4.6.14

Cartas de Amor #9




Alvorada que me corta, que me arranca do peito o coração. Este que já não é meu desde que me cruzei com essas amêndoas negras. Negras. Negras são minhas noites por não poder ter-te em mim.

Somente a lembrança do calor desse teu peito. Montanhas quentes em que me deitei.

Voltarás tu, oh minha Musa. Minha Deusa. Minha Afrodite. Não te esqueço mais. Não importa o tempo que se passe em  mim. Não te perco mais. Não importa, não se apaga a tua memória na minha pele. 

Pele. Esta pele que te pede ainda. Por dentro, toda ela se forma em ti, para sentir-te. Absorvi-te. Minha Deusa, minha Afrodite. Dissolveste-te na minha essência.

Formaram-se todas as noites numa só. Naquela. Numa. A nossa. Formaram-se todos os sentidos. Deixou-se existir a eternidade, apenas sentida, suspensa. E nela nos abandonamos para sempre, que sempre a ela pertencemos.

Morremos.
E nada nos arrancou à nossa saudade.

Solitário

Solenemente me trago por onde me quero.
Se não te posso ter não te desejo.
E porque um beijo no mero acaso, fez de mim teu eterno escravo,
vou escavando a loucura, de te ter por perto esta ternura,
que perdura e perfura este meu coração.
Solitário.

28.5.14

Cartas de Amor #8


Nunca mais te vi e no entanto ficaste esculpida em mim, na minha carne, no meu sangue.

Recordo a tua silhueta em contra luz, recordo a tua luz. Tão luminosa que te via. Iluminavas-te depois de nos mergulharmos, toda tu eras uma luz imensa.

Dentro dos teus olhos deixava-me cair. No início assustava-me a forma como me invadias, mas depois pedia-te que me entrasses, que me inundasses com esse teu branco. Quando sorrias tinha medo, medo de ficar preso a ti, de tal forma que não me pudesse encontrar mais, perdido que ficava. E tu tanto que me gostavas.

Quero-te ainda. Sim. Sabes, apesar de nunca mais te ter visto, a minha essência ficou deserto, ainda te quero. Muito. Tanto, que me dói.

Nunca mais respirei fundo. Aquele fundo que era nosso. Poderoso.

Ainda te espero. Paro à beira mar, vejo o pôr do sol, na esperança que ainda apreças, e me abraces. Que me digas que não te vais mais.

Ainda o tenho, tu sabes que tenho. Ele ainda está nas minhas mãos. O meu está nas tuas. Coração ensanguentado. Desatado de tudo o mais. Acorrentado a ti.

Não quero mais ninguém. Nunca mais. Ninguém. Tu. Apenas. Só.

Achei que me salvava. Achei que me lavava da consciência pesada. Achei que te esquecia. Que o empo tudo apaga. Mas ficaste. E continuas como ontem. No peito dói. Sempre.

Como posso eu apagar esta história, retirar da memória. Tenho a alma dorida de te pensar. De tanto te precisar.
Preciso que me voltes. Que me digas que não te vais.
Ver-te e respirar-te.

Para não mais deixar de amar-te.

Chocamos Tu e Eu





sei que não vais mudar dentro da ilusão,
mas queres parar por ser bom saber que há a minha mão para descansar,
para te esconder e não mostrar.

vem, não vou perguntar se não queres dizer, ahh deixa ser,
o que é bom sentir, só mais uma vez quase sem tocar.
para respirar, só mais uma vez. quando eu não quis ver fui a deslizar,
quando ninguém quis parar, cresceu.
e então chocámos tu e eu, e então chocámos tu e eu.
ahh, diz-me onde estás, vou ter aí. já sem razão para desculpar,
já sem saber para onde ir, para te fugir, para me esquivar, não me destruir.
quando eu não quis ver fui a deslizar, quando ninguém quis parar, cresceu.
e então chocámos tu e eu, e então chocámos tu e eu, e então chocámos tu e eu.

hoje vais dizer que já não tens paz, hoje vens pedir para te ensinar.
quando ninguém viu, quando a chuva cai o rio cresceu, e então chocámos tu e eu.
e então chocámos tu e eu.
e então chocámos tu e eu.

sei que não vais mudar e que eu vou partir,
eu quero alguém que me queira bem para me construir

