20.6.14

Agora



Sabes que me assustas quando olhas com essa profundidade em mim. Não há nada que me assuste mais. 

Porque é nesse momento que me prendes para sempre. É nesse momento que me tens eterno.

Assusta-me a luz com que ficas depois de fazermos amor. Também eu a sinto dentro de mim. Levo sempre um pedaço dela quando me vou. Assusta-me isso. Assusta-me como ficas impregnada nas minhas narinas, como a marca do teu corpo se permanece nas palmas das minhas mãos. Assusta-me como te ficas debaixo da pele.

E mais ainda. Assusta-me como me prendes sem que me amarres. Sou livre mas eternamente teu escravo. Farias de mim aquilo que quisesses. Ainda fazes se o disseres. 

Assusta-me ainda mais agora. Agora que acordo e te sinto falta. Agora que abro os olhos na esperança de te ver ao meu lado. Agora que me deito na esperança de me cruzar contigo algures fora deste espaço. Agora que não durmo. Agora que as noites são demasiado longas, depois daquela, demasiado curta. 

Agora que a vida se faz demasiado longe de ti.

Agora que te perdi.

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Poema dos olhos da amada




Oh, minha amada
Que os olhos teus

São cais noturnos
Cheios de adeus
São docas mansas
Trilhando luzes
Que brilham longe
Longe nos breus

Oh, minha amada
Que olhos os teus

Quanto mistério
Nos olhos teus
Quantos saveiros
Quantos navios
Quantos naufrágios
Nos olhos teus

Oh, minha amada
Que olhos os teus

Se Deus houvera
Fizera-os Deus
Pois não os fizera
Quem não soubera
Que há muitas eras
Nos olhos teus

Ah, minha amada
De olhos ateus

Cria a esperança
Nos olhos meus
De verem um dia
O olhar mendigo
Da poesia
Nos olhos teus

Composição: Paulo Soledade / Vinícius de Moraes
Versão: António Zambujo

18.6.14

Evenin' - Cartas de Amor #10



Sentes. É este calor que quero que te lembres quando não estiver dentro de ti. Fica mais um pouco. Sente. Sente até não conseguires entender mais nada, e seres apenas o que sentes. Sente até que esse tremor te tome por completo. Sim, perde o controlo, todo.

Treme nos meus braços. Baloiça nestas lembranças.

Dá-me a tua mão. Fecha os olhos.

Deixa-me imprimir na memória do teu tacto, a forma do meu corpo. Sentes. Não deixes que as tuas mãos se esqueçam.

Deixa-me sentir-te. Deixa que as minhas mãos naveguem nesse teu mar ondulante. Deixa que elas percorram todo e cada pedaço da tua pele.

Agora respira. Não te esqueças. Este é o nosso cheiro. O cheiro do sexo. O cheiro do nós. O que somos está nessa essência. Não te esqueças.

Sente. Guarda esse arrepio que a minha língua te provoca. Guardo eu o sabor da tua boca.

E agora adormece. Deixa que te embale. Para que nos possamos permanecer eternos.

Não tenhas medo. Vou estar sempre aqui, do teu lado. Serei o teu guardião alado.


Prometo. Não deixarei o teu coração destroçado.

Six Word Story

Then the world was not enough.

Sede


Hoje acordei com sede. Sede de nós, quando nos encontrávamos às escondidas, para que não nos julgassem, para que não nos acusassem daquilo que nós éramos.

Acordei com o corpo dormente. Passado tanto tempo ainda te ressaco, ressaca que faz doer o corpo, mas ainda mais a alma. A dor da alma é a pior de todas.

Continua a custar respirar, como se tivesse fumado 50 cigarros de uma vez. O peito ainda se me aperta. E neste aperto é que acordei. Nos lençóis ensopados naquilo que foi o nosso encontro.

Hoje acordei recortada, com a falta do teu corpo no meu, com a marca detalhada das tuas mãos em cada centímetro de pele por onde passaram.

Que faço com isto. E agora, que faço eu com isto. Mastigo. Engulo. Cuspo. Regurgito.

Retorno. Devolvo-te. Entrego-te isto que me deixaste, não quero nem preciso.

Fica, podes voltar a precisar de a usar. Esta droga não se esgota, estás à vontade. Eu é que não a quero mais, já bebi o suficiente. Já tive a pedra suficiente para que me baste.

Vou-me. A reabilitação está concluída. Porque a sede com que me acordaste, já não existe mais.

Matei-a para sempre.
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17.6.14

Misunderstandings




“I shall look at you out of the corner of my eye, and you will say nothing. Words are the source of misunderstandings." -from the Fox-”
Antoine de Saint-Exupéry, The Little Prince

5.6.14

O Mundo Pode Acabar Amanhã





Ela tinha a cabeça às voltas, não conseguia pensar, não dava para organizar os pensamentos, sentia-se como se estivesse no meio de uma tempestade, tudo vinha ao mesmo tempo e nada fazia sentido, aquela sensação de euforia misturada com uma apatia descontrolada, não conseguia reagir.

O que é que estou a fazer, por que caminho me estou a meter, isto vai correr mal... isto vai correr muito mal... E o que é que ele tem na cabeça para me fazer isto. Ele sabe os riscos que corremos. Estou a perder-me. E agora o que é que eu faço com isto.

