25.9.14

Preciso Mentir Que Te Amo




Preciso mentir que te amo
Te dizer baixinho no ouvido
Te abraçar e fazer de conta
Que nesse amor não duvido

Preciso mentir que te amo
Os teus ombros... à frente
Esquecer que o amor que preciso
É cobarde, é valente.

Acordar de manhã
E fazer um café p'rá você
Abraçar-te com cuidado
E depois adormecer-te no meu porto

Dizer que só a teu lado
É onde não durmo sozinho
Olha me mostra o caminho
Pois ri que me amas

Preciso agora de um bem
Pode ser que amanha eu me esqueça
E a olhar da janela de um trém
Um novo amor me apareça

Acordar de manhã
E fazer um café p'rá você
Abraçar-te com cuidado
E depois adormecer-te no meu porto

Preciso mentir que te amo
Te dizer baixinho no ouvido
Te abraçar e fazer de conta
Que nesse amor não duvido

Eu preciso agora de um bem
Pode ser que amanha eu me esqueça
E a olhar da janela de um trém
Um novo amor me apareça

Acordar de manhã
E fazer um café p'rá você
Abraçar-te com cuidado
E depois adormecer-te no meu porto

Letra - Pierre Aderne
Música - Jorge Palma

24.9.14

Six Word Sotry

With you, I want it all.

Always In My Head









I think of you
I haven't slept
I think I do
But, I don't forget
My body moves
Goes where I will
But though I try my heart stays still
It never moves
Just won't be led

And so my mouth waters, to be fed
And you're always in my head

You're always in my head
You're always in my head
You're always in my head

You're always in my head
Always in my...
Always in my...

This, I guess, is to tell you you're chosen out from the rest...

Song by Coldplay

16.9.14

Realidade - Cartas de Amor #19

De dentro desta serenidade, reconheço-te. Amo-te profundamente, e aparentemente, não te tenho.

Amar é deixar partir, sem ir atrás. O amor que nos une é mais que uma mera distância, essa, a mera distância, é apenas um pequeno pormenor. Não será nem a distância, nem o tempo que nos falhará.

E sim, não tenho medo de dizer que te amo, e vou dizê-lo as vezes que o sentir a estalar-me de dentro do peito, as vezes que se expandir e me levar até ti. Mesmo que não o ouças. Mesmo que não o saibas. Ou penses que não o sabes. Porque tu sabes. Sabes bem a força do que nos une. Melhor do que eu até. Muito mais lucidamente que eu, sim.

Por isso não me dói, não te ter. Não és meu. Não sou tua.

Sabemo-nos. Pertencemo-nos.

Não será diferente do que tiver que ser.

A vida encarregar-se-á de o fazer acontecer.


Madalena

11.9.14

A qualquer instante

Pressinto o respirar da tua consciência.
Sinto cada toque do teu pensamento,
cá dentro,
onde estás.

Viajo para o nosso tempo,
e respiro a magia que me trás,
eu sei…
a qualquer instante voltarás.

10.9.14

A Viagem - Sexta

Silêncio. Silêncio suave. Era deste silêncio que Teodoro gostava. Uma imensidão de paz e silêncio.

Bater de asas, ouvia apenas isso. Voava agora nas costas de um dragão alado. Sorria. Sentia-se em paz. Era livre. Madalena voava ao lado dele, as suas asas brancas brilhantes eram gigantescas, faziam-na parecer um anjo. Ela sorria também. E do seu sorriso podia ler-se um, Amo-te. Tranquilo e sereno. Voaram sobre vales e montes, lagos tão calmos que eram espelhos autênticos. Neles viram todas as vidas. Todos os momentos em que se conheceram pela primeira vez. Todos os sorrisos. Todas as lágrimas. Todos os abraços. Todos os Amo-te.

De repente, Teodoro começou a cair, o dragão desaparecera. Madalena voava na sua direcção de braços estendidos, tentava agarrar-lhe as mãos. Pareciam tão próximas e ao mesmo tempo tão difíceis de alcançar…

Teo. Agarra as minhas mãos. Teo. Meu amor. Olha para cima. Agarra as minhas mãos.

Mas Teodoro não reagia. Parecia ter perdido a consciência. E Madalena batia as suas asas com toda a força que tinha, na esperança de conseguir amparar o seu amor.