Composição: Tiago Bettencourt

26.5.14

Intensidades



Há saudade no canto que me trazes
mas nem sempre a espera é dolorosa
Que de entre essas notas me fazes
a mais completa de entre todas as aves

No céu mais longínquo de todos os azuis
serão minhas, asas infinitas

Lembranças de conquistas e abraços
de lágrimas caídas nos regaços
de croações feitos em pedaços
resgatados e trazidos novamente
resgatados e renascidos
batendo agora intensamente

Sabendo tu, que serei teu para sempre

23.5.14

Se Eu Voltar





Às vezes pergunto que mais te hei-de eu fazer,
Tanto orgulho ferido, tanta paz por vencer.
Às vezes detesto o que resta de mim,
Sempre longe do mundo, sempre perto do fim.
Eu só quero que tu saibas quem sou,
Ter a certeza que o meu tempo chegou,
Quero que me digas para partir ou ficar.

Se eu voltar atras
Sera que dizes que sim outra vez,
Tomas conta de mim de vez em quando,
Se eu voltar.

Ja cantei as palavras, e as pedras do chao,
Pelas ruas estreitas vendi toda a razao.
Ja te disse poemas que nao quis escrever,
Foram gritos apenas que nao soube conter.
Eu só quero que tu saibas quem sou,
Ter a certeza que o meu tempo chegou.
Quero que me digas para partir ou ficar.

Composição: Pedro Abrunhosa

Fairy



Counting healthy peaces
counting empty spaces
from the soul

 surrounded by full
apathy
no space behind

 growing strength from
nothing
glimpses of light in
darkness

 this is the entire
story
of a fairy
harmless

Image from appszoom

21.5.14

Eternal




Close your eyes, let me touch your skin
Feel, just feel
Breathe, only breathe and feel
Let your eyes be closed
Taste this smell in my mouth
Can you feel it
is the taste of us
when we are one

Let me feel the lines of your face
Let me study them
Let me forget reality
Give me this moment

Let’s make it eternal

Sempre que te penso



Ainda me dóis quando te penso
Por dentro uma ferida aberta que não pára de sangrar
O tempo não se cala
e a saudade mata-me sempre que começa um novo dia

Adormeço contigo, nos teus braços
Acompanhas-me na noite
em silêncios aconchegantes

Chagas abertas que deixaste
e o meu calvário desesperante
Abraça-me e não me soltes mais

Porque me dóis sempre que te penso
Porque me dóis sempre
Porque me dóis

20.5.14

Só é Fogo se Queimar




Mais uma promessa
Mais um dia a duvidar
Mais outro remendo à pressa
Mais uma forma de te procurar

A saudade não dá tréguas
Pede um sopro de ar
Para em mágoas repousar

Se eu falar talvez tu negues
Me chames a dançar
Sinta o corpo a voar

Só é dor se for vontade
De agarrar
Só é fogo se queimar

Só é felicidade
Enquanto durar
Só é fogo se queimar.

Só mais um momento
Lamento muito tempo, tanto tempo a mais
Mais que um sentimento
Mais que o segredo, ainda é cedo

A verdade mora a léguas
Faz cambalear
Tem, tem grades a penar

Se eu falar talvez tu negues
Me chames a dançar
Sinta o corpo a voar

Só é dor se for vontade
De agarrar
Só é fogo se queimar

Só é felicidade
Enquanto durar
Só é fogo se queimar.

Só é dor se for vontade
De agarrar
Só é fogo se queimar

Só é felicidade
Enquanto durar
Só é fogo se queimar.

Só é dor se for vontade
De agarrar
Só é fogo se queimar


Amor Electro
Letra: Jorge Cruz
Música: Tiago Pais Dias 

19.5.14

Magic




Já tinha saudades disto que nós somos quando estamos juntos.

Eu ainda não sei o que é isto. Não entendo o que é que acontece.

Eu também não sei. Mas gosto. Sabe bem. É isto.

Sim, também gosto. Mas não entendo o que isto é. É como se fosse magia, não sei dizer de outra forma. Magia que não se entende, nem se explica.

Sentes. Eu sei o que dizes. É-me igual também. Não precisa ter explicação.

Não. Só sei que te gosto. E já sinto saudades.

Eu também. Encontramo-nos no outro lado do tempo.

Sim, encontramo-nos lá, nesse lado.

Está bem. Eu vou fazendo a minha vida. Tu, vai fazendo a tua também. Os nossos caminhos encontrar-se-ão sem que precisemos de os comandar.

