18.6.14

Six Word Story

Then the world was not enough.

Sede


Hoje acordei com sede. Sede de nós, quando nos encontrávamos às escondidas, para que não nos julgassem, para que não nos acusassem daquilo que nós éramos.

Acordei com o corpo dormente. Passado tanto tempo ainda te ressaco, ressaca que faz doer o corpo, mas ainda mais a alma. A dor da alma é a pior de todas.

Continua a custar respirar, como se tivesse fumado 50 cigarros de uma vez. O peito ainda se me aperta. E neste aperto é que acordei. Nos lençóis ensopados naquilo que foi o nosso encontro.

Hoje acordei recortada, com a falta do teu corpo no meu, com a marca detalhada das tuas mãos em cada centímetro de pele por onde passaram.

Que faço com isto. E agora, que faço eu com isto. Mastigo. Engulo. Cuspo. Regurgito.

Retorno. Devolvo-te. Entrego-te isto que me deixaste, não quero nem preciso.

Fica, podes voltar a precisar de a usar. Esta droga não se esgota, estás à vontade. Eu é que não a quero mais, já bebi o suficiente. Já tive a pedra suficiente para que me baste.

Vou-me. A reabilitação está concluída. Porque a sede com que me acordaste, já não existe mais.

Matei-a para sempre.
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17.6.14

Misunderstandings




“I shall look at you out of the corner of my eye, and you will say nothing. Words are the source of misunderstandings." -from the Fox-”
Antoine de Saint-Exupéry, The Little Prince

5.6.14

O Mundo Pode Acabar Amanhã





Ela tinha a cabeça às voltas, não conseguia pensar, não dava para organizar os pensamentos, sentia-se como se estivesse no meio de uma tempestade, tudo vinha ao mesmo tempo e nada fazia sentido, aquela sensação de euforia misturada com uma apatia descontrolada, não conseguia reagir.

O que é que estou a fazer, por que caminho me estou a meter, isto vai correr mal... isto vai correr muito mal... E o que é que ele tem na cabeça para me fazer isto. Ele sabe os riscos que corremos. Estou a perder-me. E agora o que é que eu faço com isto.

Ele abraçou-a, ela gelou, não conseguia controlar a respiração, quase entrou em pânico, as pernas tremiam, o coração explodiu de palpitação, mas deixou-se ficar naquele abraço, sabia tão bem estar nos braços dele.
Ele olhou-a nos olhos, com os dedos puchou uma madeixa de cabelo para o lado. Olhou-a novamente e aproximou-se em direcção da sua boca, ela conseguiu desviar a tempo. Abraçaram-se ainda com mais força e ela petrificou por completo, não se mexia nem um milimetro, embora tivesse tremor de terra no peito (mas ele não podia saber).

Chovia. Ficaram debaixo do guarda chuva por momentos, como se o tempo estivesse suspenso, à sua volta as pessoas continuavam a passar apressadas, sem que dessem conta da revolução que acontecia mesmo ali do lado, entre aqueles dois desconhecidos que se abraçavam como se despedissem.

Ela olhou-o com esforço para não chorar.

O mundo pode acabar amanhã. Disse ele novamente tentando beija-la. Ela afastou-o.

Não te quero voltar a ver. E fugiu. Andou horas pela cidade, sozinha, até encontrar um banco. Sentou-se, mesmo no molhado, não se importou, o seu mundo tinha acabado.

Especial



Posso-te.
Tenho-te.
Escrevo-te.
Quero-te.

Por tudo e todas as noites.
Dos dias os luares
adormecidos.
Por tantos e tantos beijos
perdidos.

Especial.

És especial sim.
Não mais do que aquilo que sabemos que somos.
Mas mais do que tudo que sempre sonhei.

Estarei.

Sempre aqui na beira do tempo.
Que em cada momento te recenheço,
de entre nevoeiros espessos.
Em reflexos de tempo estremesso.

Espero-te.

Em cada eternidade que passa.
cada beijo perdido na procura
da nossa casa
doce casa.
No nosso mar eterno
como quem voa numa só asa.

4.6.14

Six Word Story

Kill me. I will born again.

Cartas de Amor #9




Alvorada que me corta, que me arranca do peito o coração. Este que já não é meu desde que me cruzei com essas amêndoas negras. Negras. Negras são minhas noites por não poder ter-te em mim.

Somente a lembrança do calor desse teu peito. Montanhas quentes em que me deitei.

Voltarás tu, oh minha Musa. Minha Deusa. Minha Afrodite. Não te esqueço mais. Não importa o tempo que se passe em  mim. Não te perco mais. Não importa, não se apaga a tua memória na minha pele. 

Pele. Esta pele que te pede ainda. Por dentro, toda ela se forma em ti, para sentir-te. Absorvi-te. Minha Deusa, minha Afrodite. Dissolveste-te na minha essência.

Formaram-se todas as noites numa só. Naquela. Numa. A nossa. Formaram-se todos os sentidos. Deixou-se existir a eternidade, apenas sentida, suspensa. E nela nos abandonamos para sempre, que sempre a ela pertencemos.