Ele abraçou-a, ela gelou, não conseguia controlar a respiração, quase entrou em pânico, as pernas tremiam, o coração explodiu de palpitação, mas deixou-se ficar naquele abraço, sabia tão bem estar nos braços dele.
Ele olhou-a nos olhos, com os dedos puchou uma madeixa de cabelo para o lado. Olhou-a novamente e aproximou-se em direcção da sua boca, ela conseguiu desviar a tempo. Abraçaram-se ainda com mais força e ela petrificou por completo, não se mexia nem um milimetro, embora tivesse tremor de terra no peito (mas ele não podia saber).

Chovia. Ficaram debaixo do guarda chuva por momentos, como se o tempo estivesse suspenso, à sua volta as pessoas continuavam a passar apressadas, sem que dessem conta da revolução que acontecia mesmo ali do lado, entre aqueles dois desconhecidos que se abraçavam como se despedissem.

Ela olhou-o com esforço para não chorar.

O mundo pode acabar amanhã. Disse ele novamente tentando beija-la. Ela afastou-o.

Não te quero voltar a ver. E fugiu. Andou horas pela cidade, sozinha, até encontrar um banco. Sentou-se, mesmo no molhado, não se importou, o seu mundo tinha acabado.

Especial



Posso-te.
Tenho-te.
Escrevo-te.
Quero-te.

Por tudo e todas as noites.
Dos dias os luares
adormecidos.
Por tantos e tantos beijos
perdidos.

Especial.

És especial sim.
Não mais do que aquilo que sabemos que somos.
Mas mais do que tudo que sempre sonhei.

Estarei.

Sempre aqui na beira do tempo.
Que em cada momento te recenheço,
de entre nevoeiros espessos.
Em reflexos de tempo estremesso.

Espero-te.

Em cada eternidade que passa.
cada beijo perdido na procura
da nossa casa
doce casa.
No nosso mar eterno
como quem voa numa só asa.

4.6.14

Six Word Story

Kill me. I will born again.

Cartas de Amor #9




Alvorada que me corta, que me arranca do peito o coração. Este que já não é meu desde que me cruzei com essas amêndoas negras. Negras. Negras são minhas noites por não poder ter-te em mim.

Somente a lembrança do calor desse teu peito. Montanhas quentes em que me deitei.

Voltarás tu, oh minha Musa. Minha Deusa. Minha Afrodite. Não te esqueço mais. Não importa o tempo que se passe em  mim. Não te perco mais. Não importa, não se apaga a tua memória na minha pele. 

Pele. Esta pele que te pede ainda. Por dentro, toda ela se forma em ti, para sentir-te. Absorvi-te. Minha Deusa, minha Afrodite. Dissolveste-te na minha essência.

Formaram-se todas as noites numa só. Naquela. Numa. A nossa. Formaram-se todos os sentidos. Deixou-se existir a eternidade, apenas sentida, suspensa. E nela nos abandonamos para sempre, que sempre a ela pertencemos.

Morremos.
E nada nos arrancou à nossa saudade.

Solitário

Solenemente me trago por onde me quero.
Se não te posso ter não te desejo.
E porque um beijo no mero acaso, fez de mim teu eterno escravo,
vou escavando a loucura, de te ter por perto esta ternura,
que perdura e perfura este meu coração.
Solitário.

28.5.14

Cartas de Amor #8


Nunca mais te vi e no entanto ficaste esculpida em mim, na minha carne, no meu sangue.

Recordo a tua silhueta em contra luz, recordo a tua luz. Tão luminosa que te via. Iluminavas-te depois de nos mergulharmos, toda tu eras uma luz imensa.

Dentro dos teus olhos deixava-me cair. No início assustava-me a forma como me invadias, mas depois pedia-te que me entrasses, que me inundasses com esse teu branco. Quando sorrias tinha medo, medo de ficar preso a ti, de tal forma que não me pudesse encontrar mais, perdido que ficava. E tu tanto que me gostavas.

Quero-te ainda. Sim. Sabes, apesar de nunca mais te ter visto, a minha essência ficou deserto, ainda te quero. Muito. Tanto, que me dói.

Nunca mais respirei fundo. Aquele fundo que era nosso. Poderoso.

Ainda te espero. Paro à beira mar, vejo o pôr do sol, na esperança que ainda apreças, e me abraces. Que me digas que não te vais mais.

Ainda o tenho, tu sabes que tenho. Ele ainda está nas minhas mãos. O meu está nas tuas. Coração ensanguentado. Desatado de tudo o mais. Acorrentado a ti.

Não quero mais ninguém. Nunca mais. Ninguém. Tu. Apenas. Só.

Achei que me salvava. Achei que me lavava da consciência pesada. Achei que te esquecia. Que o empo tudo apaga. Mas ficaste. E continuas como ontem. No peito dói. Sempre.

Como posso eu apagar esta história, retirar da memória. Tenho a alma dorida de te pensar. De tanto te precisar.
Preciso que me voltes. Que me digas que não te vais.
Ver-te e respirar-te.

Para não mais deixar de amar-te.

