24.4.14

Second Skin - Cartas de Amor #4




Ah. Esse cheiro.
Já não sei como vivia sem o sentir.
Como me faltaste.
Mas quero mais.
Não me consigo contentar em respirar-te, preciso-te mais.
Sim, muito. Sou tudo muito.Sempre mais. Mais.

Quero-te em mim como preciso resprirar.
Desejo-te dentro, como se uma fome sem fundo se me apoderasse, 
e me obrigasse a querer-te ainda mais.
Preciso-te. Sentir as tuas mãos em mim, como se delas fizesse parte.
Cheirar-te. Sim. Cheirar-te outra, e outra vez, e mais, e sempre muito.
Respirar-te fundo.

Seres-me. Eu. Tu. Um.
Como se de uma segunda pele nos tratassemos. Ambos.
Um no outro.
Sempre. Perfeito.

Painting by Duma Arantes

23.4.14

Uma Palavra




Palavra prima
Uma palavra só, a crua palavra
Que quer dizer
Tudo
Anterior ao entendimento, palavra

Palavra viva
Palavra com temperatura, palavra
Que se produz
Muda
Feita de luz mais que de vento, palavra

Palavra dócil
Palavra d'agua pra qualquer moldura
Que se acomoda em balde, em verso, em mágoa
Qualquer feição de se manter palavra

Palavra minha
Matéria, minha criatura, palavra
Que me conduz
Mudo
E que me escreve desatento, palavra

Talvez à noite
Quase-palavra que um de nós murmura
Que ela mistura as letras que eu invento
Outras pronúncias do prazer, palavra

Palavra boa
Não de fazer literatura, palavra
Mas de habitar
Fundo
O coração do pensamento, palavra

Chico Buarque

22.4.14

Cartas de Amor #3





É uma espécie de vontade, esta que se me vem sempre que me atinges o pensamento.

Não te sei, nem te quero, e no entanto não te posso esquecer, porque me fazes falta. É mesmo, fazes-me toda a falta que é possível dentro deste peito vazio.

Se arranjo maneira de te saber, não quero. Escrevo. Prometo mil palavras e sentimentos. Não esqueço. Desejo.

E agora quanto tempo mais até. Quantos dias e quantas horas terei eu mais de sofrer até me prometeres que serás eterno.

Pensamento (re)erguido por entre nevoeiros temporais. Sairás jamais.

Ah. Quão obstinada é esta lembrança, qual esperança que se (in)surge sempre que te vejo. Desejo.

Desejo.


21.4.14

Soneto da Felicidade



De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


Vinicius de Morais

17.4.14

O blog da Zana é Ecológico



"De acordo com um estudo realizado pelo ambientalista e físico da Harvard University, Dr. Alexander Wissner-Gross, um internauta produz, em média, cerca de0,02 gramas de CO2 por exibição de página. Considerando que um blog geralmente recebe em torno de 15 000 visitas por mês, isso resulta em 3,6 kg de CO2 emitidos por ano. Este total é gerado principalmente pelo grande consumo de energia, devido à refrigeração necessária para o funcionamento de computadores e servidores."

Não é que tenha tantas visitas, no entanto, acho que é sempre bom poder contribuir de alguma forma. E não custa nada (ver mais aqui).

A Guiato planta uma árvore para cada site que se inscreva nesta iniciativa, para alíviar os impactos das mudanças climatéricas e o impacto das emissões de CO2.

Soubesses







Beijaste-me em mente.
Vieste. Viste-me.
Despiste. Despiste-me.
Desnudaste toda a minha carne,
nela enterraste tuas palavras.

Do teu olhar nada mais soube,
nem se no teu coração coube
algum do meu, ou das minhas chagas.

Pragas, estes pensamentos. Pragas.
Desejo que se queimem por dentro.

o peito implode.
Demasiada ansiedade,
não há sobriedade.

Ah se tu soubesses.
Se tu viesses e visses.
Sentisses
como sinto eu teus beijos. Desejo.
Voltarias apressado.
Desenfreado.

Tudo Isto é Fado



Perguntaste-me outro dia
Se eu sabia o que era o fado
Disse-te que não sabia
Tu ficaste admirado
Sem saber o que dizia
Eu menti naquela hora
Disse-te que não sabia
Mas vou-te dizer agora

Almas vencidas
Noites perdidas
Sombras bizarras
Na Mouraria
Canta um rufia
Choram guitarras
Amor ciúme
Cinzas e lume
Dor e pecado
Tudo isto existe
Tudo isto é triste
Tudo isto é fado

Se queres ser o meu senhor
E teres-me sempre a teu lado
Nao me fales só de amor
Fala-me também do fado
E o fado é o meu castigo
Só nasceu pr'a me perder
O fado é tudo o que digo
Mais o que eu não sei dizer.