Já sabes que sim, sempre foi assim, e assim vai continuar a ser. Temos um laço inquebrável, não parte e não se altera.

Então até ao outro lado do tempo.

Até quando os nossos caminhos se cruzarem de novo.

Gostei de estar contigo.

Eu também. Gosto sempre.

Vive bem.

Tu também.

16.5.14

Conquistas e Traições




Que estamos a fazer.

Asneira, da grossa.

Ela olhou-o novamente, enquanto ele acariciava o seu rosto, e afastando as madeixas que lhe tapavam a boca beijou-a novamente. O elevador abriu-se, mas eles mal deram conta. Aquele mergulho interminável. Um instante de infinito em que nada mais importou. Foram eternos.

Subiram, finalmente.  A luz magoava os olhos. Eles quase não se olhavam, havia vergonha. Ela tinha, estava devastada pelo que estava a acontecer, quase não conseguia respirar.

Chegaram à porta, ele abraçou-a e beijou-a novamente.

Não podemos fazer isto. Não é justo para ninguém. Ela não merece. Nem ela, nem os pequenos. Ninguém.

Pois não, tens razão ela não merece.

Vai-te embora. Não me faças isto.

Sim, eu vou, mas não sem antes de dar mais um bei…

E voltou a beija-la como se quisesse mergulhar na sua boca. Aquela língua, deixava-o doido. 

Ela empurrou-o já de lágrimas nos olhos.

Vai-te embora. Isto não está certo.


Os olhos dele reluziram. Ainda não foi desta, mas já está no papo, pensou. Abriu a porta, e olhou para trás, ela já tinha desaparecido.

Ah se te Amo - Cartas de Amor #7



É tão dificil não te amar. Mesmo quando não penso, mesmo quando me sinto, apenas.

E como pode ser certo ou errado. Como é que pode ser errado amar, assim desta maneira, sem saber muito bem porquê, com esta intensidade...

Como pode, no acto mais desmedido de se amar alguém, ser pecado. Se assim é, todo eu sou pecado, porque todo eu te amo, todo eu te reajo, todo eu te sente no mais ínfimo átomo da minha alma, com todo o meu ser, inexplicavelmente te Amo.

13.5.14

I have that power



I will heal your heart
Close your wounds
I will take care
and dissolve all of your fears

You know I have that power
your intuition is telling you
how much you and me
will live together
for ever
in every life that's yet to live

no matter what
no matter how
no matter how much time
how long it takes
and the times my heart will break

you know I have that power
your intuition is telling you
how much you and me
together
will live forever

Image from weheartit

Esperas - Cartas de Amor #6



Há dias em que não consigo sobreviver à memoria do nosso encontro.
Ainda não nos conhecemos, mas tenho a certeza que o que planeamos acontecerá.

12.5.14

Prayer




Há longos anos que a minha vida parou suspensa. Desde aquele dia em que os teus olhos se colaram no chão.

Que queres da vida. Disseste tu.

Tens namorada, não tens. Perguntei eu.

Nunca foi minha intensão desiludir-te, nunca foi minha intensão desrespeitar alguém. Por muito que doa, foi melhor assim.

Agora (re)econtro-te, dizes que gostaste muito de me ver. Mas dói-me. Dói. Desde aquele dia que ficou uma ferida aberta.

Enviaste-me uma mensagem: Separei-me há um ano. O meu casamento nunca resultou. Não tenho ninguém desde essa altura. Sinto saudades tuas, senti sempre. Não me sais da cabeça desde aquele dia. Gostava de te ver novamente. Não me digas que não.

Sei que não deveria ter ficado agarrada ao passado. Mas só Deus sabe o quanto lutei para te esquecer e não consegui. Agora apareces-me vindo não sei muito bem de onde e pedes-me para nos encontrarmos.

O meu coração ainda não abrandou desde que li o teu nome no cabeçalho da mensagem.

Vou arriscar. O que sentia por ti ficou intacto.

Respondo-te à mensagem: Ok. Combinamos um café.

Tu marcaste o lugar e a hora. Magestic. E que magestoso estava o ambiente. Piano ao fundo à média luz, como naquela vez em que nos beijamos. Cheguei atrasada (para variar), tu estavas já sentado, com a colher do café a bailar entre os dedos. O meu coração quase explodiu peito fora assim que te reconheci. E com a voz meia tremida, quase sem fôlego consegui dizer-te:

Olá...

