Ela olhou-o novamente, enquanto ele acariciava
o seu rosto, e afastando as madeixas que lhe tapavam a boca beijou-a novamente.
O elevador abriu-se, mas eles mal deram conta. Aquele mergulho interminável. Um
instante de infinito em que nada mais importou. Foram eternos.
Subiram, finalmente. A luz magoava os olhos. Eles quase não se
olhavam, havia vergonha. Ela tinha, estava devastada pelo que
estava a acontecer, quase não conseguia respirar.
Chegaram à porta, ele abraçou-a e beijou-a
novamente.
Não podemos fazer isto. Não é justo para
ninguém. Ela não merece. Nem ela, nem os pequenos. Ninguém.
Pois não, tens razão ela não merece.
Vai-te embora. Não me faças isto.
Sim, eu vou, mas não sem antes de dar mais um
bei…
E voltou a beija-la como se quisesse mergulhar na sua boca. Aquela língua, deixava-o doido. Ela
empurrou-o já de lágrimas nos olhos.
Vai-te embora. Isto não está certo.
Os olhos dele reluziram. Ainda não foi desta,
mas já está no papo, pensou. Abriu a porta, e olhou para trás, ela já tinha
desaparecido.
É tão dificil não te amar. Mesmo quando não penso, mesmo quando me sinto, apenas.
E como pode ser certo ou errado. Como é que pode ser errado amar, assim desta maneira, sem saber muito bem porquê, com esta intensidade...
Como pode, no acto mais desmedido de se amar alguém, ser pecado. Se assim é, todo eu sou pecado, porque todo eu te amo, todo eu te reajo, todo eu te sente no mais ínfimo átomo da minha alma, com todo o meu ser, inexplicavelmente te Amo.
Há longos anos que a minha vida parou suspensa. Desde aquele dia em que os teus olhos se colaram no chão.
Que queres da vida. Disseste tu.
Tens namorada, não tens. Perguntei eu.
Nunca foi minha intensão desiludir-te, nunca foi minha intensão desrespeitar alguém. Por muito que doa, foi melhor assim.
Agora (re)econtro-te, dizes que gostaste muito de me ver. Mas dói-me. Dói. Desde aquele dia que ficou uma ferida aberta.
Enviaste-me uma mensagem: Separei-me há um ano. O meu casamento nunca resultou. Não tenho ninguém desde essa altura. Sinto saudades tuas, senti sempre. Não me sais da cabeça desde aquele dia. Gostava de te ver novamente. Não me digas que não.
Sei que não deveria ter ficado agarrada ao passado. Mas só Deus sabe o quanto lutei para te esquecer e não consegui. Agora apareces-me vindo não sei muito bem de onde e pedes-me para nos encontrarmos.
O meu coração ainda não abrandou desde que li o teu nome no cabeçalho da mensagem.
Vou arriscar. O que sentia por ti ficou intacto.
Respondo-te à mensagem: Ok. Combinamos um café.
Tu marcaste o lugar e a hora. Magestic. E que magestoso estava o ambiente. Piano ao fundo à média luz, como naquela vez em que nos beijamos. Cheguei atrasada (para variar), tu estavas já sentado, com a colher do café a bailar entre os dedos. O meu coração quase explodiu peito fora assim que te reconheci. E com a voz meia tremida, quase sem fôlego consegui dizer-te:
Olá...
Só quero que seja diferente, só quero que desta vez seja diferente...
Tens ternura nas palavras, São como mel... Leves ternas, Entram na alma, Com a suavidade de quem não quer, De quem não sabe. Encontrei-te no acaso Do tempo desconcertado Dos momentos inevitáveis. Encontrei-te nesse mundo De magia que me encanta, Que me deixa sonhadora Perdida em mim mesma À procura da tua companhia...
Painting - Le Papillon, Adolphe Jourdan, c. 1860 - Museum of Fine Arts
Deculpa se te magoei. Embarquei nesta loucura agarrado a uma esperança parva de que seria a minha salvação. Não pensei em mais ninguém. Convenci-me que estaria a fazer o melhor para todos. Mas não era. Para ti nunca foi o melhor, nem para mais ninguém, mesmo para mim. Não foi o melhor.
Apaixonei-me. Tinha medo que isso acontecesse, sabia que corria o risco. Mas embarquei nessa loucura na mesma, espirito de marinheiro, está-me nas veias ir e entrar na tempestade, sabes.
Assustaste-me tanto. Mostraste-me uma realidade que podia ser minha. Sedotora. Podia ser minha. E eu queria. E não queria. Tive medo. Ainda tenho.
Que vamos fazer da nossa vida.
Tu imaginavas-te a vivermos juntos. Na mesma casa. Tipo, casados.
Já não sei se apenas sonhei com aqueles momentos, foi tão rápido e tão escasso. Ainda te sinto sede.
