22.1.15

Perdido

Chorei,
Sem deixar saber
O que me doía
Gritei,
E no silêncio
Já ninguém me ouvia

Da dor
E dos ouvintes
Viajantes e pedintes

Já não durmo, já não como
Já não sei por onde ando

Crucificado
Neste castigo
Qual mendigo
Estarrecido
Me perdi

21.1.15

Canção de Amigo

Chegaste como quem não quer
Nessa tua dança ardente
Fazes de conta que não vês
E provocas toda a gente
 
Já me segurei p'ra não dizer
Como te quero ter nas mãos
E agora o que é que eu vou fazer
P’ra conseguir a tua atenção
 
E agora o que é que eu vou fazer
Com isto tudo a acontecer
Quero-te fazer escutar
O que tenho p’ra dizer
 
Longe de mim querer brincar,
Mas matas-me com esse teu olhar,
Já não consigo ter razão
Nem pés assentes no chão
 
Passos os dias a sonhar
E à noite acordado
Fico longe e sem saber
Onde caí ancorado
 
E agora o que é que eu vou fazer
Com isto tudo a acontecer
Quero-te fazer escutar
O que tenho p’ra dizer
 

18.1.15

Não podes fugir

Chega cá, dá-me mais
Não te vás antes que te devore
Quero mais, não quero esperar
Até que o mundo se transforme

Vais ficar, presa na minha teia
Pões-me a ferver  o sangue dentro da veia
Vem outra vez, mata-me de  prazer
Quero outra vez até desaparecer

Eu sei que queres, não vais fugir
Vais ter de saber como reagir
Bem la no fundo tu não sabes mentir
Eu sei que não queres fugir

Oh não, outra vez
Mas que desejo é este que me consome
Tens de ver, tens de sentir
Ajudar a teminar esta fome

Vais ficar, presa na minha teia
Pões-me a ferver  o sangue dentro da veia
Vem outra vez, mata-me de  prazer
Quero outra vez até desaparecer

Vais ter que ver,  não me vais mentir
Pára de me consumir, ou vou partir
Vais ter de dançar, vais ter de ouvir
Eu sei que não queres fugir

16.1.15

A Queda

Alguém que te exorcize
Que o diabo está-te no corpo
Deste inferno não há mal que te realize
não há nada que te faça morto

Ah, perdeste o teu tempo
em jeito de perdição
Perdido de pecado,
permitido,
pensaste tu

Não quero,
não posso,
não permito mais um passo
Que desses que já deste, não há palco
para mais um acto

Não te permito, não te protestes
Já não há mais do que fizeste

Pois que é hoje a tua queda,
O teu império de escuridão tombou
Aniquilou-se essa podridão.

É hoje que te arrombo
É hoje que te venço
Não há mais passos para dares
nesta direcção
É hoje que te acabas
É hoje que te quedas
É hoje que regressas
directo para as tuas trevas

Acabou
Engole o orgulho
Engole-te nesse teu mundo
Não te permito
Acabou
O teu império terminou.

15.1.15

Promessas

Debaixo do fogo dos teus beijos
encandeiam-se verdades
Nesses teus olhos serenos 
Cheios de humildade
 
Sempre que te sinto na pele
Qual toque sublime entranhando-se
em minh’alma
Ficam-se-me pedaços de ti
enraizados

Por quantas vidas te esperei
Por quantas mais eu te terei
Por quantas vidas te amei

Vezes e vezes sem conta me despedi
De braço esticado a saudade
Nas pontas dos dedos a verdade
que te encontrarei
Nem que precise inventar
novas realidades

Vejo-te amanha como sempre
Até já
Fica a promessa presente

14.1.15

Instantes

Se eu fosse um fado, oferecia-te o universo
Embalava-te de mansinho
cantando bem baixinho

Se eu fosse um fado, tecia lençóis de notas soltas
Tecia-os, com muitas cores e voltas

Se eu fosse um fado, dava-te um segundo de eternidade
Todo aquele que me prometeste
naquele instante em que me criaste

Se eu fosse um fado
Atravessava mares e oceanos 
Sem que o tempo me prendesse na saudade

Seria tudo aquilo que sempre me sonhaste,
Saberias que era eu,
Porque a mim, e a nós
Sempre amaste

2.1.15

Sal



Ah mar salgado, porque me arrastaste para dentro de ti.
Porque me viciaste nessa tua heroína.
Que desse sal, se me ficou nas veias,
entupidas com teus cristais.