Chocamos Tu e Eu





sei que não vais mudar dentro da ilusão,
mas queres parar por ser bom saber que há a minha mão para descansar,
para te esconder e não mostrar.

vem, não vou perguntar se não queres dizer, ahh deixa ser,
o que é bom sentir, só mais uma vez quase sem tocar.
para respirar, só mais uma vez. quando eu não quis ver fui a deslizar,
quando ninguém quis parar, cresceu.
e então chocámos tu e eu, e então chocámos tu e eu.
ahh, diz-me onde estás, vou ter aí. já sem razão para desculpar,
já sem saber para onde ir, para te fugir, para me esquivar, não me destruir.
quando eu não quis ver fui a deslizar, quando ninguém quis parar, cresceu.
e então chocámos tu e eu, e então chocámos tu e eu, e então chocámos tu e eu.

hoje vais dizer que já não tens paz, hoje vens pedir para te ensinar.
quando ninguém viu, quando a chuva cai o rio cresceu, e então chocámos tu e eu.
e então chocámos tu e eu.
e então chocámos tu e eu.

sei que não vais mudar e que eu vou partir,
eu quero alguém que me queira bem para me construir

Composição: Tiago Bettencourt

26.5.14

Intensidades



Há saudade no canto que me trazes
mas nem sempre a espera é dolorosa
Que de entre essas notas me fazes
a mais completa de entre todas as aves

No céu mais longínquo de todos os azuis
serão minhas, asas infinitas

Lembranças de conquistas e abraços
de lágrimas caídas nos regaços
de croações feitos em pedaços
resgatados e trazidos novamente
resgatados e renascidos
batendo agora intensamente

Sabendo tu, que serei teu para sempre

23.5.14

Se Eu Voltar





Às vezes pergunto que mais te hei-de eu fazer,
Tanto orgulho ferido, tanta paz por vencer.
Às vezes detesto o que resta de mim,
Sempre longe do mundo, sempre perto do fim.
Eu só quero que tu saibas quem sou,
Ter a certeza que o meu tempo chegou,
Quero que me digas para partir ou ficar.

Se eu voltar atras
Sera que dizes que sim outra vez,
Tomas conta de mim de vez em quando,
Se eu voltar.

Ja cantei as palavras, e as pedras do chao,
Pelas ruas estreitas vendi toda a razao.
Ja te disse poemas que nao quis escrever,
Foram gritos apenas que nao soube conter.
Eu só quero que tu saibas quem sou,
Ter a certeza que o meu tempo chegou.
Quero que me digas para partir ou ficar.

Composição: Pedro Abrunhosa

Fairy



Counting healthy peaces
counting empty spaces
from the soul

 surrounded by full
apathy
no space behind

 growing strength from
nothing
glimpses of light in
darkness

 this is the entire
story
of a fairy
harmless

Image from appszoom

21.5.14

Eternal




Close your eyes, let me touch your skin
Feel, just feel
Breathe, only breathe and feel
Let your eyes be closed
Taste this smell in my mouth
Can you feel it
is the taste of us
when we are one

Let me feel the lines of your face
Let me study them
Let me forget reality
Give me this moment

Let’s make it eternal

Sempre que te penso



Ainda me dóis quando te penso
Por dentro uma ferida aberta que não pára de sangrar
O tempo não se cala
e a saudade mata-me sempre que começa um novo dia

Adormeço contigo, nos teus braços
Acompanhas-me na noite
em silêncios aconchegantes

Chagas abertas que deixaste
e o meu calvário desesperante
Abraça-me e não me soltes mais

Porque me dóis sempre que te penso
Porque me dóis sempre
Porque me dóis

20.5.14

Só é Fogo se Queimar




Mais uma promessa
Mais um dia a duvidar
Mais outro remendo à pressa
Mais uma forma de te procurar

A saudade não dá tréguas
Pede um sopro de ar
Para em mágoas repousar

Se eu falar talvez tu negues
Me chames a dançar
Sinta o corpo a voar

Só é dor se for vontade
De agarrar
Só é fogo se queimar

Só é felicidade
Enquanto durar
Só é fogo se queimar.

Só mais um momento
Lamento muito tempo, tanto tempo a mais
Mais que um sentimento
Mais que o segredo, ainda é cedo

A verdade mora a léguas
Faz cambalear
Tem, tem grades a penar

Se eu falar talvez tu negues
Me chames a dançar
Sinta o corpo a voar

Só é dor se for vontade
De agarrar
Só é fogo se queimar

Só é felicidade
Enquanto durar
Só é fogo se queimar.

Só é dor se for vontade
De agarrar
Só é fogo se queimar

Só é felicidade
Enquanto durar
Só é fogo se queimar.

Só é dor se for vontade
De agarrar
Só é fogo se queimar


Amor Electro
Letra: Jorge Cruz
Música: Tiago Pais Dias 

19.5.14

Magic




Já tinha saudades disto que nós somos quando estamos juntos.

Eu ainda não sei o que é isto. Não entendo o que é que acontece.

Eu também não sei. Mas gosto. Sabe bem. É isto.

Sim, também gosto. Mas não entendo o que isto é. É como se fosse magia, não sei dizer de outra forma. Magia que não se entende, nem se explica.

Sentes. Eu sei o que dizes. É-me igual também. Não precisa ter explicação.

Não. Só sei que te gosto. E já sinto saudades.

Eu também. Encontramo-nos no outro lado do tempo.

Sim, encontramo-nos lá, nesse lado.