Amália Rodrigues

16.4.14

Longas Metragens



Longas são as metragens que faço de ti.
Dentro do meu pensamento apenas a luz para ti.
Dentro da minha bobine apenas a imagem tua. Salgada. Nua.
Prolongam-se de imediato as horas, e balançam-se as pontes até partir.

Saltos de gazela fazem dela a mais bela. Cantas tu. E que delícia.
Maravilha descoberta. Inquieta. Me. Inquieta-me.

Six Word Story

Quanto tempo passou. Agora não tenho.

Retrato do Herói



Herói é quem num muro branco inscreve 
O fogo da palavra que o liberta: 
Sangue do homem novo que diz povo 
e morre devagar    de morte certa. 

Homem é quem anónimo por leve 
lhe ser o nome próprio traz aberta 
a alma à fome    fechado o corpo ao breve 
instante em que a denúncia fica alerta. 

Herói é quem morrendo perfilado 
Não é santo    nem mártir    nem soldado 
Mas apenas    por último    indefeso. 

Homem é quem tombando apavorado 
dá o sangue ao futuro e fica ileso 
pois lutando apagado morre aceso. 

Ary dos Santos, in 'Fotosgrafias'

15.4.14

Cartas de Amor #2



Não paro de te pensar.
Não consigo conceber que de alguma forma te encontras demasiado longe das minhas mãos. Saudades de te ter nelas.
No peito encontro nada a não ser tu, sempre tu, nessa tua aura incandescente, com esses olhos penetrantes, perfuram-me sempre e todas as vezes.
Não consigo esquecer, é-me impossível. Será este o meu castigo por tamanho pecado. Este que cometi ao tentar conquistar-te, tendo eu já no meu coração outra mulher.
Mas é possivel sabes, é possível amar duas pessoas, e mesmo assim não ser pecado. Eu sei, eu sei, para muita gente é pecado talvez, mas para mim não, não faço planos para gostar. Gosto e pronto. É assim. É como é. E eu gostei-te. Tanto. E gosto-te ainda.
Vivo um dia de cada vez, na esperança de te poder ter novamente nas minhas mãos. Já te disse que estão vazias de ti. Pois que estão num vácuo de ti, já nem as sinto de tão dolorosa ausência que lhes provocas.
Sofro constantemente e todos os dias me lembro, ao acordar, que já não te tenho, que não te posso agarrar e preencher este vazio.
Mas sinto-te, continuo a sentir-te como se fosse hoje, agora. Fecho os olhos e respiro fundo, inalo o teu perfume que fica, e ele continua sabes.
Continua o teu perfume em mim e no meu corpo, todo ele me cobre como uma segunda pele, aquela que eu queria que tu me fosses.
Faço-te sólida nos meus pensamentos, e deito-me enroscado em ti e nesses teus olhos que não esqueço.
Talvez um dia, quem sabe, te (re)encontre e não te lembres de mim, para que te possa (re)conquistar.

Pedras&Palavras



As palavras e as pedras são muito semelhantes no que toca à sua mais pura essência.
As palavras e as pedras, depois de atiradas, já não se podem (recuperar).
As palavras saiem e atingem o alvo com a força de uma pedra, e a pedra assim que embate, pode magoar a sério (porque a brincar também se magoa muito boa gente), e muito.
Mas creio que as palavras magoam ainda mais. Sim. magoam muito mais que as pedras, pois que ao embaterem, provocam maior ferida, enterram-se mais na carne do coração.
Sim. As palavras magoam mais que as pedras. Muito mais que as pedras. Muito.

14.4.14

Cartas de Amor #1



O meu coração está pendurado por um fio.
Aquele fio que amarraste quando me olhaste e sorriste.
Foi com ele que o meu coração se foi, e ficou por aí a balançar... nesse fio.
Frágil fio, que a qualquer momento pode rebentar.
Não te vi mais, quase não trocamos palavras, apenas olhares.
Tantos.
Tu olhavas-me, e eu olhava-te, sem saber muito bem o que me provocavas.
Tu mexias-te, eu estremecia na esperança que me lançasses alguma palavra.
Tu falavas, e eu calava-me para tentar entender como me podias estar a  perfurar com tanta força.
Não te vi mais, não me esqueci mais.
Os teus olhos, eu não os devolvo, trouxe-os comigo.
O teu sorriso, guardei-o no meu pensamento.
Os teus cabelos e o teu perfume doce, filtrei-os e guardei-os no meu pepito.
Sempre que me dói o coração sei de onde vem a dor,
é de ainda não te poder ter encontrado de novo,
de não poder ter-te puxado e agarrado para não te largar mais.
É isso.
Tenho o coração pendurado por um fio,
com a esperança de que quando ele rebentar,
as tuas mãos possam ampará-lo.