Não te uso mais.
Mas quero-te tanto.
Repetir-te.
E repetir-te em overdose.
Revirar-me em overdose.

Porque nos sonhos ainda me visitas.
Porque neles ainda se me venho ver-te.
Querer-te. Até que se me rebente o corpo.
Viciado. Deste sal entranhado.
Embrenhado e sem poder de salvação
Deste amor que me aprisionou, torto.


29.12.14

Human Phoenix




Pela combustão do silêncio, poderão tentar apagar-me. Pela repressão e pelo medo, poderão tentar enterrar-me.

Mesmo que me apaguem, mesmo que me submerjam, renascerei das cinzas, regressarei à tona, mesmo que já cá não estejam.

Poderão tentar matar-me, todos os dias. Que pela morte do corpo, se erguerá mais forte o espírito.

Por cada tropeço, por cada solavanco, se levantará mais forte, alguém, uma página em branco. 

Poderão pensar, que não mereço, poderão pensar, que já não resisto. Mas renascerei no tempo, nas vezes que o tempo persiste. Todas as vezes que me disseram, Tu não existes.

Por cada segundo de morte, ressuscitarei. Por cada particula apagada, eu voltarei.

Poderão empurrar-me no abismo, mas eu, não cairei. Vou abrir as minhas asas, ainda com mais força. Voarei.

Poderá cair o fogo, vindo do céu. Poder-se-ão erguer-se as trevas, mas tudo será meu.

De princesa a rainha, todas as trevas controlarei. Não haverá o peso do medo, porque a luz transportarei.

Já me dizia o povo sábio, O que não me mata, torna-me mais forte. 
E mesmo que morra, erguer-me-ei dos braços da morte.
E mesmo que morra, erguer-me-ei dos braços da morte.

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18.12.14

Profecia da Verdade

Ai de vós pobres almas que não acreditais no que vos conto. Pois que a verdade que vos desvendo vem de vós e de vós apenas. 
Pobres sereis, pois não quereis ver toda a vossa luz interior. Que vo-la mostro. Que vo-la destapo.
Ai de vós que não se me acreditais. Pois que o que vos conto não é mais do que o que já me contasteis a mim. 
Sou apenas mensageiro. Apenas via de comunicação. Pois que o que vos desvendo não é mais do que aquilo que me foi mostrado.
Não é novidade esta verdade que vos devolvo. Pois que não é mais minha, que vossa. Pois que de vós me veio ter nas mãos.
Chamais-me louco. Mas que loucos serão vós, que não se vos acreditais na vossa própria verdade.
Luz que se vos sai, e que me entra, para que vo-la possa refletir. E que neste reflexo já não se reconhecem.
Nesse reflexo vêem-se distantes estranhos. São vocês que se vos mostram. Não eu. Eu. Mero transmissor da vossa própria verdade.
Virá o dia em que direis: ele tinha razão, esta verdade éramos nós.

13.12.14

Hoje a morte beijou-me os pés

Hoje a morte beijou-me os pés
Veio de mansinho e cheirou-me a pele
Disse-me olá e olhou-me nos olhos
Tocou-me no centro e abalou-me o equilíbrio

Hoje a morte abraçou-me sem me levar
embalou-me e cantou-me canções de ninar

Não tenhas medo não
não temas que não te levo
vim só matar saudades
vi só abafar solidão

Hoje a morte beijou-me as mãos
deu-me de beber
brindou comigo à vida

Hoje a morte abraçou-me sem me levar
embalou-me até adormecer
até parar de chorar

1.12.14

Going Under



Save me, from going under
I don’t know, where I am
(I’ll save you if you stay)

Take my, dreams of wonder
And save me please
(I’ll save you if you stay)
From going under
(you will never know)

