Desceste
aquela rua toda aperaltada. Querias que te vissem. Querias que te olhassem. E
viam. E olhavam-te com atenção. Pois que nela tu te passeavas. Qual pavão de
cauda aberta.
Soberba
descida da calçada, digo-te. Soberba passada sobre essas alturas que te
mantinham lá no cimo da vaidade. Sublime.
As
peixeiras comentavam, mandavam bocas, Olha a vaidosa, deves querer pouco deves.
Mas a ti essas palavras só te inchavam ainda mais. Crescias a cada passo. A rua
inteira parava para te olhar. As peixeiras davam encontrões aos maridos, nos
intervalos das bocas e dos pregões.
E essa
saia. E essas pernas destapadas. Que rasgos de loucura andante.
Fiquei
preso. Claro. Toda a gente ficou...