Pessoa



Pessoa caminhante
Andante deste mundo
Sem fundo...
Converge de passos perdidos
Com os sentimentos aturdidos
Do rebuliço de emoções
Pessoa...
Pessoa de mil faces
Pessoa de mil almas
Pessoa sem destino
Calma revoltada
De mundo perdido

11.4.14

Contrabando




Esquece o contrabando de sentimentos
a loucura chegou para se instalar
não veio só fazer uma visita

Vai-te para casa, mas não tropeces nos pensamentos,
sentimentos.
ficam-te encravados nas artérias
entupimento de veias,
vias consecutivas das relações.

sabes que agora é assim
não te fiques por cá por mim

só agora te entendi,
só agora percebi
porque é que não respiro
e retiro o peso da tentação
perdição

não me olhes assim
sabes bem que é verdade
não me deixes ficar
vai-te e não me faças tropeçar
outra vez!

só agora te entendi
só agora percebi
porque é que tudo é tão insípido
quando de ti não há vestígio

10.4.14

Vazios II



Já não há luar que me afogue
E lá longe tu continuas
Minha estrela da noite
Minhas mãos serão sempre tuas

ah salteador de corações
em armações mais ou menos complexas
em sintéticas insinuações
de quase nada se chegam
e apertam a garganta
que te grita e não te sabe mais

ah que por muitos lugares
caminhos percorri e não te encontrei
na luz na noite me abandonei
sinuosa sedução de estrelas que me prendem agora
deixar-me-hei ficar por estas sendas
não mais te procuro
por aqui me detenho


Vazios



Se ás vezes te desejo
Outras há em que te odeio
Porque te quero tanto toda dentro de mim
Por me provocares tão ardente desejo
E porque te foste e me deixaste vazio
Tão vazio que não me encontro

Não me sinto mais.
Não haverá outra mulher que mo provoque.

Saberá melhor a minha alma
Ou as entranhas de um porco
Que delas dizem ler-se o futuro
Ora que o meu já foi mais que lido
Foi cumprido
E não há mais a dizer

9.4.14

Update: 10 Anos já lá vão


Os livros que tinha para oferecer já estão todos atribuidos, fico muito contente por ver que afinal este blog ainda tem leitores.

Muchas gracias por me lerem!!!

Infelizmente os livros não dão para oferecer a todos, e como disse, foram atribuídos por ordem de contacto.

Contudo, quem ainda estiver interessado em adquirir um exemplar, pode entrar em contacto comigo através do email deste blog (zanasmail@gmail.com) e eu darei todos pormenores necessários para poderem receber um destes no conforto do vosso lar.





8.4.14

Six Word Story

Sunset. Beautiful love story happening there.

Gimme all



If I go your direction
where will we go
If I look for your affection
where will you take me
you know

Nothing to care more
nothing to do
nothing to feel at all

oh baby tell me
please (please) tell me
shake my lake
and gimme all you got

If I'm on your mind
I know it
So please... please...
shake my lake
and gimme all you got

you is kind
your is precious
you is important
So please.... please...
shake my lake
and gimme all you got


7.4.14

10 Anos já lá vão...



Dez anos já passaram desde primeiro post. Entre muitos sentimentos escritos, dissecados e arrancados da alma. Entre uma publicação de um livro, algumas paragens, e muitas, muitas horas de escrita, cá estamos, e que venham mais 10, e mais livros!

E em jeitos de comemoração, vou dar prendinhas! Pois é, tenho cinco livros para oferecer!!!

Quem quiser receber um livro meu, poderá fazê-lo enviando-me um email com a sua morada, e é tudo! Dias depois terá o exemplar em sua casa.

Podem enviar email com a informação para: zanasmail@gmail.com




4.4.14

Dias



Há dias em que nada me afasta deste silêncio.
Há dias em que a vida me afasta de mim mesmo, e me empurra para ti.
Tu que me olhas desse lado do espelho.
Tu que me ardes e me mordes com esse olhar.

Há dias que te quero deste lado.
Há dias em que nada te faz mais inteira que as minhas mãos.
E tu dizes que me gostas, assim toda dentro de mim.
E tu dizes que mergulhas nos meus olhos, e que abres aquela porta que ninguém sabe.

E esses dias são eternos, não se vão.
Pararam no tempo e ali ficaram.
Pararam e prenderam-nos lá dentro.

3.4.14

Six Word Story


See? You love her, admit it!

Reencontros



Ahhh, que alívio. Senti tanto a tua falta, saudades desses olhos ardentes.

E eu das tuas mãos, do teu abraço, de respirar fundo.