TEO. TEO. AGARRA…

Calma Lena, foi só um sonho querida.

Madrinha. Que sonho mais estranho. Ele estava a voar em cima de um dragão, e depois eu tinha umas asas brancas gigantes. Mas ele começou a cair, e eu não o conseguia agarrar…

Calma, respira fundo. Foi só um sonho. Estás ansiosa com toda a viagem, é normal que tenhas esse tipo de sonhos. Principalmente depois das alterações que fizeram aos vossos planos.

Madrinha, tenho medo de não conseguir. Vou esquecer-me. Como vou aguentar isso. Será que fiz bem em aceitar este plano…

O vosso amor é mais forte que tudo. Nunca nos é dado nada que exceda as nossas capacidades. E só te vais esquecer através do corpo. O resto permanecerá intacto. E tenho a certeza que ele te vai amparar minha querida. E para além disso, vou interceder por vós, para que possam ter alguns momentos de lucidez pelo caminho. Assim terão mais garantias que tudo corre como planeado.

Sim. Ele nunca me abandonou. Mesmo quando pensava que estava desamparada e sozinha. Ele esteve sempre do meu lado. Nunca foram precisas explicações para o nosso amor. Era apenas estar lá. Do lado.

Vês. Acabaste de te responder. Ele ama-te. Não tenhas receio de nada. Ele não te vai abandonar. Vai ficar do teu lado como sempre esteve. E agora vamos preparar-nos. Temos algum tempo de caminho até chegarmos ao centro de apoio. Temos algum trabalho a fazer por lá. Enquanto descansavas recebi a mensagem de que necessitam da nossa ajuda.

Ainda bem. Pelo menos vou ficar um pouco aliviada desta ansiedade. 

Pelo caminho, Madalena pensava em Teodoro. Colocou as mãos sobre o coração e com toda a sua força enviou-lhe o seu amor, para que a sua entrada fosse o mais suave possível. Em simultâneo enviava-lhe pensamentos…

Até à eternidade Meu Amor… até à eternidade. Esta vai ser apenas mais uma etapa. Amo-te.

4.9.14

Ausência - Cartas de Amor #18

Não te sinto ausência. Pois ouço-te no teu silêncio. Não te sinto longe. Carrego-te. Dentro.

Por quantas palavras viajamos até que nos tocássemos. E agora. Não importa mais. Já nos temos. Já nos somos. Não é preciso mais caminhar. Nem preciso é, olhar para longe na esperança de te encontrar. Estás aqui do meu lado. Isso me basta. Não são precisas sílabas que se juntem, nem som que se comunique com elas. Basta sentir-te assim. Como agora.  E tudo está certo.

No lugar. No lugar onde deveria estar. Tudo. Ordenadamente correcto. Dentro de toda a harmonia exacta, dentro deste caos de loucura que nos embala.

Sabes-me. Sei-te. Tens-me. Tenho-te.

Agora. E sempre.


28.8.14

Serena



Gosto de te ver, pele ao sol,
salgado corpo que te moves
Areia morna
pés molhados

Gosto quando choves em mim
e de mim fazes o que idealizas

Gosto de te ver, pele morena
gosto de te ter para mim
Arrepia no toque da água fresca
delícia...
serena...

Drawing by Duma

27.8.14

Certezas - Cartas de Amor #17



Procurei-te por tantas vidas. Procurei-te desde que nasci. Procurei-te em todas as pessoas que se me cruzaram na vida. Na esperança de que fosses tu. Procurei-te. Por entre medos e dores. Esperanças escondidas.

Vai aparecer, não desistas de procurar. Esta voz. Não se calou nunca.

Procurei-te sempre. Todos os dias. Na certeza de que um dia te revelarias, mais perto. Muito perto.

Vou continuar a caminhar na tua direcção. Sei onde me esperas.

Tudo o que quisemos que fosse. Será. No exacto ponto do tempo e do espaço.

Vou continuar a caminhar na tua direcção. Na certeza que te encontrarei no lugar que marcamos. Na certeza de que quando nos abraçarmos, não haverá mais dúvidas. Nada. Ninguém. Nem mesmo os astros do universo nos tirarão essa certeza.

Por quantos olhares mergulhei em apneia, na esperança de te saber. Por quantas peles cheirei, na esperança de te reconhecer. Quantas histórias contei para mim, nas certeza de que serias tu.