Morremos.
E nada nos arrancou à nossa saudade.

Solitário

Solenemente me trago por onde me quero.
Se não te posso ter não te desejo.
E porque um beijo no mero acaso, fez de mim teu eterno escravo,
vou escavando a loucura, de te ter por perto esta ternura,
que perdura e perfura este meu coração.
Solitário.

28.5.14

Cartas de Amor #8


Nunca mais te vi e no entanto ficaste esculpida em mim, na minha carne, no meu sangue.

Recordo a tua silhueta em contra luz, recordo a tua luz. Tão luminosa que te via. Iluminavas-te depois de nos mergulharmos, toda tu eras uma luz imensa.

Dentro dos teus olhos deixava-me cair. No início assustava-me a forma como me invadias, mas depois pedia-te que me entrasses, que me inundasses com esse teu branco. Quando sorrias tinha medo, medo de ficar preso a ti, de tal forma que não me pudesse encontrar mais, perdido que ficava. E tu tanto que me gostavas.

Quero-te ainda. Sim. Sabes, apesar de nunca mais te ter visto, a minha essência ficou deserto, ainda te quero. Muito. Tanto, que me dói.

Nunca mais respirei fundo. Aquele fundo que era nosso. Poderoso.

Ainda te espero. Paro à beira mar, vejo o pôr do sol, na esperança que ainda apreças, e me abraces. Que me digas que não te vais mais.

Ainda o tenho, tu sabes que tenho. Ele ainda está nas minhas mãos. O meu está nas tuas. Coração ensanguentado. Desatado de tudo o mais. Acorrentado a ti.

Não quero mais ninguém. Nunca mais. Ninguém. Tu. Apenas. Só.

Achei que me salvava. Achei que me lavava da consciência pesada. Achei que te esquecia. Que o empo tudo apaga. Mas ficaste. E continuas como ontem. No peito dói. Sempre.

Como posso eu apagar esta história, retirar da memória. Tenho a alma dorida de te pensar. De tanto te precisar.
Preciso que me voltes. Que me digas que não te vais.
Ver-te e respirar-te.

Para não mais deixar de amar-te.

Chocamos Tu e Eu





sei que não vais mudar dentro da ilusão,
mas queres parar por ser bom saber que há a minha mão para descansar,
para te esconder e não mostrar.

vem, não vou perguntar se não queres dizer, ahh deixa ser,
o que é bom sentir, só mais uma vez quase sem tocar.
para respirar, só mais uma vez. quando eu não quis ver fui a deslizar,
quando ninguém quis parar, cresceu.
e então chocámos tu e eu, e então chocámos tu e eu.
ahh, diz-me onde estás, vou ter aí. já sem razão para desculpar,
já sem saber para onde ir, para te fugir, para me esquivar, não me destruir.
quando eu não quis ver fui a deslizar, quando ninguém quis parar, cresceu.
e então chocámos tu e eu, e então chocámos tu e eu, e então chocámos tu e eu.

hoje vais dizer que já não tens paz, hoje vens pedir para te ensinar.
quando ninguém viu, quando a chuva cai o rio cresceu, e então chocámos tu e eu.
e então chocámos tu e eu.
e então chocámos tu e eu.

sei que não vais mudar e que eu vou partir,
eu quero alguém que me queira bem para me construir

Composição: Tiago Bettencourt

26.5.14

Intensidades



Há saudade no canto que me trazes
mas nem sempre a espera é dolorosa
Que de entre essas notas me fazes
a mais completa de entre todas as aves

No céu mais longínquo de todos os azuis
serão minhas, asas infinitas

Lembranças de conquistas e abraços
de lágrimas caídas nos regaços
de croações feitos em pedaços
resgatados e trazidos novamente
resgatados e renascidos
batendo agora intensamente

Sabendo tu, que serei teu para sempre

23.5.14

Se Eu Voltar





Às vezes pergunto que mais te hei-de eu fazer,
Tanto orgulho ferido, tanta paz por vencer.
Às vezes detesto o que resta de mim,
Sempre longe do mundo, sempre perto do fim.
Eu só quero que tu saibas quem sou,
Ter a certeza que o meu tempo chegou,
Quero que me digas para partir ou ficar.

Se eu voltar atras
Sera que dizes que sim outra vez,
Tomas conta de mim de vez em quando,
Se eu voltar.

Ja cantei as palavras, e as pedras do chao,
Pelas ruas estreitas vendi toda a razao.
Ja te disse poemas que nao quis escrever,
Foram gritos apenas que nao soube conter.
Eu só quero que tu saibas quem sou,
Ter a certeza que o meu tempo chegou.
Quero que me digas para partir ou ficar.