Como pudemos estar tanto tempo sem nos tocarmos. Como é que eu aguentei tanto tempo sem te cheirar.

Pensei que morria...

Sabes, neste tempo que passou, não houve um único dia em que acordasse e não me lembrasse de ti, e em que não sentisse este aperto no peito... Marcaste-me muito. Mudaste muita coisa em mim, mais do que imaginas...

Só Deus sabe como aguentei tamanha saudade. Como vamos fazer agora. Como fazemos para resolver esta situação. Como nos podemos encontrar, como podemos viver sem sermos julgados por não sermos iguais aos demais.

Não temos de resolver nada. Somos o que somos. Nós é que fazemos as regras.

Façamos as regras então.

Só se tem esta vida. Vamos vive-la como ela se nos apresenta.

Vamos viver então.

Sim, viver...

Abraços



Se me abraçasses agora morreria,
Não saberia mais por onde viver.
Era o fim da espera,
e o fim desta era.

Se te abraçasse agora, que seriamos mais
para além do que já fomos.
Não saberiamos ser normais,
nunca o quisemos.

Se nos abraçassemos agora,
o tempo parava.
Ficavamos suspensos no infinito
que criamos.

Mas preciso-te,
preciso de morrer nos teus braços
para renascer no suspiro seguinte.

Precisas-me,
precisas de me sentir em ti,
como para ti precisas de me ter
sempre, nesse abraço

Portanto, abraça-me até morrermos
um no outro,
para voltarmos ao que sempre fomos.

1.4.14

Unidade de Tempo



Saudade, é a unidade de tempo que nos une.
À parte isso, nada mais importa,
Apenas o momento em que nos reencontramos
Como sempre...

27.3.14

Somos



Porto de abrigo, sim, somos o porto de abrigo, não digas que não. Corres para mim quando te sentes só, e eu corro para ti quando o mundo me abandona.

Somos o porto de abrigo um do outro, quais marinheiros do tempo, que sempre retornam ao seu porto de origem.

Sim, somos origem, ponto de partida, estado zero.

Somos a origem de nós, a origem desta magia que acontece quando nos tocamos. A leveza de saber que estamos sempre lá, ali, do outro lado do tempo.

Tempo que não existe. Sim, não existe.

Porque parece que ainda ontem senti o cheiro do teu corpo, porque parece que ainda ontem me tornei apenas teu, porque parece que ainda há pouco te cheirei.

Somos assim, sempre fomos. Sim, sempre fomos.

Não é de agora que somos assim, não. Não é desta vida, porque nós não existimos no tempo, não somos apenas agora. Somos todas as vidas de todos os milénios que já passarem e que hão de vir.

Atravessamos oceanos de tempo, e mesmo assim somos nós, não há falha, não há dúvidas, não há certezas, apenas nós e aquilo que somos quando nos tocamos.

Somos nós, e isso basta.

25.3.14

É apenas o começo



É apenas o começo. Só depois dói,
e se lhe dá nome.
Às vezes chamam-lhe paixão. Que pode
acontecer da maneira mais simples:
umas gotas de chuva no cabelo.
Aproximas a mão, os dedos
desatam a arder inesperadamente,
recuas de medo. Aqueles cabelos,
as suas gotas de água são o começo,
apenas o começo. Antes
do fim terás de pegar no fogo
e fazeres do inverno
a mais ardente das estações.
Eugénio de Andrade

13.3.14

Mi ma bô



Um paixão ta nascê, ta começa
Um amor ta raiá, ta conquista

Ta nascê, ta começa
Ta raiá, ta conquista

Mi ma bô, bô ma mi
Nôs ta voá
Mi ma bô, bô ma mi
Nôs ta sonha

Bô é tudo qu'im crê, bô é nha luz
Nha coração ta batê forti pa bô

Sara Tavares

12.3.14

Não há


Já não existo,
e o lugar em que me vias,
deixou de estar.

A praia já lá não está,
e as tuas mãos vazias de mim,
já não têm mais por onde procurar-me.

Já não existo,
nesse tempo que era eterno, terminou.
O ponto de encontro,
o por do sol, terminou.

Agora é a terra que me acolhe.
Morna e terna me embala,
e me consome lentamente.

Agora é o peso da lembrança
que se vai desfazendo,
comida pelo tempo.

Já não há mais nada aqui.
O tempo acabou,
A lua foi-se
e as estrelas apagaram-se.

Já não há mais palavras,
Nada delas para ti já se pode dar.

Reinventar-se-ão para outras vidas
Outras histórias
Outros tempos eternos.

Porque aqui,
Aqui já não há.