Caminharei para ti. Sempre.

Meu Amor.

Image from Pinterest

26.8.14

Six Word Story

There was hope. It was beginning.

A Viagem - Quinta




Uma dor forte no peito. Aquela dor. Um aperto. Doía-lhe todo ser.

Madrinha. Ele já sabe.

Madalena, minha querida. Já sabias que ia ser doloroso. Não podias fazer nada.

Sim, eu sei. Ele vai ficar tão magoado comigo.

Não estava sob teu poder decidires isso. Os conselheiros disseram que se ele soubesse antes de inicar a viagem, vocês não entrariam. Como combinamos com o António, ele só lhe daria a carta depois de inicar o processo de esquecimento, assim ele não terá qualquer hipótese de recuar. Tem fé.

Ele não vai aceitar...

Enquanto Madalena tentava aquietar a dor que sentia, entre alguma culpa por não poder ter contado a Teodoro o que se passara na reunião com os conselheiros…

Nãããããoooo. Como. Eu não aceito isto. Não pode.

Calma. Já sabes que ás vezes os planos mudam.

Não desta forma. Não quero entrar. Vamos voltar para trás. Quero ver a Madalena. Ela não podia aceitar isto.

Não podes voltar atrás agora. Primeiro. Se formos agora para trás, vamos apanhar os seres desprovidos de luz, e não queremo isso pois não. Há caminhos que não se podem fazer de volta. Depois de dares entrada, faremos um caminho de retorno diferente, temos algumas missões a cumprir para que não se desperdice a disponibilidade das pessoas deste grupo.

Mas eu não posso aceit....

Seguuundooo.O teu processo de esquecimento já foi iniciado. Já recebeste dois ciclos de passes para que o processo se desenvolvesse convenientemente. Não podes quebrar isso agora. Ser-te-ia extremamente prejudicial. E para além disso, há muita gente envolvida neste projecto. Tens pessoas à tua espera. Preparadas para a tua entrada. Entrada essa, que também faz parte dos planos delas. Não podes largar tudo e todos assim. Já sabes como é que funciona.

António. Como é que isto pode acontecer. Onde está o livre arbítrio. Nós temos uma palavra a dizer sobre isto. Eu, tenho uma palavra a dizer sobre isto. Agora entendo todo aquele nervosismo. Era normal ficarmos agitados antes destas viagens, mas ela estava diferente. Agora é que percebi.

Teodoro, acalma-te amigo. Bebe esta água. Vai-te fazer bem. Está magnetisada.

Teodoro bebeu a água, um tanto ao quanto contrariado. Acalmou-se. Acabou por adormecer, enquanto o curador se preparava para mais um ciclo de passes. Da próxima vez que acordasse, já não se lembraria da carta que lera, as suas lembranças começariam a ficar turvas, e a sua energia começaria a adensar-se para que ficasse pronto. Os Lobos já tinham tudo pronto para continuarem com o transporte, quando ele perdesse a consciência por completo.

Madrinha, tenho algum receio que a minha carta vá prejudicar o processo de esquecimento.

Não te preocupes Lena. Está tudo como devia estar. Está tudo no devido lugar.

Espero que sim madrinha, espero que sim.

25.8.14

Sinto



Sinto
que em minhas veias arde
sangue,
chama vermelha que vai cozendo
minhas paixões no coração.

Mulheres, por favor,
derramai água:
quando tudo se queima,
só as fagulhas voam
ao vento.


Federico García Lorca, in 'Poemas Esparsos' 
Tradução de Oscar Mendes

22.8.14

Quero - Cartas de Amor #16



Quero beijar-te lentamente. Fechar os olhos e respirar-te. Sentir o teu peito encostado no meu. Calar no teu calor toda a saudade.

Matar e desfazer os fios de tempo, para que nos colemos um no outro e nos transformemos num só. 

Quero beijar-te docemente. Fechar os olhos e saborear-te. Sentir nos dedos o recorte do teu rosto. Calar esta ansiedade de te ter longe. Transformar o tempo em recanto nosso.

Quero beijar-te loucamente. Incendiar-nos até que nos tenhamos somente assim.

Quero arrepiar-me-te. Suavemente sentir todo o amor que nos trouxe até hoje.