How is this possible
Now, I can realize
I see
I’ve been under for so long

How is this bearable
(come with me)
Now where am I going
(take my hand)
Why do I feel so lonely
(I will never leave you)

How is this possible
Now, I can realize
I see
I’ve been under for so long (You’ve been under for so long)

(Save me)
I’m going under
(save me)
From this disorder
(save me)
From this place, so dark

Show me, the path I’m trying to do
Where am I?
(I will show you the light)
Take me, from this place of wonder
Where am I? Where am I?
(I will never let you down)

How is this bearable
(come with me)
Now where am I going
(take my hand)
Why do I feel so lonely
(I will never leave you)

How is this possible
Now, I can realize
I see
I’ve been under for so long (You’ve been under for so long)

(Save me)
I’m going under
(save me)
From this disorder
(save me)
From this place, so dark

(Save me)
I’m going under
(Save me)
I’m going under
(Save me)
I’m going under


(Save me) Save me

12.11.14

Mesmo assim, quero ver-te sorrir... - Cartas de Amor #22





Sabes, a vida é feita de encontros e desencontros. Lugar comum eu sei. Mas tão verdadeiro.
Já nos encontramos. E agora desencontramo-nos neste amor que não se explica. Queria-te para mim agora. Aqui. Desde que te percebi. Entendi que te tinha encontrado. Como te tinha procurado.

Mas neste desencontro vamos continuando. Sinto falta. Sinto saudades. E ao mesmo tempo preenches-me como se sempre tivesses sido o meu amor. Meu. Amor. Aqui. Que tantas vezes conheci. E hoje. Outra vez. Como sempre. Sorrimo-nos. Reconhecemo-nos. Aplaudimo-nos.

Relembramos tudo o que já vivemos, mais o que fomos. Juntos conquistaríamos o mundo. As estrelas. As galáxias estavam ao alcance do estender de uma mão. E conquistamos. Tudo era nosso. Tudo foi nosso. Tudo será nosso. No seu devido tempo. No seu devido lugar.

Mas continuamos neste desencontro. Está bem assim. Não te sintas. Não tem mal. Não há mal em amar assim. O amor tem tantas formas meu amor. Todas elas válidas. Todas elas possíveis. Talvez seja essa a nossa busca. A de viver e conhecer todas as formas e faces dele. Do Amor.

Recordo com lucidez a serenidade do teu olhar. A luz do teu rosto. E essa luz ilumina-me nos meus dias mais negros. Não te preocupes meu amor. Tudo está certo. Tudo está certo.


Haverá sempre esta luz. Teremos força para continuar.

22.10.14

I see


I see it my love
I see it better than you know
I have to tell you I know

Maybe it’s too late
Maybe we could try again
Maybe I should run for you

I see it my love
I see it better than you think
I’m there with you
All the time

My hand in your hand
There’s nothing else I’m more sure about
These feelin’ inside
These craziness we have

The little something that changes it all
Is yours and only yours alone

My heart

Invencíveis - Cartas de Amor #21



Sinto-te tanta falta meu amor. Sinto-te tanta saudade que se me aperta o peito e não respiro. Sobrevivo. 

Sinto-te falta. Fazes-me falta. Faltas-me aqui do meu lado. Falta-me respirar fundo, no fundo do ti. Falta-me nadar nesses olhos serenos. Falta-me a tua calma. A tua lucidez. Sem ela não sou nada além de insanidade perdida. Nada, a não ser tudo o que me faltas.

Sinto-te tanta saudade. Tanta saudade que te sinto, que não se me chega a luz do dia para que acorde. Pois continuo em viagem permanente ao encontro de nós. Ainda nós. Sempre nós. Por todos os dias até à eternidade.

Não será a saudade que me matará. Será a tua ausência que me fará perder as forças. As poucas que ainda me sustentam. Pois que da tua presença sabia tudo. Na tua presença podia tudo. Capaz de tudo. Conquistava tudo.

Éramos invencíveis. Éramos invencíveis.

Meu Amor.