7.3.14

Das pedras e da Luz



E a espera tornava-se tortuosa nos caminhos em que a loucura era normal.
Naqueles tempos, os loucos (aqueles que se diziam), nada fazim à conta do mal estar impregnado na alma.
Mas eis que ela apareceu, trazendo consigo um jarro de luz, daquela que não desaparece, que se estabelece nas células de quem a bebe.

Ilumiou-se quem tinha sede, quem não tinha, deixou-se ficar.

Empedreniram-se os invejosos, tentando nas suas batalhas abafar aquela luminusidade dolorosa.

Maldita, diziam. Maldita sejas tu mais a desgraça que trouxeste nesse teu jarro, que se parta, que ele se parta...

Ela continuava a dar de beber a quem lhe pedia, e contra isso eles (os eoutros), nada puderam fazer. Ainda tentaram (se bem que sem sucesso algum), partir aquele jarro, despejar o seu conteúdo, mas sempre que o faziam nada acontecia, o jarro inquebrável, e a água, aquela água espessa e luminosa, não parava de sair, e mantinha sempre o jarro cheio.

Como é possivel, choravam os desgraçados. Como será possivel  que não se parta um simples barro, e que não se esvazie tao pequeno tamanho.

Choraram até secar, e transformaram-se em pedras com o tempo, pedras que se ficaram nos caminhos dos que daquela água provaram...

Por todas as gerações seguintes, sempre se repete este ritual,  da-se de beber a quem tem sede, e ficam-se a chorar aqueles que não a querem, transformando-se nas batalhas dolorosas, na esperança de que aquela luz que tanto os encandeia, cesse um dia.

Ficaram assim pela eternidade, pois que a luz que cura, aquela luz que depois de se beber se instala nas células, não se apaga, não se extingue, passa de geração em geração, na tentativa de se poder multiplicar e purificar aqueles que dela têm sede, aqueles que a desejam.


27.2.14

Away it goes



Requesting some stupid issues
Alone just for some moments
There is something you don't know
(Let it go)

Away it goes
No matter what
(You know)

Saving some light inside
Alone just for some moments
There is something you can't see
(let it go)

Smothering some anger
Alone just for some moments
There is something you don't know
I won't accept it
...you can't see (the light)
(so let it go)

I'm not yours
I'm no ones
I'm me, myself

Away it goes
No matter what
(You know)

13.2.14

Nada de mim



Retiro todos os pontos e notas.
Não, não há nada de mim aqui.

Vou ali e já volto,
ao lugar onde me encontro sempre,
é sim, é lá
não é aqui.

Retiro, não,
não retiro.
não está nada de mim aqui
por isso não retiro.

volto a ecrever e reescrever,
não há nada de mim aqui,
apenas lá,
onde o lugar é só meu.

tu sabes onde sou eu.
é lá, no nosso lugar,
onde só tu me sabes encontrar.

11.2.14

Essa miúda




Essa miúda é uma fogueira
Que te acende as noites em qualquer lugar
E tu desejas arder com ela
Enquanto bebes o perfume
Que ela deita nos seus trapos de cor
Para te embriagar
Essa miúda é um exagero
Diz que sem ti não sabe voar
Mas tu adoras voar com ela
Enquanto inventas espaços novos
Ela vai arquitetando uma teia
P´ra te aconchegar
Essa miúda faz-te acreditar
Que o sol é um presente
Que a aurora trás
Principalmente p´ra ti
Essa miúda é uma feiticeira
Prende-te a mente e põe-se a falar
E tu bem tentas compreende-la
Mas o que sai da sua boca
Não parece condizer com o que ela
Te diz com o olhar
Essa miúda faz-te acreditar
Que o sol é um presente
Que a aurora trás
Principalmente p´ra ti

Jorge Palma

10.2.14

Primavera



Sábado à noite não sou tão só
Somente só
A sós contigo assim
E sei dos teus erros
Os meus e os teus
Os teus e os meus amores que não conheci
Parasse a vida
Um passo atrás
Quis-me capaz
Dos erros renascer em ti
E se inventado, o teu sorriso for
Fui inventor
Criei um paraíso assim
Algo me diz que há mais amor aqui
Lá fora só menti
Eu já fui de cool por aí
Somente só, só minto só
Hei-de te amar, ou então hei-de chorar por ti
Mesmo assim, quero ver te sorrir...
E se perder vou tentar esquecer-me de vez, conto até três
Se quiser ser feliz....
Se há tulipas
No teu jardim
Serei o chão e a água que da chuva cai
Para te fazer crescer em flor, tão viva a cor
Meu amor eu sou tudo aqui...
Sábado à noite não sou tão só
Somente só
A sós contigo assim
Não sou tão só, somente só
Hei-de te amar, ou então hei de chorar por ti
Mesmo assim, quero ver-te sorrir...
E se perder vou tentar esquecer-me de vez, conto até três
Se quiser ser feliz
Hei-de te amar, ou então hei de chorar por ti
Mesmo assim, quero ver-te sorrir...
E se perder vou tentar esquecer-me de vez, conto até três
Se quiser ser feliz
Hei-de te amar, ou então hei de chorar por ti
Mesmo assim, quero ver-te sorrir...
E se perder, vou tentar esquecer-me de vez, conto até três
Se quiser ser feliz....