Quero embarcar na loucura que ninguém entende. Nesta loucura de nos amarmos sem que ninguém saiba ou compreenda. Ninguém compreende. E não interessa que compreenda. É nosso. Só nosso. Este amor que não se explica. Este amor que nos explode do peito. Que nos puxa um para o outro.

Não interessa que ninguém entenda. Não interessa não. Porque palavras, para nós não são precisas. 

Sabemo-nos. E é o bastante para que nos amemos. 

Todos os dias, até à eternidade.

Meu Amor.

Image from giphy

21.8.14

Há dias assim



Há dias assim. Em que se acorda e se fica a vaguear nos pensamentos. Há dias em que se abre os olhos e se entra no sonho. Dias em que a realidade é mais forte enquanto se estava a dormir.

Há dias em que o coração se sobressalta quando a luz do dia entra pela janela do quarto. Há dias em que a escuridão do sono é bem mais confortável. Estável era ficar lá. Nos sonhos.

Há dias em que o vaguear de zombies se torna insuportável. Em que caminhar por entre estes rebanhos cinzentos se torna arrepiante. Revoltante.

Há dias em que os olhos teimam em fechar. Para lá voltar. Até onde me deixei. Dias em que só há vontade de acordar para a outra realidade. Aquela que nos sabemos verdadeira.

E nestes dias, não vale fazer de conta. Porque nestes dias o azul do céu não há. O verde do campo só está do outro lado da consciência. E nestes dias é melhor sermos como somos. Nestes e em todos os outros, temos de ser como somos. Mas nunca o somos. É. Paradoxo interessante, este de andarmos sempre a tentar parecer aquilo que não somos. Só porque todos os outros acham que devem ser o que não são. Para que aqueles que não se interessam pensem que são aquilo que não são.

Há dias assim. Cheios de insanidades. Pensamentos dissonantes. Passeios pela mente. Monólogos insessantes..

Sim. Há dias assim. Em que ninguém te vê. Embora te mostres como és. Ninguém te quer ver. Porque esperam que te mostres como não és. Para que no conforto do confronto, seja de fácil justificação, e dizerem apenas, Ah, é uma pessoa diferente.

Uma pessoa diferente.

Há dias assim. Em que ninguém me compreende.

Em que sou igual a toda a gente.

20.8.14

Preciso-te - Cartas de Amor #15




Preciso-te. Tanto que te preciso, que se me dói o corpo. Todo ele se me dói.

Preciso de te cheirar. Preciso de sentir o quente do teu abraço, e entranhar-me em ti. Sob todos os poros da tua pele transformar-me. Ser-me-te. Sermo-nos. Apenas nós. Mais nada.

Preciso-te. Preciso de saber que estou dentro de ti. Como te trago.

Preciso do teu olhar no meu. Nadar dentro deles. Nos teus olhos. Nesse oceano calmo. Mergulhar e deixar-me afogar. Deixar-me embarcar nestas lembranças. Doces lembranças.

Preciso-te. Tanto que te preciso. Muito. Tanto que a cada batida do meu coração, uma gota de sangue te lembra longe.

Preciso-te para continuar. Para respirar. Para poder olhar o horizonte. Sem ter de nele te procurar.

Preciso-te meu Amor. Preciso-te. Tanto. Tanto.

Não demores a voltar.

A Viagem - Quarta






Ela sorria. E para ele, aquele sorriso era como um farol aceso, iluminando tudo ao seu redor, inclusive ele. Sorria também.

Estás preparado.

Sim.

O seu coração batia a uma velocidade estonteante. Estou preparado. Eu sei que sim. Pensou.

Vai correr tudo bem, Meu Amor.

A sua voz ficou a fazer eco dentro do peito. Sentia-se feliz. Imensamente feliz. Ela esticou a mão. Ele esticou a dele na sua direcção…

Ah.

Acordou sobressaltado. Sentiu saudades. Uma profunda saudade quebrava-lhe no peito.

Teodoro. Desculpa acordar-te, mas temos de partir. Os Lobos já confirmaram que já podemos seguir viagem, e temos de sair agora, assim não nos atrasamos para a tua entrada.

Ah, que bom António, ainda bem. Eu já estava acordado.

