uma era suficiente, uma lágrima apenas, concentrando toda uma vida de memórias, de tempo, e de outras lágrimas.

Afastou-se.

A lágrima tinha caído na beira do caixão, e ela ficou ali a contemplar aquela micro poça de emoção. Não chorou mais. Deixou-lhe uma rosa, pousou-a no peito, do lado esquerdo, para ficar junto ao coração.

O teu corpo vai, mas tu ficas comigo.

E foi-se embora, saiu dali, daquela negrura, daquela nuvem que a todos envolvia. O ar era fresco, mas o sol aquecia a pele. Caminhou até encontrar um banco e sentou-se. Ficou a contemplar a paisagem que se estendia perante aquele momento. Respirou fundo e fechou os olhos.

Sentiu na sua mão, uma outra mão.

Eu sabia que ficavas.

Eu disse-te que não partia.

Amo-te.

Amo-te.

7.10.13

Nós



Hoje acordei triste.

Ainda te sinto agarrada a mim, colada em mim com esses grandes olhos penetrantes. 

Sabes, deixaste a fasquia muito alta. Vai ser difícil esquecer isto. Foi tão intenso, tão profundo. Não veio desta vida não, tenho a certeza que não, não pode ser só desta. Não pode...

Hunf...

Lembro-me dos teus cabelos no meu corpo, a tua respiração, enquanto de olhos fechados sonhavamos o nosso futuro.

Tu vias-te a viver comigo, tipo casados.

E tu olhavas-me com esse ar meio eufórico, meio assustada, como quem não sabe muito bem se é um sonho isto que nós temos.

E agora ainda o temos. Sim, temos, porque tu foste-te embora, mas ficaste. Deixaste a ponta daquela corda que estica, bem amarrada no meu peito. E agora, ela está tão esticada, que há dias em que quase sufoco, de tão difícil que se torna um simples inspirar.

Apertas-me por dentro. Apertas-me o coração. Queria-te dizer tantas coisas que não posso, não posso, ia-te magoar ainda mais. Mas sei que tu sabes, porque apesar de não o ter dito com a boca, tu leste-o nos meus olhos, naquele momento em que nada mais existia a não ser nós dois.

E tu sabes, este vai ser só teu. Por muitas mulheres que passem pela minha vida, ou apenas mais uma, tu serás sempre tu, e eu serei sempre teu.

Aquela rapariga de olhos penetrantes que me prendeu na sua teia. Que me enfeitiçou, qual bruxa desvairada, perdida, e que eu resgatei. Aquela rapariga que de quando em vez se transformava, era felina, uma fêmea felina, que me devorava, e que eu adorava.

Serás sempre tu, aquela que me trespassou de tal maneira, que nunca mais se fechará esta chaga, e que eu não deixarei fechar.

E um dia, quando já formos velhinhos, um dia em que quase já não nos lembrarmos da existência do outro. Nesse dia, um de nós irá morrer, e o outro irá dizer-lhe um até já, porque a nossa história nunca será 'coisa do passado', nós nunca seremos uma 'aventura do passado', porque nós não somos tempo, não temos passado, nem presente, nem futuro, somos nós, apenas, como sempre fomos.

Nós seremos sempre nós, mesmo que as nossas vidas não se voltem a cruzar. 

Tu estarás sempre em mim, e eu estarei sempre em ti.

Até que a eternidade nos separe.

Six Word Story

One little step. More road ahead.

4.10.13

Dias Antigos



Os dias vão-se passando, e ela não consegue esquecer. A vontade de voltar atrás e apagar tudo com borracha permanente, (sim, permanente como a tinta, mas ao contrário), é tanta que quase consegue viajar até lá para cumprir tão penosa missão.

A dor foi tão forte, a mentira tão grande, e aquela criatura que não tinha culpa, aquela pobre criatura que não imaginava se quer o tamanho da mentira que a cobria.

Foram dias luminosos para eles, mas que se transformaram em sombras depois. Como um fósforo, ardeu e ficou apenas carvão, e como o carvão, sujou tudo porque foi remexido.

Eda, estás bem. Estás aí com um olhar tão esquisito.

Estava a pensar numa história antiga.

Oh querida, ainda pensas nele.

Sim, apesar de tudo ainda penso nele. Não consigo Xavier, é mais forte que eu.

Eu sei meu amor, anda cá, eu dou-te um abraço e isso já passa, vá.

Ele abraçou-a com força. Mas não passou, foi ainda pior. A força daquele abraço, transportou-a para o abraço, aquele abraço em que tudo começou, aquele abraço que levou a mais abraços de respiração profunda, de alívio, de saudade.

Pobre coitada, e ela não sabia de nada, o que é que eu fui fazer Xavier, o que é que eu fui fazer.

Vá não te martirizes.

Abraçaram-se novamente, e Eda chorou até adormecer.

3.10.13

Escrevo-te



Há dias em que o tempo passa, e a noite vem mais cedo, antes do sol se por.
Há dias em que a claridade da luz fere a vista, e estamos melhor enrolados na nossa manta preta, no aconchego dos problemas, até que a noite volte.

Há dias em que escrever a tua história, é um reviver na tua pele, na nossa pele. E nesses dias, tudo parece irreal, a minha vida parece irreal, o meu mundo, os sorrisos. 

Nesses dias o tempo pára, e eu sou tu, sinto-te entranhada em mim, visto-te, e visto o resto de todas as pessoas que por ti passaram. Dás-me tanto e já cá não estás.

Obrigas-me a viver-te, a ver o que os teus olhos viram, a respirar o mesmo ar, a sentir as mesmas dores, a secar as mesmas lágrimas.

Não há maior honra que esta, a de te ter comigo sem cá estares, a de continuar a receber tanto de ti, mesmo sem saberes.

A minha fonte, a minha força.

...e porque é quando estou mais fraco, que sou mais forte.

2.10.13

No Way



There's no way
I'm going down
there's no way
I'll hit the ground
And the voices
tell me not to waist more time

there's no way i'm turning black
there's no way i'm coming back
to the land
of murderers and scars

You will see
My fire burning your
crime desires

There's no way
I'm going down
there's no way
I'll hit the ground

And you'll see me
raise again



1.10.13

Six Word Story

Cold body on the ground. Death.

O Beijo



Não me deixes no silêncio
o teu silêncio dói-me
Doem-me menos as tuas palavras
mesmo que seja para me dizeres coisas banais
mesmo para me dizeres que não me amas

dói menos
esta dor que já te falei

não me deixes no silêncio
beija-me antes
beija-me este beijo apaixonado
beija-me mil vezes
beija-me mil vezes infinito
que se não te posso ter
que pelo menos o teu beijo
se torne meu
e nunca mais se acabe

beija-me, beija-me meu amor
..e que eu te possa chamar de meu amor
mesmo não sendo meu
serás amor para mim

beija-me meu amor
beija-me e leva o meu coração
este que já aí mora
que já se aninhou no teu peito
na tua mão

beija-me até ser dia
e beija-me até que a noite volte
para que nela nos deixemos envolver
até que o tempo se acabe

beija-me
beija-me até não haver mais saliva
até perder o fôlego
beija-me enquanto doer
e depois beija-me de novo
beija-me outra vez
beija-me até morrer

e quando morrer
beija-me novamente
e sente os meus lábios frios
que já não sendo meus
serão apenas a memória do que fui
mesmo já não tendo lábios
levarei os teus nos meus
para qualquer outra vida
para onde vá
te encontrarei