The Gift

The way it was before

7.2.14

A Paz





Não há mais lugar algum, em que te encontre.
Dentro de mim reside apenas a lembrança
A paz, ficou por lá.
Retornará quem sabe
Aos espíritos destemidos que por ela se foram

6.2.14

Fundo




Não respiro.
Desde aquele dia que não respiro, aquele respirar fundo, aquele alívio. Os meus pulmões ficaram presos, não se abrem. E esta corda, tão esticada, que faz doer tanto.

Já não consigo ir à tona, continuo a descer até ao fundo deste mar que navegamos, o oxigenio é tão escasso. Que pedaço de dor deixaste comigo, a pior talvez, a pior dor que tínhamos, deixaste-a comigo, e ela pesa, e arrasta-me para o fundo, continua a afundar-me neste naufrágio inevitável.

Ah, que alívio. E respiravas fundo como se tivesses nadado até mim sem botija. Este aperto que só passa quando sinto o teu peito no meu, dizias. Era quase como se houvesse uma necessidade descontrolada de nos fundirmos.

Só alivia quando mergulho em ti, quando abres as portas da tua alma e me deixas entrar, para esse lugar, que só eu conheço, que nunca ninguém viu, nem vai ver, porque eu tenho as chaves, apenas eu consigo abrir essas portas. E estas chaves vão comigo, enquanto continuo em direcção ao fundo, cada vez mais, mais fundo.

Vou até ao fundo mais profundo, para deixar lá estas chaves, e vou voltar à tona para respirar, agarrar a bóia que me espera, e chegar ao porto seguro que me aguarda.

Não voltarei àquele lugar, nem eu, nem ninguém, pois essas portas só eu as abro, só eu sei como, só eu sei onde elas estão.

4.2.14

Lugar nenhum



Não vou a lugar nenhum
vou ficar aqui na minha solidão
até acordar deste sonho vagabundo

Não vou andar por aí
não sei por onde ir
vou ficar aqui na minha escuridão
até que algo me faça ver
se ainda existe luz

Não vou a lugar nenhum
vou ficar aqui no quente do meu coração
(solitário coração)
e ver o tempo a passear
lá longe
de mim

Não vou a lugar nenhum
vou ficar calma e quieta

até conseguir acordar

Six Word Story

From what are you running away.

31.1.14

Que assim seja




Nas tuas mãos me entrego oh Pai.
E que assim seja, agora e sempre
Que a Tua vontade se cumpra
A cada dia e a cada noite

Perdoai-lhes e perdoai-nos
pois não sabemos o que fazemos
Pois que este mundo em que vivemos
É mundo cão
e nele todos os dias nos perdemos

30.1.14

Só mais uma vez




O tempo parou
Naquele momento
Em que os teus olhos
Tocaram os meus

Sinto a tua pele mais uma vez
O teu cheiro entranha-se no meu corpo
Respiro-te, inspiro-te
Absorvo tudo o que deixas ficar

Fecho a porta e tu permaneces
O teu toque
O teu olhar.

Nos lençóis ainda te sinto
Fecho os olhos e ainda te oiço
Respiro fundo e o teu perfume
Trás-te de volta
Só mais uma vez.

E deixo-me ficar
Enroscada no teu regaço
Ate que a noite me leve
Para onde tu me quiseres
 Só mais uma vez.

29.1.14

Não, isto não é um poema



Não, isto não é um poema,
é apenas a minha ânsia de te sentir mais perto.
Talvez escrevendo-te te consiga trazer de volta.

A cama ainda estava desfeita,
o teu cheiro, ainda o sinto,
ficou agarrado aos cobertores.
No meu corpo ainda sinto o que ficou do teu toque,
do teu beijo,
da tua língua...

E escrevo-te,
escrevo-te para não enlouquecer de saudades.
Escrevo-te para chegar até ti pelas palavras.
Na esperança que elas te levem o vazio que ficou no meu peito,
e que o possas preencher com o meu coração,
sim  o meu coração que levaste contigo,
quando te foste.

Ocupo-me de afazeres,
que por bem ou mal ainda são alguns,
e ajudam-me a passar esta espera de ti.
Mas desespero,
óh como desespero com este tique taque interminável
enquanto não chegas outra vez...