Está bem. Eu vou fazendo a minha vida. Tu, vai fazendo a tua também. Os nossos caminhos encontrar-se-ão sem que precisemos de os comandar.

Já sabes que sim, sempre foi assim, e assim vai continuar a ser. Temos um laço inquebrável, não parte e não se altera.

Então até ao outro lado do tempo.

Até quando os nossos caminhos se cruzarem de novo.

Gostei de estar contigo.

Eu também. Gosto sempre.

Vive bem.

Tu também.

16.5.14

Conquistas e Traições




Que estamos a fazer.

Asneira, da grossa.

Ela olhou-o novamente, enquanto ele acariciava o seu rosto, e afastando as madeixas que lhe tapavam a boca beijou-a novamente. O elevador abriu-se, mas eles mal deram conta. Aquele mergulho interminável. Um instante de infinito em que nada mais importou. Foram eternos.

Subiram, finalmente.  A luz magoava os olhos. Eles quase não se olhavam, havia vergonha. Ela tinha, estava devastada pelo que estava a acontecer, quase não conseguia respirar.

Chegaram à porta, ele abraçou-a e beijou-a novamente.

Não podemos fazer isto. Não é justo para ninguém. Ela não merece. Nem ela, nem os pequenos. Ninguém.

Pois não, tens razão ela não merece.

Vai-te embora. Não me faças isto.

Sim, eu vou, mas não sem antes de dar mais um bei…

E voltou a beija-la como se quisesse mergulhar na sua boca. Aquela língua, deixava-o doido. 

Ela empurrou-o já de lágrimas nos olhos.

Vai-te embora. Isto não está certo.


Os olhos dele reluziram. Ainda não foi desta, mas já está no papo, pensou. Abriu a porta, e olhou para trás, ela já tinha desaparecido.

Ah se te Amo - Cartas de Amor #7



É tão dificil não te amar. Mesmo quando não penso, mesmo quando me sinto, apenas.

E como pode ser certo ou errado. Como é que pode ser errado amar, assim desta maneira, sem saber muito bem porquê, com esta intensidade...

Como pode, no acto mais desmedido de se amar alguém, ser pecado. Se assim é, todo eu sou pecado, porque todo eu te amo, todo eu te reajo, todo eu te sente no mais ínfimo átomo da minha alma, com todo o meu ser, inexplicavelmente te Amo.

13.5.14

I have that power



I will heal your heart
Close your wounds
I will take care
and dissolve all of your fears

You know I have that power
your intuition is telling you
how much you and me
will live together
for ever
in every life that's yet to live

no matter what
no matter how
no matter how much time
how long it takes
and the times my heart will break

you know I have that power
your intuition is telling you
how much you and me
together
will live forever

Image from weheartit

Esperas - Cartas de Amor #6



Há dias em que não consigo sobreviver à memoria do nosso encontro.
Ainda não nos conhecemos, mas tenho a certeza que o que planeamos acontecerá.

12.5.14

Prayer




Há longos anos que a minha vida parou suspensa. Desde aquele dia em que os teus olhos se colaram no chão.

Que queres da vida. Disseste tu.

Tens namorada, não tens. Perguntei eu.

Nunca foi minha intensão desiludir-te, nunca foi minha intensão desrespeitar alguém. Por muito que doa, foi melhor assim.

Agora (re)econtro-te, dizes que gostaste muito de me ver. Mas dói-me. Dói. Desde aquele dia que ficou uma ferida aberta.

Enviaste-me uma mensagem: Separei-me há um ano. O meu casamento nunca resultou. Não tenho ninguém desde essa altura. Sinto saudades tuas, senti sempre. Não me sais da cabeça desde aquele dia. Gostava de te ver novamente. Não me digas que não.

Sei que não deveria ter ficado agarrada ao passado. Mas só Deus sabe o quanto lutei para te esquecer e não consegui. Agora apareces-me vindo não sei muito bem de onde e pedes-me para nos encontrarmos.

O meu coração ainda não abrandou desde que li o teu nome no cabeçalho da mensagem.

Vou arriscar. O que sentia por ti ficou intacto.

Respondo-te à mensagem: Ok. Combinamos um café.

Tu marcaste o lugar e a hora. Magestic. E que magestoso estava o ambiente. Piano ao fundo à média luz, como naquela vez em que nos beijamos. Cheguei atrasada (para variar), tu estavas já sentado, com a colher do café a bailar entre os dedos. O meu coração quase explodiu peito fora assim que te reconheci. E com a voz meia tremida, quase sem fôlego consegui dizer-te:

Olá...

Só quero que seja diferente, só quero que desta vez seja diferente...

Six Word Story

He came back after many miles.

9.5.14

Nos tempos de Eda - Le Papillon II




Tens ternura nas palavras,
São como mel... 
Leves ternas,
Entram na alma,
Com a suavidade de quem não quer,
De quem não sabe.
Encontrei-te no acaso
Do tempo desconcertado
Dos momentos inevitáveis.
Encontrei-te nesse mundo
De magia que me encanta,
Que me deixa sonhadora
Perdida em mim mesma
À procura da tua companhia...