15.10.14

Blindness

Oh so blind that I was indeed
So blind that I could not but bleed

With this blindness I blessed my days
Searching for something that could just taste
With this blindness I cursed it all
'cause only with my toutch I could see
how I was about to fall
for those who do not know
for those who can not feel
So this is it, so this is it

Oh so blind that I was indeed
So blind that I could not but bleed

Silêncios - Cartas de Amor #20




Hoje sobram-me silêncios. Faltam-me palavras. Tantas que te queria dizer. E ficam-se por aqui engasgadas na garganta. Entaladas. A meio caminho. Escondidas no silêncio. Nos silêncios. Os que me sobram. Sobram-me. Abundam-me estes silêncios.

Hoje não se constroem. Palavras. Nada me sai a não ser este silêncio.

Hoje sobram-me promessas de te contar contos. Sobram-se por aí, sem que as consiga controlar. 

Sobram-me monólogos incessantes. Silenciosos. Intermináveis.

Hoje não te falo. Olho-te. Isso é o bastante para que te diga tudo. O suficiente para que te ouça.

Silêncio. É o que me sobra. E não há som que o preencha para que te fale.

Mas não nos afastará este silêncio. Pois que no silêncio se contam as mais belas histórias. As que não se podem contar de nenhuma outra forma. Porque palavras seriam demasiadas para as dizer. As histórias.

Já os sentimentos. Esses não precisam de mais nada que não este silêncio que me sobra. Será ele. O silêncio. O melhor meio condutor deles. Os sentimentos.

Hoje sobram-me silêncios. O suficiente para que te fale sem dizer com a boca.

O suficiente para sentir a tua mão na minha.

E isso basta para que no silêncio nos oiçamos.

14.10.14

A verdade esquece-se



No fundo, toda a verdade se esquece.
Restam apenas escombros de sentimentos.
Uns mais fortes que outros.
Mas escombros.
Sempre.

Meras sombras. Sombras das luzes que já projectaram.

No fundo toda a verdade se esfumaça.
Restam apenas impressões.
As mesmas que marcarão conclusões incongruentes.
Qual história esqucida, por tradição contada.
Alterada.

No fundo. Apenas a saudade permanece.
Na memória como que um sonho,
com vontade de repetir-se. Reviver-se.

8.10.14

Paciência




Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não para

Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso, faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara

Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência

O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência

Será que é tempo
Que lhe falta pra perceber?
Será que temos esse tempo
Pra perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para
A vida não para não

Será que é tempo
Que lhe falta pra percebe?
Será que temos esse tempo
Pra perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para
A vida não para não

A vida não para

Composição: Lenine

3.10.14

A força das palavras

Terão as palavras força quando são ditas. Ou estará toda a força contida na intensão de as dizer. Força e palavras. Ditas. Ou por dizer, é mais assim.

Haverá por aí alguma relação entre elas. Falta saber onde se ligam, e onde se conduzem, para que uma possa justificar a outra. Ou melhor, para que uma possa conter a outra. Por qual ordem, falta saber.

Palavras. Ou apenas pseudo palavras balbuciadas, como que numa algaraviada desentendida, sem grande significado. Daí a dúvida. Qual a força. Onde a força. Na palavra. Na intensão de a dizer. Talvez esteja mais na intensão mesma. De as dizer. 

As palavras. Na intensão de as conversar. De as levar na direcção de alguém que esteja disposto a recebê-las. Nas conversas. Recebê-las nas conversas. Profundas ou apenas casuais. Mas assumo, com alguma presunção creio, que nas conversas profundas, se estabelecerá talvez a maior força delas. Das palavras. Que é delas que falo. Com elas.

Ah monólogo incessante. Um tanto ao quanto louco até. Pescadinha de rabo na boca. Dirão alguns. Sexo dos anjos. Dirão outros. 

Mas quebrar-se-ia todo o encanto de dizer palavras, e de as carregar com a força de uma intenção. Poderia dizer, Olá. Apenas. Mas essa simples palavra poderia dizer muito mais que apenas o som que a transporta. Poderia dizer o que ela se diz. Ou poderia dizer mais, carregando dentro dela a ansiedade de um, Pensava que não te voltava a ver. E nisto, a intensão tem de tudo, a maior força. Sim, lá está a força presente. Mas nada seria da força, se não fosse a intensão de a dizer. 

A palavra, neste caso.