30.9.13

Psycho Killer



Não te sobra nada, se não apenas tocares no seu corpo, ali deitado à tua espera. E no entanto não te mexes, ficas preso a essas asas que não voam, não te moves.

Não te resta mais nada a não ser observares o sangue que ensopa os lençóis. E no entanto tentas vesti-los, para te sentires na tua pele.

Não te resta nada, absolutamente mais nada. Nem os pedaços de carne que tocas horrorizado, e no entanto, com um estranho sentimento de satisfação.

Então é isto a morte, pensas tu. Então é assim que se fica depois de abandonarmos o nosso corpo. Carne, apenas carne, ensopada em sangue, carne, embrulhando ossos, partidos.

E que bem que te soube parti-los, parecia que estavas no jardim de diversões, nunca antes sentiste este prazer, nunca, antes eras apenas tu.

Mas agora, não resta mais nada a não seres mais do que apenas tu, és aquele que agora observas, de mãos envoltas num tom castanho avermelhado.

E ficas-te, apenas. Fascinado com o ser em que te tornaste.

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