Painting - Le Papillon, Adolphe Jourdan, c. 1860 - Museum of Fine Arts

8.5.14

Never ment to cause you trouble



Deculpa se te magoei. Embarquei nesta loucura agarrado a uma esperança parva de que seria a minha salvação. Não pensei em mais ninguém. Convenci-me que estaria a fazer o melhor para todos. Mas não era. Para ti nunca foi o melhor, nem para mais ninguém, mesmo para mim. Não foi o melhor.

Apaixonei-me. Tinha medo que isso acontecesse, sabia que corria o risco. Mas embarquei nessa loucura na mesma, espirito de marinheiro, está-me nas veias ir e entrar na tempestade, sabes.

Assustaste-me tanto. Mostraste-me uma realidade que podia ser minha. Sedotora. Podia ser minha. E eu queria. E não queria. Tive medo. Ainda tenho.

Que vamos fazer da nossa vida.

Tu imaginavas-te a vivermos juntos. Na mesma casa. Tipo, casados.

Já não sei se apenas sonhei com aqueles momentos, foi tão rápido e tão escasso. Ainda te sinto sede.

Foi, já não volta. Pois não. Não volta. Não vai voltar, foi-se, e deixou-te para trás.

Não fugimos para lado nenhum. Não fizemos nada do que sonhamos juntos. Nada. Ficou nada. Como se aquele dia nunca tivesse existido. Como se o toque nunca tivesse acontecido, como se o teu cheiro nunca  me tivesse envolvido. 

Já não partilhamos nada, já não partilhamos ideias, conversas, nem um simples olá, nada. Ficou nada, saiu tudo, ficou vazio.

Ardeu tudo, eu ardi até ficarem apenas as cinzas do que eu era.

Ardeste. E ficaste cinzas do que estavas em mim. 

A pior parte, foi deixar-te partir. Foi a pior parte. Ver-te partir.

7.5.14

Migalhas - Cartas de Amor #5






Vou sobrevivendo a este oceano de tempo e de espaço que nos separa, e por aqui me vou deixando estar dentro do pensamento em que te (re)encontro.

Saudades de ti, e desses teus cabelos longos. Saudades desse teu jeito sereno de me tratar. Sabes que nunca fui tão longe como quando estava contigo. Sim. Nunca tinha ido tão longe. E tu perguntavas-me se algum dia nos iriamos cansar de sermos um. Eu nem colocava tal questão, para mim era natural que fossemos um. Sempre. Era normal sermos assim. Então tu dizias.

E se me chatear contigo por causa de coisas banais. Como as migalhas na bancada, depois de cortares o pão. Tu deixas sempre migalhas na bancada, depois de cortares o pão. Será que me chateava contigo.

E eu respondia-te pronto.

Migalhas na bancada depois de cortar o pão são tramadas. É verdade. Talvez nos chateassemos por causa das migalhas na bancada, depois de cortar o pão.

E tu sorrias. Achavas piada quando inventavamos futuros possíveis. Mas nenhum desses futuros aconteceu. Ficaram suspensos, agarrados às nossas esperanças. Tu foste-te, afastaste-me. E eu abri o jogo, na esperança que ela me obrigasse a cumprir algum desses futuros imaginados. Nenhum deles aconteceu. Nenhum futuro a não ser o futuro mais improvavel, aquele que eu menos desejava. Mas fiquei. Deixei acontecer. Vou lutar ate ao fim, pensei.

"Matas-me com o teu olhar", dizia-te enquanto tu coravas e sorrias.

Continuas a matar-me, sabes. Todos os dias ainda me matas com esse olhar que queima.
Ainda me matas todas as noites. Ainda me matas todas as manhãs.

6.5.14

Tirany of Normality


É a tirania da (a)normalidade, rude (a)normalidade, quadrada (a)normalidade!
Acorda Portugal!!!!



The media is the seduction of human desire (set their money, set their money, on fire), if you try to sell me the truth
then I know you're a liar, a liar

It's the tyranny of normality, it's the tyranny of normality

Our culture has become complacent, and has no desire (take back, take back our empire), and the ethical slaughter of
truth needs to be retired, retired

It's the tyranny of normality, it's the tyranny of normality

It's the death of outrage!! I want to turn a new page!! I mourn the death of our age, the obituary's on the front page!!
Since the death of outrage, I want to turn a new page!! I mourn the death of our age, the obituary's on the front page,

it's the death of outrage, i mourn the death of our age, the obituary's on the front page


It's the tyranny of normality, it's the tyranny of normality


 Papa Roach

On your own



How do you know where the hope resides,
do you wish for it
or do you hide

Don't you feel it
raising from your heart
therefore you know
because though you can't see it
you have it pulsing in there
where you know is only your space

believe it
you have it on your own

5.5.14

Slow Dancing In A Burning Room




It's not a silly little moment
It's not the storm before the calm
This is the deep and dying breath
Of this love that we've been working on

Can't seem to hold you like I want to
So I can feel you in my arms
Nobody's gonna come and save you
We pulled too many false alarms

We're going down
And you can see it, too
We're going down
And you know that we're doomed
My dear, we're slow dancing in a burning room

I was the one you always dreamed of
You were the one I tried to draw
How dare you say it's nothin to me?
Baby, you're the only light I ever saw
I'll make the most of all the sadness
You'll be a bitch because you can
You'll try to hit me just hurt me
So you leave me feeling dirty
Because you can't understand

We're goin down
And you can see it, too
We're goin down
And you know that we're doomed
My dear, we're slow dancing in a burning room

Go cry about it, why don't you?
My dear, we're slow dancing in a burnin room

Don't you think we oughta know by now?
Don't you think we should have learned somehow?