Teodoro. Sabes que vai começar o teu processo de esquecimento. Vais ter de ter muita força. A partir de agora e até chegares ao ponto de encontro vais sofrer um pouco. Já sabes como funciona.

Sim, sei. É a fase que menos gosto, mas faz parte não é. Vamos a isso.

Ora assim é que se fala meu amigo. Os Lobos já estão prontos para continuarmos o caminho. Também já temos o transporte para quando começares a perder a noção do que te rodeia. Quando chegarmos vais estar no estado perfeito para fazeres a entrada. Quando acordares já estarás do outro lado. Está tudo preparado. Temos um curador conosco que vai iniciar o processo com os passes, e depois vai acompanhar-nos até à tua entrada, podes estar tranquilo, estás bem acompanhado.

Sim. tenho a certeza que vai tudo correr como planeamos, não tenho dúvidas.

Onde estarás tu, meu amor. Pensou. Madalena não lhe saía do coração, mesmo em sonhos. Era sempre difícil separarem-se. Era como que uma pequena morte, lenta e dolorosa. Até ao momento em que se reencontravam. Desta vez ele pediu permissão para que não se esquecesse totalmente, ela não sabia, não podia saber, se não o plano não resultaria. Sabia que iria tê-la sempre por perto, nem que fosse apenas durante o sono, mas ele estaria sempre do lado dela, mesmo sem que ela percebesse. Sabia que ela iria senti-lo. Tinha essa certeza, e isso deixava-o mais descansado.

Vai valer a pena, Madalena. Vai valer a pena.

13.8.14

A Viagem - Terceira




O vosso projecto é ambicioso.

Tinha de ser. É um plano um tanto ao quanto complexo, mas temos tudo preparado para que resulte.

E ela, estava ansiosa com a tua partida, deu para sentir do portão, quando saíste.

Sim. Ela costuma vir sempre na frente. É a primeira vez que faço este caminho. E como é um caminho mais difícil, ela ficou nervosa.

Ela vai fazer o caminho do  costume. 

Sim.

Vais ver que quando voltarem, vão estar ainda mais limpos. Gostava de ter a coragem de fazer essas escolhas.

Oh meu caro amigo, podes sempre faze-las, para a tua evolução.

Ah sim, claro que posso, mas é preciso uma boa dose de coragem. Eu não sei se conseguiria tanto de uma só vida.

António, os Lobos deram o alerta. Temos de desviar para o abrigo, e tem de ser agora, se não vamos ser apanhados.

Os guardiões que se encontravam mais à frente, voltaram para trás, António e Teodoro estavam mais reservados para poderem conversar. Teodoro ficou agitado. O guardião parecia preocupado.

Que se passa. 

Perguntou.

Vamos para o abrigo, logo veremos o que os Lobos nos dizem. Ainda temos tempo.

A longe no horizonte, via-se uma mancha negra. Aproximava-se rapidamente, como uma tempestade. Teodoro pensava em Madalena. Pelo menos o caminho dela era menos perigoso. Isso tranquilizava-o.

Desviaram do caminho principal, escoltados pelos Lobos seguiram rapidamente. De repente, pelo meio da vegetação apareceu uma espécie fortaleza de pedra. Não tinha tamanho definido, ele só lhe via os dois grandes portões que se abriram mal se aproximaram.

Assim que os portões fecharam, os Lobos comunicaram.

Vêm a caminho seres desprovidos de luz, não nos podemos cruzar com eles, seria demasiado nocivo para todos, principalmente para ti Teodoro, que é a primeira vez que passas por este lado e ainda não tens força suficiente para te protegeres. Mesmo para nós que temos experiência seria perigoso.

Vai demorar muito tempo.

Não te conseguimos dizer. Pode ser rápido. Mas também pode demorar muito tempo. Estas criaturas são imprevisíveis. Lamentamos muito dizer-te, mas não sabemos se te conseguimos deixar no ponto de encontro, a tempo de dar certo a tua entrada.

A Lena tinha razão… Se eu não entro ela vai ter uma passagem sozinha. Era o que eu menos queria…

Que foi Madalena.

Não sei. Tive um pressentimento. Um aperto no peito. Espero que a viagem do Teo esteja a correr bem.

Não te preocupes querida, isso é tudo ansiedade, vais ver que ele vai chegar ao ponto de encontro conforme está planeado.