Composição: Pedro Abrunhosa

Fairy



Counting healthy peaces
counting empty spaces
from the soul

 surrounded by full
apathy
no space behind

 growing strength from
nothing
glimpses of light in
darkness

 this is the entire
story
of a fairy
harmless

Image from appszoom

21.5.14

Eternal




Close your eyes, let me touch your skin
Feel, just feel
Breathe, only breathe and feel
Let your eyes be closed
Taste this smell in my mouth
Can you feel it
is the taste of us
when we are one

Let me feel the lines of your face
Let me study them
Let me forget reality
Give me this moment

Let’s make it eternal

Sempre que te penso



Ainda me dóis quando te penso
Por dentro uma ferida aberta que não pára de sangrar
O tempo não se cala
e a saudade mata-me sempre que começa um novo dia

Adormeço contigo, nos teus braços
Acompanhas-me na noite
em silêncios aconchegantes

Chagas abertas que deixaste
e o meu calvário desesperante
Abraça-me e não me soltes mais

Porque me dóis sempre que te penso
Porque me dóis sempre
Porque me dóis

20.5.14

Só é Fogo se Queimar




Mais uma promessa
Mais um dia a duvidar
Mais outro remendo à pressa
Mais uma forma de te procurar

A saudade não dá tréguas
Pede um sopro de ar
Para em mágoas repousar

Se eu falar talvez tu negues
Me chames a dançar
Sinta o corpo a voar

Só é dor se for vontade
De agarrar
Só é fogo se queimar

Só é felicidade
Enquanto durar
Só é fogo se queimar.

Só mais um momento
Lamento muito tempo, tanto tempo a mais
Mais que um sentimento
Mais que o segredo, ainda é cedo

A verdade mora a léguas
Faz cambalear
Tem, tem grades a penar

Se eu falar talvez tu negues
Me chames a dançar
Sinta o corpo a voar

Só é dor se for vontade
De agarrar
Só é fogo se queimar

Só é felicidade
Enquanto durar
Só é fogo se queimar.

Só é dor se for vontade
De agarrar
Só é fogo se queimar

Só é felicidade
Enquanto durar
Só é fogo se queimar.

Só é dor se for vontade
De agarrar
Só é fogo se queimar


Amor Electro
Letra: Jorge Cruz
Música: Tiago Pais Dias 

19.5.14

Magic




Já tinha saudades disto que nós somos quando estamos juntos.

Eu ainda não sei o que é isto. Não entendo o que é que acontece.

Eu também não sei. Mas gosto. Sabe bem. É isto.

Sim, também gosto. Mas não entendo o que isto é. É como se fosse magia, não sei dizer de outra forma. Magia que não se entende, nem se explica.

Sentes. Eu sei o que dizes. É-me igual também. Não precisa ter explicação.

Não. Só sei que te gosto. E já sinto saudades.

Eu também. Encontramo-nos no outro lado do tempo.

Sim, encontramo-nos lá, nesse lado.

Está bem. Eu vou fazendo a minha vida. Tu, vai fazendo a tua também. Os nossos caminhos encontrar-se-ão sem que precisemos de os comandar.

Já sabes que sim, sempre foi assim, e assim vai continuar a ser. Temos um laço inquebrável, não parte e não se altera.

Então até ao outro lado do tempo.

Até quando os nossos caminhos se cruzarem de novo.

Gostei de estar contigo.

Eu também. Gosto sempre.

Vive bem.

Tu também.

16.5.14

Conquistas e Traições




Que estamos a fazer.

Asneira, da grossa.

Ela olhou-o novamente, enquanto ele acariciava o seu rosto, e afastando as madeixas que lhe tapavam a boca beijou-a novamente. O elevador abriu-se, mas eles mal deram conta. Aquele mergulho interminável. Um instante de infinito em que nada mais importou. Foram eternos.

Subiram, finalmente.  A luz magoava os olhos. Eles quase não se olhavam, havia vergonha. Ela tinha, estava devastada pelo que estava a acontecer, quase não conseguia respirar.

Chegaram à porta, ele abraçou-a e beijou-a novamente.

Não podemos fazer isto. Não é justo para ninguém. Ela não merece. Nem ela, nem os pequenos. Ninguém.

Pois não, tens razão ela não merece.

Vai-te embora. Não me faças isto.

Sim, eu vou, mas não sem antes de dar mais um bei…

E voltou a beija-la como se quisesse mergulhar na sua boca. Aquela língua, deixava-o doido. 

Ela empurrou-o já de lágrimas nos olhos.

Vai-te embora. Isto não está certo.


Os olhos dele reluziram. Ainda não foi desta, mas já está no papo, pensou. Abriu a porta, e olhou para trás, ela já tinha desaparecido.

Ah se te Amo - Cartas de Amor #7



É tão dificil não te amar. Mesmo quando não penso, mesmo quando me sinto, apenas.

E como pode ser certo ou errado. Como é que pode ser errado amar, assim desta maneira, sem saber muito bem porquê, com esta intensidade...

Como pode, no acto mais desmedido de se amar alguém, ser pecado. Se assim é, todo eu sou pecado, porque todo eu te amo, todo eu te reajo, todo eu te sente no mais ínfimo átomo da minha alma, com todo o meu ser, inexplicavelmente te Amo.