30.1.15

Hoje é dia de Saudade



Sinto-vos saudade porque me permanecem desde do último instante na matéria..
Permanecem-me nas emoções as lições e gargalhadas que demos
Permanecem-me vossos sorrisos e olhares ternurentos
Permanecem-me os abraços e os colos que me deram...
As lágrimas que me secaram
Permanecem-me na vossa presença
Até que nos voltemos a abraçar
Sinto-vos
Saudade

29.1.15

Sinto-te

Sei que há estrelas que me dizem o teu nome a toda a hora
Nas horas suspensas, e no ar da maresia
São elas que me contam por onde andas
Fazem-me elas essa cortesia

Sei que há noites em que o luar se me reflete a tua imagem
Na bruma fina da noite
Deixa-me claro por onde te moves
É ela que se me te mostra
É ela que me diz, Não chores corajosa
Não chores
Pois que o teu amor por ti também suspira

Sei que há sonhos em que te toco
Na imparcialidade de um tempo que não existe
Que me abandona, que me persiste nesta demora em voltar a cheirar-te
Nesta demora em voltar a aninhar-me no teu peito
Em lá ficar e fechar os olhos
Parar o tempo e torná-lo perfeito

Sei que há horas em que me pensas
Porque nessas horas te sinto e te penso também
Porque nessas horas não há mais ninguém
Porque é nesse momento, quando te consigo tocar
Nessa película fina que apenas separa a nossa troca de olhares
O nosso
Naquele aplauso a nós
Poderoso

Sinto-te
Falta

Gosto - Cartas de Amor #24

Gosto quando sorris para mim. Assim como quem disfarça uma certa timidez. Gosto-te assim. Nem muito salgada, nem muito insossa. Assim como és está bom.

Gosto de te olhar quando não me sabes por perto. É quando és mais tu. É quando te vejo por dentro. É quando não me sabes, que eu te sei, por certo.

E gosto de te saborear. Já te disse. Não. Então digo-te agora. Gosto de te saborear. Gosto de ter na minha boca, cada pedaço do teu sabor. Tê-lo todo em meu redor. Embriagar-me nele, esse sabor tão teu. Tão tu.

E gosto quando me perfuras com esses olhos. Naquele exato momento morro. Para que me vejas. É quando eu sou mais eu. É quando me entras pela alma adentro, sem pedir licença. E abres aquela porta. Aquela. Que só tu sabes. Que só tu vês. Aquela. Da qual apenas tu tens a chave. Deixo-te abri-la.

Já me sabes. Já me conheces. Mais ninguém. Apenas tu me sabes. Todos os recantos. Todos aqueles que ninguém imagina que me existem. Tu sabe-los todos. Não te escapa um. 

E eu gosto tanto. Tanto. Gosto muito de ti. Gosto muito de sermos um. Num tempo, em que apenas o tempo nos sabe. Somos apenas nós assim. Até ao infinito. 

Por todos os dias até à eternidade.

27.1.15

Só mais uma vez - Cartas de Amor #23



Sabes, ás vezes fico a olhar para o infinito. Sem saber muito bem como me perdi, ou quando me perdi.

Talvez saiba. Sei. Sim. Claro que sei quando me perdi. Foi no dia em que te vi pela primeira vez. Foi esse o dia do início da minha perdição. Do meu pecado. Tu.

Foi no preciso momento em que os teus olhos bateram em mim, qual arma mortífera apontada ao seu alvo. Invariavelmente caí. Acho que ainda não me levantei. Acho não. Sei que não me levantei. Nem nesse dia, nem em todos os que se seguiram. Neles, rastejei até te conseguir apanhar. Sim. Apanhei-te. E prendi-te na minha rede.

Resgatei-te desse mar em que te via à deriva. E prendi-te. Envolvi-te o mais que pude. Saboreei-te. Consumi-te o mais que consegui. Até entrar em overdose. Mas não era suficiente. Overdose era pouco para tanta vontade. Desejo. Consumi-te até rebentar. Sempre. Muito. 

Tu. Muito. É isso que tu és. Tu és sempre muito. Tudo muito. Absurdamente muito. Overdose. Mais que muito.

E agora. Continuas a ser muito. A estar muito. Longe.

A esticar esta corda que se me sai do peito até ti. Muito. Esticada até à exaustão da dor. Muita. A dor. E ela consome-me. A dor. Corrói-me. Essa maldita dor. Que ficou. Quando te foste. Esta dor que não me larga. Que me amarga a boca sempre que te penso.