Eu sei, eu sei,
uma exagerada eu sei
Mas é como tu dizes,
quero muito, sim quero-te muito, a ti;

sinto muito,
sim, sinto muito a tua falta,
saudades,
tantas que elas são.

E onde estarás tu agora...onde estas tu e para onde me levaste?

Luto



Se esticar mais
Vai-se partir
Esta corda de aço
Vai-se partir
Se puxares mais
Eu vou morrer
Esta corda de aço
Vou morrer

Ainda me dóis no peito
Sinto quando me pensas
Fazes-me esta tortura
Deixas-me em ponto de loucura.
E vais como quem não sabe,
o que provoca esta saudade
Não a quero, não a quero!

Se esticar mais
Vai doer
Esta corda de aço
Vai doer
Se puxares mais
Eu vou desaparecer
Esta corda de aço
Vou desistir

Rebenta sempre a dor
e arde ainda esta chama
que te queima
no meu peito,
que atormenta os dias
que não passam
que me arrastam

Ferido ardor
nas nossas almas
as promessas de voltar.
E arde ainda esta chama
que te queima
no meu peito,
que atormenta os meus dias
que não passam
que me arrastam

Se esticar mais
Vai-se partir
Esta corda de aço
Vai-se partir
Se puxares mais
Eu vou morrer
Esta corda de aço
Vou morrer

Não vou ficar
Nem mais um minuto.
Estou de luto,
Estou de luto.

Six Word Story

Stop thinking about me, it hurts.

26.1.14

Quebramos os dois


Era eu a convencer-te de que gostas de mim,
Tu a convenceres-te de que não é bem assim.
Era eu a mostrar-te o meu lado mais puro,
Tu a argumentares os teus inevitáveis.
Eras tu a dançares em pleno dia,
E eu encostado como quem não vê.
Eras tu a falar p'ra esconder a saudade,
E eu a esconder-me do que não se dizia.
Afinal...
Quebramos os dois afinal.
Quebramos os dois...
Desviando os olhos por sentir a verdade,
Juravas a certeza da mentira,
Mas sem queimar de mais,
Sem querer extingir o que já se sabia.
Eu fugia do toque como do cheiro,
Por saber que era o fim da roupa vestida,
Que inventara no meio do escuro onde estava,
Por ver o desespero na cor que trazias.
Afinal...
Quebramos os dois afinal,
Quebramos os dois afinal,
Quebramos os dois afinal,
Quebramos os dois...
Era eu a despir-te do que era pequeno,
Tu a puxares-me para um lado mais perto,
Onde se contam histórias que nos atam,
Ao silêncio dos lábios que nos mata.
Eras tu a ficar por não saberes partir,
E eu a rezar para que desaparecesses,
Era eu a rezar para que ficasses,
Tu a ficares enquanto saías.
Não nos tocamos enquanto saías,
Não nos tocamos enquanto saímos,
Não nos tocamos e vamos fugindo,
Porque quebramos como crianças.
Afinal...
Quebramos os dois afinal,
Quebramos os dois afinal,
Quebramos os dois...
É quase pecado que se deixa.
Quase pecado que se ignora.

Toranja

22.1.14

Felicidade



"Todos os dias vou adormever aqui, a ouvir-te respirar. Todos os dias vou acordar aqui, a ouvir-te respirar. E a felicidade existe. Ouvir-te respirar é a prova de que a felicidade existe."

'In Sexus Veritas' - Pedro Chagas Freitas

20.1.14

Podia




Podia ter-me esquecido das tuas mãos
No entanto elas, aqui
tão cheias de mim como dantes

Podiam-se ter libertado desta pele pegajosa
que as colacam no corpete asfixiante
No entanto elas, aqui
tão presas como dantes

Podiam ter deixado de me cheirar
este cheirio que fica
No entanto elas, aqui
tão profundamente embriegadas neste aroma


19.1.14

Tu lhes dirás


"Tu lhes dirás, meu amor, que nós não existimos.
Que nascemos da noite, das árvores, das nuvens.
Que viemos, amámos, pecámos e partimos 
Como a água das chuvas.
Tu lhes dirás, meu amor, que ambos nos sorrimos
Do que dizem e pensam 
E que a nossa aventura, 
É no vento que passa que a ouvimos, 
É no nosso silêncio que perdura. 
Tu lhes dirás, meu amor, que nós não falaremos 
E que enterrámos vivo o fogo que nos queima. 
Tu lhes dirás, meu amor, se for preciso,
Que nos espreguiçaremos na fogueira."

Ary dos Santos

10.1.14

Como sempre foi



Existia sempre tão boa medida, como remédio, e os seus olhos procuravam-na, mesmo sem saber de onde nem de quando a encontraria.