Só quero que seja diferente, só quero que desta vez seja diferente...

Six Word Story

He came back after many miles.

9.5.14

Nos tempos de Eda - Le Papillon II




Tens ternura nas palavras,
São como mel... 
Leves ternas,
Entram na alma,
Com a suavidade de quem não quer,
De quem não sabe.
Encontrei-te no acaso
Do tempo desconcertado
Dos momentos inevitáveis.
Encontrei-te nesse mundo
De magia que me encanta,
Que me deixa sonhadora
Perdida em mim mesma
À procura da tua companhia...



Painting - Le Papillon, Adolphe Jourdan, c. 1860 - Museum of Fine Arts

8.5.14

Never ment to cause you trouble



Deculpa se te magoei. Embarquei nesta loucura agarrado a uma esperança parva de que seria a minha salvação. Não pensei em mais ninguém. Convenci-me que estaria a fazer o melhor para todos. Mas não era. Para ti nunca foi o melhor, nem para mais ninguém, mesmo para mim. Não foi o melhor.

Apaixonei-me. Tinha medo que isso acontecesse, sabia que corria o risco. Mas embarquei nessa loucura na mesma, espirito de marinheiro, está-me nas veias ir e entrar na tempestade, sabes.

Assustaste-me tanto. Mostraste-me uma realidade que podia ser minha. Sedotora. Podia ser minha. E eu queria. E não queria. Tive medo. Ainda tenho.

Que vamos fazer da nossa vida.

Tu imaginavas-te a vivermos juntos. Na mesma casa. Tipo, casados.

Já não sei se apenas sonhei com aqueles momentos, foi tão rápido e tão escasso. Ainda te sinto sede.

Foi, já não volta. Pois não. Não volta. Não vai voltar, foi-se, e deixou-te para trás.

Não fugimos para lado nenhum. Não fizemos nada do que sonhamos juntos. Nada. Ficou nada. Como se aquele dia nunca tivesse existido. Como se o toque nunca tivesse acontecido, como se o teu cheiro nunca  me tivesse envolvido. 

Já não partilhamos nada, já não partilhamos ideias, conversas, nem um simples olá, nada. Ficou nada, saiu tudo, ficou vazio.

Ardeu tudo, eu ardi até ficarem apenas as cinzas do que eu era.

Ardeste. E ficaste cinzas do que estavas em mim. 

A pior parte, foi deixar-te partir. Foi a pior parte. Ver-te partir.

7.5.14

Migalhas - Cartas de Amor #5






Vou sobrevivendo a este oceano de tempo e de espaço que nos separa, e por aqui me vou deixando estar dentro do pensamento em que te (re)encontro.

Saudades de ti, e desses teus cabelos longos. Saudades desse teu jeito sereno de me tratar. Sabes que nunca fui tão longe como quando estava contigo. Sim. Nunca tinha ido tão longe. E tu perguntavas-me se algum dia nos iriamos cansar de sermos um. Eu nem colocava tal questão, para mim era natural que fossemos um. Sempre. Era normal sermos assim. Então tu dizias.

E se me chatear contigo por causa de coisas banais. Como as migalhas na bancada, depois de cortares o pão. Tu deixas sempre migalhas na bancada, depois de cortares o pão. Será que me chateava contigo.

E eu respondia-te pronto.

Migalhas na bancada depois de cortar o pão são tramadas. É verdade. Talvez nos chateassemos por causa das migalhas na bancada, depois de cortar o pão.

E tu sorrias. Achavas piada quando inventavamos futuros possíveis. Mas nenhum desses futuros aconteceu. Ficaram suspensos, agarrados às nossas esperanças. Tu foste-te, afastaste-me. E eu abri o jogo, na esperança que ela me obrigasse a cumprir algum desses futuros imaginados. Nenhum deles aconteceu. Nenhum futuro a não ser o futuro mais improvavel, aquele que eu menos desejava. Mas fiquei. Deixei acontecer. Vou lutar ate ao fim, pensei.

"Matas-me com o teu olhar", dizia-te enquanto tu coravas e sorrias.

Continuas a matar-me, sabes. Todos os dias ainda me matas com esse olhar que queima.
Ainda me matas todas as noites. Ainda me matas todas as manhãs.