Agora que faço. Se não te voltas mais para este lado. Se os teus olhos já não encontram em mim um alvo. Gostava de o ser sabes. Alvo. Pronto a ser perfurado por esse olhar terrível que eu tanto adoro.

Ainda sim. Falo no presente. Porque é a minha verdade. A tua presença ainda aqui está. Todas as noites que me deito. Ao lado dela. Não a sinto. Mas a ti. Tu. Estás mais do que aqui. Entranhada em mim de tal modo, que não me contenho em te gritar. Para dentro. Grito-te para dentro. Muito. Como tu. Na esperança de que um dia me ouças. E me possas voltar a abater com esses olhos.

Olhos que queimam como cigarros. Eu sei que eles continuam iguais. Faz com que eles se voltem para mim. Só mais uma vez.

E que me possam abater. Sim. Que me possa incendiar. E que neles, possa eu morrer.

Para que nunca mais precise de cá voltar.

24.1.15

Era Ela



Se ela não tivesse acontecido não haveria palavras que a contassem, e mesmo assim ela repetia-se a si mesma, vezes sem conta, até ter a certeza de que era ela a rosa que sangrava nas lágrimas, e que lutava com os seus espinhos. Que se reduzia a cinzas todas as noites, e que acordava todas as madrugadas em chamas.

Era ela sim, era ela que continuava a acontecer como sempre.

22.1.15

Perdido

Chorei,
Sem deixar saber
O que me doía
Gritei,
E no silêncio
Já ninguém me ouvia

Da dor
E dos ouvintes
Viajantes e pedintes

Já não durmo, já não como
Já não sei por onde ando

Crucificado
Neste castigo
Qual mendigo
Estarrecido
Me perdi

21.1.15

Canção de Amigo

Chegaste como quem não quer
Nessa tua dança ardente
Fazes de conta que não vês
E provocas toda a gente
 
Já me segurei p'ra não dizer
Como te quero ter nas mãos
E agora o que é que eu vou fazer
P’ra conseguir a tua atenção
 
E agora o que é que eu vou fazer
Com isto tudo a acontecer
Quero-te fazer escutar
O que tenho p’ra dizer
 
Longe de mim querer brincar,
Mas matas-me com esse teu olhar,
Já não consigo ter razão
Nem pés assentes no chão
 
Passos os dias a sonhar
E à noite acordado
Fico longe e sem saber
Onde caí ancorado
 
E agora o que é que eu vou fazer
Com isto tudo a acontecer
Quero-te fazer escutar
O que tenho p’ra dizer
 

18.1.15

Não podes fugir

Chega cá, dá-me mais
Não te vás antes que te devore
Quero mais, não quero esperar
Até que o mundo se transforme

Vais ficar, presa na minha teia
Pões-me a ferver  o sangue dentro da veia
Vem outra vez, mata-me de  prazer
Quero outra vez até desaparecer

Eu sei que queres, não vais fugir
Vais ter de saber como reagir
Bem la no fundo tu não sabes mentir
Eu sei que não queres fugir

Oh não, outra vez
Mas que desejo é este que me consome
Tens de ver, tens de sentir
Ajudar a teminar esta fome

Vais ficar, presa na minha teia
Pões-me a ferver  o sangue dentro da veia
Vem outra vez, mata-me de  prazer
Quero outra vez até desaparecer

Vais ter que ver,  não me vais mentir
Pára de me consumir, ou vou partir
Vais ter de dançar, vais ter de ouvir
Eu sei que não queres fugir

16.1.15

A Queda

Alguém que te exorcize
Que o diabo está-te no corpo
Deste inferno não há mal que te realize
não há nada que te faça morto

Ah, perdeste o teu tempo
em jeito de perdição
Perdido de pecado,
permitido,
pensaste tu

Não quero,
não posso,
não permito mais um passo
Que desses que já deste, não há palco
para mais um acto

Não te permito, não te protestes
Já não há mais do que fizeste

Pois que é hoje a tua queda,
O teu império de escuridão tombou
Aniquilou-se essa podridão.

É hoje que te arrombo
É hoje que te venço
Não há mais passos para dares
nesta direcção
É hoje que te acabas
É hoje que te quedas
É hoje que regressas
directo para as tuas trevas

Acabou
Engole o orgulho
Engole-te nesse teu mundo
Não te permito
Acabou
O teu império terminou.