Fever



oh fever, this fever that never ends
this fever that burns inside
consumes me
breathes me
So god, so bad
Big torture, great hell
Kisses. Smell.

oh fever, this fever on my bed sheets
this fever under my skin
so deep that nothing more feels but this heat
nothing more moves but my heart beats

Cego, Surdo, Mudo




cego surdo mudo claro escuro obscuro procuro sempre sem parar encontro sem encontrar nada faz-se nada a volta injusta na pura ausencia surda muda sempre muda grita no silencio o encontro do retorno a casa o retorno a casa falo sempre encontro ausente tiro tudo nada estudo sentido dessentido abatido sem motivo aahh esta loucura que me come lentamente aparentemente não me deixa endoidecer e certa da certeza desta clara claridade obtusa das ideias escondidas nas areias deste mar

Six Word Story

Never give up. Right way is.

30.4.14

Naturalidades



Os olhares trocaram-se e a explosão aconteceu. Corações acelerados. Toda ela controlando-se para não tremer, natural parecer. Ele nervoso, lutava para que não se notasse a rigidez dos movimentos que se teimavam em desgovernar.

Sorrisos constrangidos. Olhares de soslaio. Sentados quase lado a lado, não trocavam palavra. Mania. Esta mania de se querer ser natural quando por dentro tudo não é menos que um tremor de terra. Tsunami, invadido no peito com toda a força. Descontrolo. E no entanto, querem parecer naturais.

Ah pobres. Estes corações apaixonados num instante. Pobres deles que não se podem mostrar como se sentem. Não é transparente, e aparentemente nada se passa.

Pára de te mexer, ela vai perceber que estás nervoso.

Mais nervoso que isto é impossível, e ela repara. Nota que de momentos a momentos os seus olhos se desviam para os dela, mas nada faz, finge indiferença, quer parecer natural, e convence-se que o está a ser.

Cruza a perna, pára de mexer no cabelo sua parva. Ele vai perceber.

Claro que percebe, ele nota que ela não pára de ajeitar o cabelo, como se tivesse de estar tudo no lugar certo. Cruza e descruza as pernas, e os seus olhos teimam em voltar-se para os dele.

Repetidamente cruzam-se, os olhares. Sorriem das piadas que se contam em paralelo. Não sabem a piada, mas riem-se na mesma, têm de parecer naturais...

Mas de natural nada há, não trocam uma única palavra que denuncie o que estão a sentir, mas os seus olhos já gritam de um para o outro, dele para ela, o quanto sentem vontade de se aproximar.

Ela sabe. Ele sabe.

29.4.14

Desafios

A minha querida amiga bloguista Bea, fez-me um desafio há uns dias atrás, e para lhe responder à simpatia, cá vou eu participar. (não era para rimar... -_-)

Passo a explicar, o desafio consiste apenas em divulgar alguns dos blogs que gostam de ler, quem for divulgado na lista e quiser retribuir, só tem de mencionar a pessoa (blog) que o recomendou, e colocar também a sua lista de recomendações no post que fizer, por isso aqui ficam as minhas recomendações:






Vamos lá a ver se contribuimos para a divulgação de mais e bons blogs!
Boas leituras!




Baloiço com o tempo, nesta espera de ti, eterna espera. Minha amada.
No desespero que se me arrepanha, vou tentando sobreviver...

28.4.14

Desistir



Não desistas, não porque eu te peço, mas porque o sonho voa mais alto.
Talvez não existamos mais, mas eu sei que tu sabes que somos eternos.
Não menos que isso. Eternos.
E seremos assim, como somos nos instantes em que nos tocamos.
Olhares cruzados. Peitos apertados.
Até conseguirmos respirar tão fundo que o mais fundo não chega.

Não desistas de nós, sabemos mais que isto.
Não somos isto, agora.
Somos o que já fomos.
Somos o que acontece quando a saudade irrompe desvairada.
Qual alvorada perdida por entre beijos de desejo. Antevejo.

Não sabes o que podemos ser. Não saberás jamais.
Não desistas. Não desistas.

24.4.14

Second Skin - Cartas de Amor #4




Ah. Esse cheiro.
Já não sei como vivia sem o sentir.
Como me faltaste.
Mas quero mais.
Não me consigo contentar em respirar-te, preciso-te mais.
Sim, muito. Sou tudo muito.Sempre mais. Mais.

Quero-te em mim como preciso resprirar.
Desejo-te dentro, como se uma fome sem fundo se me apoderasse, 
e me obrigasse a querer-te ainda mais.
Preciso-te. Sentir as tuas mãos em mim, como se delas fizesse parte.
Cheirar-te. Sim. Cheirar-te outra, e outra vez, e mais, e sempre muito.
Respirar-te fundo.

Seres-me. Eu. Tu. Um.
Como se de uma segunda pele nos tratassemos. Ambos.
Um no outro.
Sempre. Perfeito.