Foi, já não volta. Pois não. Não volta. Não vai voltar, foi-se, e deixou-te para trás.
Não fugimos para lado nenhum. Não fizemos nada do que sonhamos juntos. Nada. Ficou nada. Como se aquele dia nunca tivesse existido. Como se o toque nunca tivesse acontecido, como se o teu cheiro nunca me tivesse envolvido.
Já não partilhamos nada, já não partilhamos ideias, conversas, nem um simples olá, nada. Ficou nada, saiu tudo, ficou vazio.
Ardeu tudo, eu ardi até ficarem apenas as cinzas do que eu era.
Ardeste. E ficaste cinzas do que estavas em mim.
A pior parte, foi deixar-te partir. Foi a pior parte. Ver-te partir.
Vou sobrevivendo a este oceano de tempo e de espaço que nos separa, e por aqui me vou deixando estar dentro do pensamento em que te (re)encontro.
Saudades de ti, e desses teus cabelos longos. Saudades desse teu jeito sereno de me tratar. Sabes que nunca fui tão longe como quando estava contigo. Sim. Nunca tinha ido tão longe. E tu perguntavas-me se algum dia nos iriamos cansar de sermos um. Eu nem colocava tal questão, para mim era natural que fossemos um. Sempre. Era normal sermos assim. Então tu dizias.
E se me chatear contigo por causa de coisas banais. Como as migalhas na bancada, depois de cortares o pão. Tu deixas sempre migalhas na bancada, depois de cortares o pão. Será que me chateava contigo.
E eu respondia-te pronto.
Migalhas na bancada depois de cortar o pão são tramadas. É verdade. Talvez nos chateassemos por causa das migalhas na bancada, depois de cortar o pão.
E tu sorrias. Achavas piada quando inventavamos futuros possíveis. Mas nenhum desses futuros aconteceu. Ficaram suspensos, agarrados às nossas esperanças. Tu foste-te, afastaste-me. E eu abri o jogo, na esperança que ela me obrigasse a cumprir algum desses futuros imaginados. Nenhum deles aconteceu. Nenhum futuro a não ser o futuro mais improvavel, aquele que eu menos desejava. Mas fiquei. Deixei acontecer. Vou lutar ate ao fim, pensei.
"Matas-me com o teu olhar", dizia-te enquanto tu coravas e sorrias.
Continuas a matar-me, sabes. Todos os dias ainda me matas com esse olhar que queima.
Ainda me matas todas as noites. Ainda me matas todas as manhãs.
É a tirania da (a)normalidade, rude (a)normalidade, quadrada (a)normalidade!
Acorda Portugal!!!!
The media is the seduction of human desire (set their money, set their money, on fire), if you try to sell me the truth
then I know you're a liar, a liar
It's the tyranny of normality, it's the tyranny of normality
Our culture has become complacent, and has no desire (take back, take back our empire), and the ethical slaughter of
truth needs to be retired, retired
It's the tyranny of normality, it's the tyranny of normality
It's the death of outrage!! I want to turn a new page!! I mourn the death of our age, the obituary's on the front page!!
Since the death of outrage, I want to turn a new page!! I mourn the death of our age, the obituary's on the front page,
it's the death of outrage, i mourn the death of our age, the obituary's on the front page
It's the tyranny of normality, it's the tyranny of normality
How do you know where the hope resides,
do you wish for it
or do you hide
Don't you feel it
raising from your heart
therefore you know
because though you can't see it
you have it pulsing in there
where you know is only your space
It's not a silly little moment
It's not the storm before the calm
This is the deep and dying breath
Of this love that we've been working on
Can't seem to hold you like I want to
So I can feel you in my arms
Nobody's gonna come and save you
We pulled too many false alarms
We're going down
And you can see it, too
We're going down
And you know that we're doomed
My dear, we're slow dancing in a burning room
I was the one you always dreamed of
You were the one I tried to draw
How dare you say it's nothin to me?
Baby, you're the only light I ever saw
I'll make the most of all the sadness
You'll be a bitch because you can
You'll try to hit me just hurt me
So you leave me feeling dirty
Because you can't understand
We're goin down
And you can see it, too
We're goin down
And you know that we're doomed
My dear, we're slow dancing in a burning room
Go cry about it, why don't you?
My dear, we're slow dancing in a burnin room
Don't you think we oughta know by now?
Don't you think we should have learned somehow?
cego surdo mudo
claro escuro obscuro
procuro sempre sem parar
encontro sem encontrar
nada faz-se nada
a volta injusta
na pura ausencia surda
muda sempre muda
grita no silencio
o encontro do retorno a casa
o retorno a casa
falo
sempre encontro ausente
tiro tudo
nada estudo
sentido dessentido
abatido sem motivo
aahh esta loucura
que me come lentamente
aparentemente não me deixa
endoidecer
e certa da certeza
desta clara claridade
obtusa das ideias escondidas
nas areias deste mar