15.1.15

Promessas

Debaixo do fogo dos teus beijos
encandeiam-se verdades
Nesses teus olhos serenos 
Cheios de humildade
 
Sempre que te sinto na pele
Qual toque sublime entranhando-se
em minh’alma
Ficam-se-me pedaços de ti
enraizados

Por quantas vidas te esperei
Por quantas mais eu te terei
Por quantas vidas te amei

Vezes e vezes sem conta me despedi
De braço esticado a saudade
Nas pontas dos dedos a verdade
que te encontrarei
Nem que precise inventar
novas realidades

Vejo-te amanha como sempre
Até já
Fica a promessa presente

14.1.15

Instantes

Se eu fosse um fado, oferecia-te o universo
Embalava-te de mansinho
cantando bem baixinho

Se eu fosse um fado, tecia lençóis de notas soltas
Tecia-os, com muitas cores e voltas

Se eu fosse um fado, dava-te um segundo de eternidade
Todo aquele que me prometeste
naquele instante em que me criaste

Se eu fosse um fado
Atravessava mares e oceanos 
Sem que o tempo me prendesse na saudade

Seria tudo aquilo que sempre me sonhaste,
Saberias que era eu,
Porque a mim, e a nós
Sempre amaste

2.1.15

Sal



Ah mar salgado, porque me arrastaste para dentro de ti.
Porque me viciaste nessa tua heroína.
Que desse sal, se me ficou nas veias,
entupidas com teus cristais.

Não te uso mais.
Mas quero-te tanto.
Repetir-te.
E repetir-te em overdose.
Revirar-me em overdose.

Porque nos sonhos ainda me visitas.
Porque neles ainda se me venho ver-te.
Querer-te. Até que se me rebente o corpo.
Viciado. Deste sal entranhado.
Embrenhado e sem poder de salvação
Deste amor que me aprisionou, torto.


29.12.14

Human Phoenix




Pela combustão do silêncio, poderão tentar apagar-me. Pela repressão e pelo medo, poderão tentar enterrar-me.

Mesmo que me apaguem, mesmo que me submerjam, renascerei das cinzas, regressarei à tona, mesmo que já cá não estejam.

Poderão tentar matar-me, todos os dias. Que pela morte do corpo, se erguerá mais forte o espírito.

Por cada tropeço, por cada solavanco, se levantará mais forte, alguém, uma página em branco. 

Poderão pensar, que não mereço, poderão pensar, que já não resisto. Mas renascerei no tempo, nas vezes que o tempo persiste. Todas as vezes que me disseram, Tu não existes.

Por cada segundo de morte, ressuscitarei. Por cada particula apagada, eu voltarei.

Poderão empurrar-me no abismo, mas eu, não cairei. Vou abrir as minhas asas, ainda com mais força. Voarei.

Poderá cair o fogo, vindo do céu. Poder-se-ão erguer-se as trevas, mas tudo será meu.

De princesa a rainha, todas as trevas controlarei. Não haverá o peso do medo, porque a luz transportarei.

Já me dizia o povo sábio, O que não me mata, torna-me mais forte. 
E mesmo que morra, erguer-me-ei dos braços da morte.
E mesmo que morra, erguer-me-ei dos braços da morte.

Image from Pinterest

18.12.14

Profecia da Verdade

Ai de vós pobres almas que não acreditais no que vos conto. Pois que a verdade que vos desvendo vem de vós e de vós apenas. 
Pobres sereis, pois não quereis ver toda a vossa luz interior. Que vo-la mostro. Que vo-la destapo.
Ai de vós que não se me acreditais. Pois que o que vos conto não é mais do que o que já me contasteis a mim. 
Sou apenas mensageiro. Apenas via de comunicação. Pois que o que vos desvendo não é mais do que aquilo que me foi mostrado.
Não é novidade esta verdade que vos devolvo. Pois que não é mais minha, que vossa. Pois que de vós me veio ter nas mãos.
Chamais-me louco. Mas que loucos serão vós, que não se vos acreditais na vossa própria verdade.
Luz que se vos sai, e que me entra, para que vo-la possa refletir. E que neste reflexo já não se reconhecem.
Nesse reflexo vêem-se distantes estranhos. São vocês que se vos mostram. Não eu. Eu. Mero transmissor da vossa própria verdade.
Virá o dia em que direis: ele tinha razão, esta verdade éramos nós.