Eram assim os seus dias: a procurar por ela, que sempre viria, mas que nunca chegava. 

E por agora, soltava o grito mudo que nunca saía e o estrangulava a cada hora que passava.

Deixaste a fasquia muito alta, sabes. Como será agora que não te vou ter mais.

Será como sempre foi, um dia igual ao outro, e a todos os que já passaram, os que hão de vir, serão como os que já foram, sem mim.

O que não tem remédio, remediado está, pensava. Agora é continuar como sempre fui, e como sempre vou ser. Agora é continuar como sempre serei e continuarei. Não vou desistir de te procurar, nem que seja dentro das memórias, nem que seja dentro dos teus olhos que já não vejo. Vou continuar a procurar-te, e vou continuar a encontrar-te no ponto em que esta corda se esticou, neste ponto profundo do meu peito, que quase rasgado ainda te puxa.

Agarrou na corda e puxou-a com força, toda a que conhecia de si, dos seus braços fortes de marinheiro. O barco aproximou-se flutuando, entrou. Pegou nos remos e remou para longe, para onde ninguém o pudesse ver. Para onde pudesse sozinho e com ela, aprecisar aquele por do sol, o deles.

9.1.14

L'important C'est La Rose



"Toi qui marches dans le vent 
Seul dans la trop grande ville 
Avec le cafard tranquille du passant 
Toi qu'elle a laissé tomber 
Pour courir vers d'autres lunes 
Pour courir d'autres fortunes, 
L'important... 

L'Important C'Est La Rose 
L'Important C'Est La Rose 
L'Important C'Est La Rose 
Crois-moi 

Toi qui cherches quelque argent 
Pour te boucler la semaine 
Dans la ville tu promènes ton ballant 
Cascadeur, soleil couchant 
Tu passes devant les banques 
Si tu n'es que saltimbanque, 
L'important... 

Toi, petit, que tes parents 
Ont laissé seul sur la terre 
Petit oiseau sans lumière, sans printemps 
Dans ta veste de drap blanc 
Il fait froid comme en Bohême 
T'as le coeur comme en carême, 
Et pourtant... 

Toi pour qui, donnant-donnant, 
J'ai chanté ces quelques lignes 
Comme pour te faire un signe en passant 
Dis à ton tour maintenant 
Que la vie n'a d'importance 
Que par une fleur qui danse 
Sur le temps... "




8.1.14

Medo



"Quem dorme à noite comigo
É meu segredo,
Mas se insistirem, lhes digo,
O medo mora comigo,
Mas só o medo, mas só o medo.
E cedo porque me embala
Num vai-vem de solidão,
É com silêncio que fala,
Com voz de móvel que estala
E nos perturba a razão.
Gritar quem pode salvar-me
Do que está dentro de mim
Gostava até de matar-me,
Mas eu sei que ele há-de esperar-me
Ao pé da ponte do fim."

3.1.14

Legend of the Pheonix




From the ashes I raise again
With a new beginning from within

Looking to the wrong side I was
But now I know
Witch path to take

From the lights above I see
From the sun shining on me
Now I know they'll guide me home

And all the wounds will close
And all the blood will return to the heart
And the beat will take me further

27.12.13

Loucura Renovada



E a Loucura fez-se a si própria
Construiu-se e renasceu
Apoderou-se dela
Tomou-a por completo
Repleta de insanidade
No clarear da realidade
Tentou tomar novo corpo
Fez de mil formas a sua
Sugou a sensatez
E voltou a erguer-se
Sob a sua podre imponência

Six Word Story

Move that way, make me crazy.

16.12.13

Six Word Story

Nothing will never let me go!

Não há quem

Não há quem me leia, mas continuo a escrever.
Sou poetisa das sombras, continuo aqui mesmo sem me ver.

Não há quem me leia, mas continuo a dizer,
Se algum dia as encontrarem,
Estarão aqui para se beber.

Não há quem me leia, mas continuo a cantar,
Talvez a melodia tenha mais força para voar.

Não há quem me leia, mas continuarei a deixar,
Que estas palavras me saiam
E me fujam sem nunca mais as abafar.

Não há quem me leia, mas continuarei,
Até que a mão me pare, e a respiração se cale.
Então nesse dia, talvez alguém me vá escolher.

10.12.13

A Teia





Fiquei colado na tua teia. Mexo-me e remexo-me, volto e reviravolto, e nada, não me liberto de ti. Montaste a teia e apanhaste-me distraído, e eu caí.

E agora, que faço.

Vou tecer uma teia também para te agarrar, e vou-te prender mais do que me prendeste a mim. Vou enrolar essa teia nesta que me prende e serás prisioneira comigo.



Six Word Story


Shocking day was, nothing else remained.