Painting by Duma Arantes

23.4.14

Uma Palavra




Palavra prima
Uma palavra só, a crua palavra
Que quer dizer
Tudo
Anterior ao entendimento, palavra

Palavra viva
Palavra com temperatura, palavra
Que se produz
Muda
Feita de luz mais que de vento, palavra

Palavra dócil
Palavra d'agua pra qualquer moldura
Que se acomoda em balde, em verso, em mágoa
Qualquer feição de se manter palavra

Palavra minha
Matéria, minha criatura, palavra
Que me conduz
Mudo
E que me escreve desatento, palavra

Talvez à noite
Quase-palavra que um de nós murmura
Que ela mistura as letras que eu invento
Outras pronúncias do prazer, palavra

Palavra boa
Não de fazer literatura, palavra
Mas de habitar
Fundo
O coração do pensamento, palavra

Chico Buarque

22.4.14

Cartas de Amor #3





É uma espécie de vontade, esta que se me vem sempre que me atinges o pensamento.

Não te sei, nem te quero, e no entanto não te posso esquecer, porque me fazes falta. É mesmo, fazes-me toda a falta que é possível dentro deste peito vazio.

Se arranjo maneira de te saber, não quero. Escrevo. Prometo mil palavras e sentimentos. Não esqueço. Desejo.

E agora quanto tempo mais até. Quantos dias e quantas horas terei eu mais de sofrer até me prometeres que serás eterno.

Pensamento (re)erguido por entre nevoeiros temporais. Sairás jamais.

Ah. Quão obstinada é esta lembrança, qual esperança que se (in)surge sempre que te vejo. Desejo.

Desejo.


21.4.14

Soneto da Felicidade



De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


Vinicius de Morais

17.4.14

O blog da Zana é Ecológico



"De acordo com um estudo realizado pelo ambientalista e físico da Harvard University, Dr. Alexander Wissner-Gross, um internauta produz, em média, cerca de0,02 gramas de CO2 por exibição de página. Considerando que um blog geralmente recebe em torno de 15 000 visitas por mês, isso resulta em 3,6 kg de CO2 emitidos por ano. Este total é gerado principalmente pelo grande consumo de energia, devido à refrigeração necessária para o funcionamento de computadores e servidores."

Não é que tenha tantas visitas, no entanto, acho que é sempre bom poder contribuir de alguma forma. E não custa nada (ver mais aqui).

A Guiato planta uma árvore para cada site que se inscreva nesta iniciativa, para alíviar os impactos das mudanças climatéricas e o impacto das emissões de CO2.

Soubesses







Beijaste-me em mente.
Vieste. Viste-me.
Despiste. Despiste-me.
Desnudaste toda a minha carne,
nela enterraste tuas palavras.

Do teu olhar nada mais soube,
nem se no teu coração coube
algum do meu, ou das minhas chagas.

Pragas, estes pensamentos. Pragas.
Desejo que se queimem por dentro.

o peito implode.
Demasiada ansiedade,
não há sobriedade.

Ah se tu soubesses.
Se tu viesses e visses.
Sentisses
como sinto eu teus beijos. Desejo.
Voltarias apressado.
Desenfreado.

Tudo Isto é Fado



Perguntaste-me outro dia
Se eu sabia o que era o fado
Disse-te que não sabia
Tu ficaste admirado
Sem saber o que dizia
Eu menti naquela hora
Disse-te que não sabia
Mas vou-te dizer agora

Almas vencidas
Noites perdidas
Sombras bizarras
Na Mouraria
Canta um rufia
Choram guitarras
Amor ciúme
Cinzas e lume
Dor e pecado
Tudo isto existe
Tudo isto é triste
Tudo isto é fado

Se queres ser o meu senhor
E teres-me sempre a teu lado
Nao me fales só de amor
Fala-me também do fado
E o fado é o meu castigo
Só nasceu pr'a me perder
O fado é tudo o que digo
Mais o que eu não sei dizer.

Amália Rodrigues

16.4.14

Longas Metragens



Longas são as metragens que faço de ti.
Dentro do meu pensamento apenas a luz para ti.
Dentro da minha bobine apenas a imagem tua. Salgada. Nua.
Prolongam-se de imediato as horas, e balançam-se as pontes até partir.

Saltos de gazela fazem dela a mais bela. Cantas tu. E que delícia.
Maravilha descoberta. Inquieta. Me. Inquieta-me.

Six Word Story

Quanto tempo passou. Agora não tenho.

Retrato do Herói



Herói é quem num muro branco inscreve 
O fogo da palavra que o liberta: 
Sangue do homem novo que diz povo 
e morre devagar    de morte certa. 

Homem é quem anónimo por leve 
lhe ser o nome próprio traz aberta 
a alma à fome    fechado o corpo ao breve 
instante em que a denúncia fica alerta. 

Herói é quem morrendo perfilado 
Não é santo    nem mártir    nem soldado 
Mas apenas    por último    indefeso. 

Homem é quem tombando apavorado 
dá o sangue ao futuro e fica ileso 
pois lutando apagado morre aceso. 