13.12.14

Hoje a morte beijou-me os pés

Hoje a morte beijou-me os pés
Veio de mansinho e cheirou-me a pele
Disse-me olá e olhou-me nos olhos
Tocou-me no centro e abalou-me o equilíbrio

Hoje a morte abraçou-me sem me levar
embalou-me e cantou-me canções de ninar

Não tenhas medo não
não temas que não te levo
vim só matar saudades
vi só abafar solidão

Hoje a morte beijou-me as mãos
deu-me de beber
brindou comigo à vida

Hoje a morte abraçou-me sem me levar
embalou-me até adormecer
até parar de chorar

1.12.14

Going Under



Save me, from going under
I don’t know, where I am
(I’ll save you if you stay)

Take my, dreams of wonder
And save me please
(I’ll save you if you stay)
From going under
(you will never know)

How is this possible
Now, I can realize
I see
I’ve been under for so long

How is this bearable
(come with me)
Now where am I going
(take my hand)
Why do I feel so lonely
(I will never leave you)

How is this possible
Now, I can realize
I see
I’ve been under for so long (You’ve been under for so long)

(Save me)
I’m going under
(save me)
From this disorder
(save me)
From this place, so dark

Show me, the path I’m trying to do
Where am I?
(I will show you the light)
Take me, from this place of wonder
Where am I? Where am I?
(I will never let you down)

How is this bearable
(come with me)
Now where am I going
(take my hand)
Why do I feel so lonely
(I will never leave you)

How is this possible
Now, I can realize
I see
I’ve been under for so long (You’ve been under for so long)

(Save me)
I’m going under
(save me)
From this disorder
(save me)
From this place, so dark

(Save me)
I’m going under
(Save me)
I’m going under
(Save me)
I’m going under


(Save me) Save me

12.11.14

Mesmo assim, quero ver-te sorrir... - Cartas de Amor #22





Sabes, a vida é feita de encontros e desencontros. Lugar comum eu sei. Mas tão verdadeiro.
Já nos encontramos. E agora desencontramo-nos neste amor que não se explica. Queria-te para mim agora. Aqui. Desde que te percebi. Entendi que te tinha encontrado. Como te tinha procurado.

Mas neste desencontro vamos continuando. Sinto falta. Sinto saudades. E ao mesmo tempo preenches-me como se sempre tivesses sido o meu amor. Meu. Amor. Aqui. Que tantas vezes conheci. E hoje. Outra vez. Como sempre. Sorrimo-nos. Reconhecemo-nos. Aplaudimo-nos.

Relembramos tudo o que já vivemos, mais o que fomos. Juntos conquistaríamos o mundo. As estrelas. As galáxias estavam ao alcance do estender de uma mão. E conquistamos. Tudo era nosso. Tudo foi nosso. Tudo será nosso. No seu devido tempo. No seu devido lugar.

Mas continuamos neste desencontro. Está bem assim. Não te sintas. Não tem mal. Não há mal em amar assim. O amor tem tantas formas meu amor. Todas elas válidas. Todas elas possíveis. Talvez seja essa a nossa busca. A de viver e conhecer todas as formas e faces dele. Do Amor.

Recordo com lucidez a serenidade do teu olhar. A luz do teu rosto. E essa luz ilumina-me nos meus dias mais negros. Não te preocupes meu amor. Tudo está certo. Tudo está certo.


Haverá sempre esta luz. Teremos força para continuar.

22.10.14

I see


I see it my love
I see it better than you know
I have to tell you I know

Maybe it’s too late
Maybe we could try again
Maybe I should run for you

I see it my love
I see it better than you think
I’m there with you
All the time

My hand in your hand
There’s nothing else I’m more sure about
These feelin’ inside
These craziness we have

The little something that changes it all
Is yours and only yours alone

My heart

Invencíveis - Cartas de Amor #21



Sinto-te tanta falta meu amor. Sinto-te tanta saudade que se me aperta o peito e não respiro. Sobrevivo. 

Sinto-te falta. Fazes-me falta. Faltas-me aqui do meu lado. Falta-me respirar fundo, no fundo do ti. Falta-me nadar nesses olhos serenos. Falta-me a tua calma. A tua lucidez. Sem ela não sou nada além de insanidade perdida. Nada, a não ser tudo o que me faltas.

Sinto-te tanta saudade. Tanta saudade que te sinto, que não se me chega a luz do dia para que acorde. Pois continuo em viagem permanente ao encontro de nós. Ainda nós. Sempre nós. Por todos os dias até à eternidade.

Não será a saudade que me matará. Será a tua ausência que me fará perder as forças. As poucas que ainda me sustentam. Pois que da tua presença sabia tudo. Na tua presença podia tudo. Capaz de tudo. Conquistava tudo.

Éramos invencíveis. Éramos invencíveis.

Meu Amor.