Espero que sim madrinha, espero que sim…

Image from movie "Nosso Lar"

Kyo Dake Wa - Cartas de Amor #14



Só por hoje.

Só por hoje vamos abandonar a realidade. Só por hoje vamos deixar que as nossa almas se reconheçam e se reencontrem.

Só por hoje vamos abandonar o tempo e deixar que o espaço seja o que sempre foi. O nosso.

Porque só tu sabes o quanto te amo. Só eu sei o quanto me amas. Só. Apenas nós.

É este o nosso segredo. Saber que nos amamos. Sem tempo. Sem espaço. Sem amarras. Sem preconceitos. Somos livres em nós. Somos livres no nosso amor. É este o nosso alimento. É esta a nossa cura.

Só por hoje vamos deixar que as memórias nos venham relembrar dos tempos ancestrais em que nos amamos felizes. Só por hoje vamos trazer essa felicidade de novo a nós. Vamos respirá-la, reinventá-la, transformá-la. 

Só por hoje vamos ser Vida.

Só por hoje vamos anular tudo e vamos apenas ser o que somos. O que fomos, e o que seremos sempre.

Amo-te todos os dias até à eternidade. Meu Amor.

11.8.14

A Viagem - Segunda




Estás pronta Lena.

Sim.

Então é agora. Vamos.

Estou outra vez com aquela sensação sabes.

Não fiques, já sabes como é que isto funciona. Não podes estar com pensamentos negativos. Lembra-te, atrais aquilo que pensas. E aqui tens a vantagem de te poderes preparar de modo consciente para o que vais viver. Prepara-te para que o teu subconsciente seja forte durante a tua estadia. Limpa tudo muito bem, e deixa terreno fértil preparado e bem protegido, para quando o voltares a encontrar. Assim garantes que esse cantinho do teu coração ficará intacto até que te cruzes com ele, e não haverá perigo de falharem o que decidiram.

Sim , tens razão. Ás vezes fico a pensar como é que ele estará. Se a viagem com os guardiões está a correr bem.

Não temas. Já sabes que é sempre um pouco atribulada. Mas corre sempre bem. E para além disso, desta vez os Lobos estão com eles. Qualquer coisa que seja preciso eles actuam primeiro, sentem muito antes que nós.

Sim, é verdade. Os nossos guardiões chegaram, olha. Já estão no portão. Vamos então.

Lena, minha querida. Vai ser uma honra fazer esta caminhada contigo, convosco.

A honra será toda minha, madrinha.

Partiram.

7.8.14

A Viagem - Primeira




É agora. Tenho medo. Isto é tão assustador. Abraça-me.

É preciso. Já sabes o plano direitinho, não sabes.

De trás para a frente.

Pronto, então tudo certo. Não fiques com essa cara, se não é mais difícil. Tem de ser assim desta vez, já analisamos isto, lembras-te. Agora já não podemos voltar atrás. Eu vou na frente. Depois tu também desces. É logo a seguir.

Eu sei meu amor. Eu sei. Mas ainda vai demorar até nos cruzarmos. E se acontece alguma coisa. Basta uma coisa. Uma pequenina coisa.

Não tenhas medo. Já sabes como isto funciona. Já não é a primeira vez que o fazemos. Tudo está perfeitamente sincronizado. Não tenho dúvidas de que te vou reconhecer.

Então e se eu não te reconhecer.

Ah. Não te preocupes. Achas mesmo que eu me vou conter quando te vir. Ainda não dei um passo na direcção oposta de ti, e já te sinto tantas saudades. No dia em que os meus olhos cruzarem os teus, vou ter a certeza, e não vou descansar enquanto não te acordar. Está tudo certo meu amor. Vai parecer tudo muito doido. Mas tenho a certeza que vais acordar. Acordaste sempre. Confia.

Confio… Faz boa passagem. Encontramo-nos do outro lado. Meu Amor.

Os guardiões já se encontravam na entrada, à espera, mesmo do lado de fora da cancela. Ela não conseguiu conter as lágrimas. Já o tinham feito vezes sem conta, mas ficava sempre de peito apertado. Ele iria na frente, ao contrário do costume, era necessário que assim fosse desta vez. Ele abraçou-a, respirou fundo e sussurrou-lhe ao ouvido…

Amo-te todos os dias até à eternidade. Meu Amor.

E partiu.