Ary dos Santos, in 'Fotosgrafias'

15.4.14

Cartas de Amor #2



Não paro de te pensar.
Não consigo conceber que de alguma forma te encontras demasiado longe das minhas mãos. Saudades de te ter nelas.
No peito encontro nada a não ser tu, sempre tu, nessa tua aura incandescente, com esses olhos penetrantes, perfuram-me sempre e todas as vezes.
Não consigo esquecer, é-me impossível. Será este o meu castigo por tamanho pecado. Este que cometi ao tentar conquistar-te, tendo eu já no meu coração outra mulher.
Mas é possivel sabes, é possível amar duas pessoas, e mesmo assim não ser pecado. Eu sei, eu sei, para muita gente é pecado talvez, mas para mim não, não faço planos para gostar. Gosto e pronto. É assim. É como é. E eu gostei-te. Tanto. E gosto-te ainda.
Vivo um dia de cada vez, na esperança de te poder ter novamente nas minhas mãos. Já te disse que estão vazias de ti. Pois que estão num vácuo de ti, já nem as sinto de tão dolorosa ausência que lhes provocas.
Sofro constantemente e todos os dias me lembro, ao acordar, que já não te tenho, que não te posso agarrar e preencher este vazio.
Mas sinto-te, continuo a sentir-te como se fosse hoje, agora. Fecho os olhos e respiro fundo, inalo o teu perfume que fica, e ele continua sabes.
Continua o teu perfume em mim e no meu corpo, todo ele me cobre como uma segunda pele, aquela que eu queria que tu me fosses.
Faço-te sólida nos meus pensamentos, e deito-me enroscado em ti e nesses teus olhos que não esqueço.
Talvez um dia, quem sabe, te (re)encontre e não te lembres de mim, para que te possa (re)conquistar.

Pedras&Palavras



As palavras e as pedras são muito semelhantes no que toca à sua mais pura essência.
As palavras e as pedras, depois de atiradas, já não se podem (recuperar).
As palavras saiem e atingem o alvo com a força de uma pedra, e a pedra assim que embate, pode magoar a sério (porque a brincar também se magoa muito boa gente), e muito.
Mas creio que as palavras magoam ainda mais. Sim. magoam muito mais que as pedras, pois que ao embaterem, provocam maior ferida, enterram-se mais na carne do coração.
Sim. As palavras magoam mais que as pedras. Muito mais que as pedras. Muito.

14.4.14

Cartas de Amor #1



O meu coração está pendurado por um fio.
Aquele fio que amarraste quando me olhaste e sorriste.
Foi com ele que o meu coração se foi, e ficou por aí a balançar... nesse fio.
Frágil fio, que a qualquer momento pode rebentar.
Não te vi mais, quase não trocamos palavras, apenas olhares.
Tantos.
Tu olhavas-me, e eu olhava-te, sem saber muito bem o que me provocavas.
Tu mexias-te, eu estremecia na esperança que me lançasses alguma palavra.
Tu falavas, e eu calava-me para tentar entender como me podias estar a  perfurar com tanta força.
Não te vi mais, não me esqueci mais.
Os teus olhos, eu não os devolvo, trouxe-os comigo.
O teu sorriso, guardei-o no meu pensamento.
Os teus cabelos e o teu perfume doce, filtrei-os e guardei-os no meu pepito.
Sempre que me dói o coração sei de onde vem a dor,
é de ainda não te poder ter encontrado de novo,
de não poder ter-te puxado e agarrado para não te largar mais.
É isso.
Tenho o coração pendurado por um fio,
com a esperança de que quando ele rebentar,
as tuas mãos possam ampará-lo.

Pessoa



Pessoa caminhante
Andante deste mundo
Sem fundo...
Converge de passos perdidos
Com os sentimentos aturdidos
Do rebuliço de emoções
Pessoa...
Pessoa de mil faces
Pessoa de mil almas
Pessoa sem destino
Calma revoltada
De mundo perdido

11.4.14

Contrabando




Esquece o contrabando de sentimentos
a loucura chegou para se instalar
não veio só fazer uma visita

Vai-te para casa, mas não tropeces nos pensamentos,
sentimentos.
ficam-te encravados nas artérias
entupimento de veias,
vias consecutivas das relações.

sabes que agora é assim
não te fiques por cá por mim

só agora te entendi,
só agora percebi
porque é que não respiro
e retiro o peso da tentação
perdição

não me olhes assim
sabes bem que é verdade
não me deixes ficar
vai-te e não me faças tropeçar
outra vez!

só agora te entendi
só agora percebi
porque é que tudo é tão insípido
quando de ti não há vestígio

10.4.14

Vazios II



Já não há luar que me afogue
E lá longe tu continuas
Minha estrela da noite
Minhas mãos serão sempre tuas

ah salteador de corações
em armações mais ou menos complexas
em sintéticas insinuações
de quase nada se chegam
e apertam a garganta
que te grita e não te sabe mais

ah que por muitos lugares
caminhos percorri e não te encontrei
na luz na noite me abandonei
sinuosa sedução de estrelas que me prendem agora
deixar-me-hei ficar por estas sendas
não mais te procuro
por aqui me detenho


Vazios



Se ás vezes te desejo
Outras há em que te odeio
Porque te quero tanto toda dentro de mim
Por me provocares tão ardente desejo
E porque te foste e me deixaste vazio
Tão vazio que não me encontro

Não me sinto mais.
Não haverá outra mulher que mo provoque.

Saberá melhor a minha alma
Ou as entranhas de um porco
Que delas dizem ler-se o futuro
Ora que o meu já foi mais que lido
Foi cumprido
E não há mais a dizer